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Minhas apologias

Republico um Artigo publicado na Folha da Região numa sexta-feira, 12 de março de 2004, no Caderno Birigüi, porque acho que ainda não expirou seu prazo de validade.

"Um certo professor de Birigüi me formulou uma pergunta que me obrigou a refletir sobre o porquê da inércia birigüiense diante da hemorragia política que esgota o município a cada eleição. Como vou saber? Deve ser a água... Algum elemento oculto na atmosfera deve influenciar no nosso julgamento durante o pleito.

Dessa vez, resolvi escrever uma apologia ao termo hipocrisia. Acredito que não fazemos justiça à grande utilidade do emprego desse termo. Hipocrisia é a arte de falsear a verdade. É quando fingimos uma virtude para mascarar nossos reais defeitos. É quando passamos 12 anos num mandato na Câmara e não elaboramos um único projeto. É quando afirmamos defender uma classe, mas jamais permitimos que essa mesma classe tome parte na tomada de decisões. É quando nos colocamos do lado de alguém por mera conveniência financeira, sendo que na realidade somos desafetos. É ainda quando fazemos gentilezas para cairmos nas graças da mídia e no final lucrar.

Outras pessoas utilizam eufemismos mais prudentes para definir o termo. É o caso da luta ardorosa de alguns vereadores que passam um mandato inteiro no anonimato e, de repente, no último ano resolvem comprar brigas e exigir esclarecimentos do prefeito. Tudo isso para ter o seu nome divulgado em programas de rádio. O pior é que funciona! É o famoso "senta no próprio rabo pra colocar o dos outros em evidência".

Por minha vez, não creio que essas eleições possam estancar o sangramento da cidade. Parece que os únicos que percebem a realidade preferem permanecer acomodados esperando, talvez uma intervenção divina.

Não atacarei ninguém, por enquanto. Não tenho esperanças de que as urnas possam me redimir no final. Não acredito na mudança porque não confio nos eleitores birigüienses. Não acredito numa democracia onde quem vence é o que tem mais votos e não o melhor candidato. Não gosto de idealistas que transformam as necessidades dos outros em causas próprias e atrapalham o desenvolvimento da sociedade. Por último, não consigo admitir que ainda existam pessoas que prefiram votar nulo, beneficiando os maus políticos com a diminuição dos votos válidos.

Quem deixa de votar é conivente com a situação. Quem anula seu voto é omisso com relação à "folia" que fazem com os direitos do cidadão, mas quem declara seus direitos e brada contra a inércia contribui para o verdadeiro aperfeiçoamento da democracia.
Concluo meu artigo invocando a igualdade entre os opostos, a liberdade com equilíbrio e a fraternidade entre os que almejam o bem comum".

Nilson Alves de Souza

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