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Intolerância: 'Deus é gay' e outras frases foram pichadas em igreja

Intolerância Religiosa - Um Asno
Publicado em 22 de Abril de 2012 às 15h44min | Alexandre Moura | CGN/Correio do Lago | Atualizado às 14h13min

Ação aconteceu na noite de quinta-feira e causou indignação para grande parte da população da cidade de 23 mil habitantes...

Três frases escritas de vermelho na parede da Matriz da Igreja Católica chamaram a atenção da população de Santa Helena, cidade localizada na região Oeste do Paraná e que tem pouco mais de 23 mil habitantes: “Deus é gay”, “Pequenas Igrejas, Grandes Negócios” e “fuck the religions”. As pichações foram feitas na porta de entrada, o local onde centenas de católicos do município celebram e fazem suas orações. Os vândalos também fizeram o símbolo da cruz de ponta cabeça, e um símbolo do anarquismo.

A ação dos vândalos ocorreu na noite da última quinta-feira (19). Com a ajuda da população, a Polícia Militar local agiu rápido e prendeu os três suspeitos de terem praticado o ato de vandalismo.

Segundo o Portal Correio do Lago, "L.A.S., 19 anos, foi o primeiro detido e depois foram detidos M.J.O. e E.R.S. Segundo informou o sargento Botini, comandante local da PM, no depoimento eles alegaram consumo de bebida alcoólica, influência disso e insatisfação com a vida para praticar o ato de blasfêmia contra a igreja", publicou o site. Os três foram ouvidos e liberados, pois responderão a acusação em liberdade.

Comento
Pessoal, me desculpem... Não sou religioso, tenho minhas próprias convicções filosóficas, mas aceitar tal agressão a uma igreja (seja ela qual for) é a maior prova de que não esteremos preparados para uma sociedade anárquica (como idealizou Bakunin!) nunca! Quando critico a fala de José Dirceu que se diz "absolvido pela juventude que representa a inteligência do país" é nisso que penso.

Grande parte (felizmente ainda temos jovens brilhantes) dos jovens apresenta grande inteligência, mas nenhuma maturidade para conviver com as diferenças. Usando as palavras de Osvaldo Montenegro em um momento em que o Sul queria se separar do restante do Brasil: "Antes de pensarmos nas diferenças, devemos buscar nossas semelhanças!".

O Anarquismo (aquele que um dia defendi em minhas utopias pueris) não exige que pensemos todos iguais, mas que respeitemos e defendamos o direito daquele que discorda de nós! Abaixo coloco a foto dos três vândalos para que comecem a repensar os paradigmas nos quais confiamos.

Delinquentes - Um Asno


Delinquentes - Um Asno


Delinquentes - Um Asno

A legislação brasileira dá o direito de expressão a todos os cidadãos, mas também exige respeito pelo patrimônio alheio, inclusive criminalizando atos de vandalismo e pichação. Um estado de direito, como é o nosso, deve proteger os cidadãos em suas crenças, orientações religiosas, sexuais, etc. A atitude dos vândalos mostra bem em que situação nos encontramos por não entender o que significa a palavra tolerância!

"O cume da tolerância é mais rapidamente alcançado por aqueles que não andam carregados de convicções", dizia Alexander Chase

A tolerância é uma virtude rara e importante. Tem os seus limites, mas estes são geralmente estabelecidos demasiado rigidamente e nos pontos errados. John Stuart Mill, na sua obra fulcral Sobre a Liberdade, escreveu: “A humanidade terá muito a ganhar deixando que cada um viva como lhe parece bem, e não forçando cada um a viver como parece bem aos restantes”.

Esta observação tem várias implicações importantes. Define uma pessoa intolerante como alguém que deseja que os outros vivam como ela pensa que eles deveriam viver e que procura impor-lhes as suas próprias práticas e convicções. Ninguém tem o direito de dizer a outro como ser ou agir. Nem as igrejas, muito menos os pretensos anarquistas! Cabe as pessoas decidir se serão conduzidas ou conduzirão. Cada qual se prepare conforme sua escolha e que nunca se permita cometer tamanha agressão de exigir que o outro se enquadre em suas linhas.

A medida da minha régua, serve tão somente a mim! É mister aprendermos a conciliar nossas eternas diferenças, pois são elas que produzem o progresso desta geração. Contudo a tolerância tem de se proteger de si própria. Pode fazê-lo facilmente, dizendo que todos podem expor um ponto de vista, mas ninguém pode forçar os outros a aceitá-lo. A única coerção deve ser a da argumentação; a única obrigação, o raciocínio honesto. Helen Keller disse que “o resultado mais elevado da educação é a tolerância”, e estava certa: pode confiar-se em que, na maioria dos casos, o raciocínio imparcial de um espírito informado favorecerá o bem e a verdade.

Minha oração é para que hajam mais diálogos carregados de argumentos embasados e experimentados e menos agressões às opções e entendimentos das pessoas.

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