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Acredito na tese de que não houve compra de votos no Mensalão

Severino Cavalcanti - Um Asno
Escrevo este texto porque acredito de fato que não houve compra de apoio parlamentar como aponta o processo do Mensalão, embora o STF tenha julgado nesse sentido. Pelo menos não era esse o propósito. No que me baseio? Ora... o comportamento dos parlamentares e o hábito que tem se proliferado nos últimos anos de se barganhar cargos e favores dentro da esfera pública sempre foi mais atraente aos representantes sem virtude do nosso país do que o dinheiro propriamente dito. Salvo alguns casos, como o de Severino Cavalcanti e seu "mensalinho"! Cavalcanti, aos 83 anos, inclusive, declara que não pretende abandonar a política, mesmo depois de ter sua candidatura impugnada pela lei da Ficha Limpa. Durante a campanha eleitoral deste ano se dedicou a eleger Anna Mendes do PSDB para a prefeitura da cidade de João Alfredo em Pernambuco, cargo que ele postulava antes da impugnação.

A pista vem do próprio Partido dos Trabalhadores que agora quer a Reforma Política a todo custo. Um reforma, aliás, que privilegia eles mesmos! Embora o Tribunal Superior Eleitoral tenha realizado algumas melhorias na lei eleitoral, as campanhas ainda são absurdamente caras e não poderiam ser realizadas sem as gordas contribuições privadas ou um financiamento público das campanhas como querem os políticos. Não vou gastar tempo conjecturando se o financiamento público seria, ou não, uma solução porque esse financiamento, de maneira nenhuma, impedirá as entradas ilícitas de dinheiro nos comitês.

Até acredito que, na maioria dos casos, não houve compra de votos. Não era preciso! Contudo, alguns se acharam em débito moral e que deveriam agir em apoio ao governo, sim! É só observar as chantagens que ocorrem, vez por outra, quando querem algum favor do Planalto. A distribuição do dinheiro desviado, salvo alguns casos escandalosos de parlamentares que embolsaram, tinha, para mim, outro objetivo: saldar as imensas dívidas que os partidos acumulam a cada campanha. Isso em nada reduz o crime! Houve desvio de dinheiro público e ponto! Não adianta renomear o monstro e tapar o sol com a peneira. Praticaram-se crimes contra a ordem pública, sim! Nada justifica um grupo, seja ele de qual partido for, surrupiar os cofres utilizando-se de manobras de ocultação dos delitos para benefício comum. Houveram empréstimos fraudulentos, evasão de divisas, corrupção passiva, e por óbvio, ativa. Isso não é comportamento de seres virtuosos que querem ser lembrados como efígies da luta pela democracia no país. Os eleitores estão mudando e para conquistá-los, mais do que nunca, seriam necessários expedientes mais virtuosos e explícitos nas ações dos parlamentares e dos partidos para assim, permanecerem no poder.

A compra de apoio foi testemunhada por parlamentares e reforçada por pessoas próximas a eles, mas, a meu ver, isso aconteceu porque alguns políticos agiram na direção de corresponder ao dinheiro em forma de apoio passivo e gratidão. A tese de Golpe do PT contra a democracia com a compra de apoio perde peso quando se evidencia que o propósito da distribuição de dinheiro era outro, porém o partido se empenha com tanto esforço para legitimar as ações de seus filiados criminosos que a tese volta a ter peso por conta de sua postura contra o judiciário. Agora sim, há um golpe em curso, mas é contra a Justiça. O mais correto seria reconhecer os erros e atuarem de maneira a impedir que eles ou outros voltem a reincidi-los e não legitimá-los sob a máscara de uma proposta de Reforma Política. Sou favorável a reforma, mas não a que querem os petistas. Gostaria de ver um engajamento mais profundo neste tema.

Uma proposta séria para Reforma Política seria a que incluísse uma discussão sobre a maneira como se faz campanha no Brasil. O modelo atual já se desgastou e isso fica evidente a cada eleição quando o número de votos brancos, nulos e abstenções só tem aumentado. O voto tem que mudar! Os representantes devem mudar sua maneira de conquistar votos.

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