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Paraguai: Golpe uma ova!!


Carlos Novaes no Jornal da Cultura - Um Asno
Adoro o estilo de apresentação do Jornal da Cultura, mas nem sempre gosto da presença de alguns dos comentaristas. Tenho meus preferidos, mas começo a me aborrecer muito com o cientista político, Carlos Novaes e sua 'ciência do nada'. O recente infausto evento no Paraguai que culminou no impeachment do presidente Fernando Lugo tem sido exageradamente apresentado como golpe por quase toda a mídia brasileira. Ou isso é preguiça, ou hipocrisia! Quase ninguém se lembra do que ocorreu a Manuel Zelaya e sua tentativa descarada de se perpetuar no poder. Desastradamente o Brasil se envolveu na confusão diplomática em Honduras, o que eu considero um ataque a soberania daquele país. O mesmo parece que não ocorrerá desta vez, mesmo que a maioria aqui considere o processo no Paraguai um golpe. Golpe uma ova! Golpe era o que Zelaya queria fazer em Honduras! estes países possuem sua constituição e ela é soberana.
Novaes,  que apoia declaradamente Marina Silva, outra com neurônios em stand by, parecia possuído ontem durante o telejornal defendendo sua tese de que houve golpe devido a um suposto julgamento sumário no Paraguai e comparando ao nosso processo de impeachment em 1992. Memória fraca ou inteligência a serviço da desinformação! Reproduzo abaixo um texto de Reinaldo Azevedo que pode ser lido na íntegra em seu blog, volto em seguida.
Golpe coisa nenhuma!Vênia máxima, não existe golpe quando se segue a Constituição. Golpe parlamentar, como querem alguns, é outra coisa. Nesse caso, o Parlamento vota uma lei com o fito único de depor ou de inviabilizar o governo de turno, emprestando normalidade aparente à ilegalidade. A Constituição paraguaia não foi reescrita para botar Lugo pra fora. Foi apenas aplicada. “Ah, mas já havia o claro intento de cassá-lo”, dizem alguns. Se é assim, a cassação ocorreria agora ou daqui a dois ou três meses. Nesse caso, o risco de convulsão social, manipulada pelas forças “luguistas”, seria grande.
E vamos parar de conversa mole. Bastou uma votação na Câmara para tirar Fernando Collor do poder. E sem direito à defesa porque tal procedimento era descabido naquela fase. E FOI NUM PROCESSO POLÍTICO, NÃO CRIMINAL — no Supremo, aliás, ele foi absolvido. É bem verdade que seu afastamento, em tese, não era definitivo. Mas todos sabiam, a começar do próprio, que jamais voltaria. Ainda hoje, se vocês forem fazer pesquisa na Internet, encontrarão em muitas páginas a informação falsa de que a Câmara aprovou o impeachment no dia 29 de setembro de 1992. Errado! Aprovou apenas a abertura do processo — o que o obrigou a se afastar imediatamente, sumariamente. Assim é na nossa Constituição. O processo seria mais longo do que o do Paraguai, mas Collor, como Lugo, já sabia o resultado. Renunciou ao mandato no dia 29 de dezembro, horas antes da sessão do Senado cujo resultado era óbvio. Não adiantou. A Casa deu prosseguimento ao processo político e condenou por crime de responsabilidade, por 76 votos a 3, quem já nem era mais presidente. Ficou inelegível por oito anos. Vale dizer: Collor já tinha renunciado e, mesmo assim, foi impichado… (isso é que é julgamento político)
Ninguém ousou questionar se o ex-caçador de marajás (e atual caçador de jornalistas) foi vítima de um golpe — e não foi! Afinal, à época, ele era considerado uma espécie de besta-fera da direita, de reacionário, de troglodita etc. E as ditas “forças progressistas” (naquele tempo, Lula ainda não dividia o jardim das delícias com Maluf) eram favoráveis a seu impedimento. Essa conversa torta — chamar a eventual deposição de mandatários segundo o que estabelece a lei — só está em curso porque, afinal, Lugo é um “progressista”, como “progressista” havia se tornado Manuel Zelaya, aquela delinquente paranoide que governava Honduras.
Tivesse Lugo zelado pela institucionalidade que o elegeu, seria presidente da República. Colegas seus como Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e Cristina Kirchner acabaram lhe servindo de maus exemplos. O Parlamento paraguaio fez o certo. Antes que Lugo se animasse a bagunçar as leis, cortou-lhe a cabeça. É o que já deveria ter acontecido com todos os outros. E há muito tempo. Ou alguém nega que todos eles lideram uma contínua degradação do regime democrático?
Que o Paraguai siga no caminho da normalidade e realize eleições livres e democráticas daqui a nove meses, conforme o previsto. O meu candidato à próxima deposição, dentro da lei, é Evo Morales… Quem faz outra aposta?
Minnha Vez...

Se o partido de oposição a Lugo seja conservador, extremista, reacionário e já tenha, por várias vezes, atrapalhado Lugo em seu governo (ao menos lá a oposição funciona!), em nada isso desqualifica o processo de destituição de Fernando Lugo, que foi legal e democrático ocorrendo dentro das exigências legais.
Se é absurdo que a constituição paraguaia permita o que ocorreu, não esqueçamos também que Lugo foi eleito segundo seus dispositivos. Comparem a constituição hondurenho que em sua redação um presidente 

que seja flagrado tramando a própria reeleição está automaticamente destituído. Foi o que aconteceu com Manuel Zelaya, também democraticamente deposto. Desta vez, ao menos, nenhum diplomata brasileiro maluco decidiu se meter nas questões internas do Paraguai, a exemplo do absurdo que se viu naquele caso.

Não podemos esquecer que Lugo já apresentava ligações com os delinquentes disfarçados de sem-terra. Como Bispo era um aventureiro das alcovas deixando filhos não assumidos espalhados por todo país (alguns ainda sem serem reconhecidos), como presidente, obrigado a defender as instituições, flertava com o movimento sem-terra que, não muito diferente daqui, se assemelha mais a um movimento terrorista (só que mais fortemente armado do que aqui).

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