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Joaquim Barbosa não é o primeiro negro no Supremo!

Hermenegildo Barros, Pedro Lessa e Joaquim Barbosa - Um Asno
Quando elogio alguns votos e decisões do Ministro Joaquim Barbosa, não o faço em virtude da sua cor. Da mesma forma, não o faço, quando critico outros votos e seu temperamento estrondosamente desarmônico com o cargo que ocupa. Também não concordo com a pilantragem de alguns velhacos que tentam denigrir sua imagem de juíz para afetar a opinião pública a respeito do Mensalão (Ops, Ação Penal 470!). Nesta madrugada assisti ao resumo da posse de Joaquim Barbosa no cargo de presidente do STF e me escandalizei com duas ou três situações protagonizadas por outros presentes, contudo, Barbosa foi um modelo. 

Alívio! Porém, não demorou para aparecer porcaria na imprensa. Primeiro foi a repetição exagerada da tietagem ao ministro por causa de sua cor e não devido aos seus méritos como jurista. A maior parte da imprensa brasileira louva o facto de Barbosa se tratar do primeiro negro no cargo, mas, num passado distante, já dois juízes negros integraram o Supremo, Pedro Augusto Carneiro Lessa (1907 -1921) e Hermenegildo Rodrigues de Barros (1919-1937), este último, inclusive, teve uma breve passagem pela presidência em 1932. "Ah, mas as origens humildes...". Alto lá! Origem humilde e trajetória meritosa até a glória não é monopólio de cor. A história está cheia de meritosos das mais variadas origens, a diferença se faz apenas quando existe a tietagem da imprensa.

Durante a posse, chegaram a invocar até uma dita "vitória" do tal do multiculturalismo. Não! Essa foi a vitória do sistema democrático que admite a pluralidade, bem ao contrário de outros regimes. O pretexto do multiculturalismo é abrigar a diferença, negando-se a admitir que existe uma hierarquia de valor das culturas. Ora, essa hierarquia é baseada nas liberdades públicas, nos direitos individuais, na livre expressão do pensamento, no direito à organização, na garantia à inviolabilidade do corpo, ou seja, nos princípios da democracia.

Barbosa está na crista da onda por causa do Mensalão, digo, Ação Penal 470. Fosse qualquer outro juiz que procedesse da mesma maneira, ou seja, seguindo o que determina a lei, teria também sua tietagem? Ocorre que essa atitude é amplificada em virtude da cor de Barbosa. Meus Deus! Só imaturos pensam que ideias, atitudes, funções, cargos e atuações possam ser precedidos por atributos como o da pele! Então o Brasil não possui milhares de heróis ex-indigentes, ex-moradores de rua e ex-viciados, brancos, mulatos, negros, amarelos e vermelhos que transformaram suas vidas e ascenderam socialmente através de seus esforços? Teria sido influência da cor? Enquanto insistirmos na senha da cor o estigma de raça jamais abandonará nossa consciência coletiva. Assistam ao vídeo (clique aqui) onde, em poucos segundos, Morgan Freeman destrói essa corrente que estende o racismo às calendas em nosso mundo.

3 comentários:

  1. Caro Nilson, excelente texto! Parabéns!
    Cheguei a ele fortuitamente, pois fui à procura de Pedro Lessa no Google.

    Tenho um blog também, onde publico assuntos de meu interesse; e, no último Dia da Consciência Negra, publiquei um texto que teve alguma repercussão. Uma humilde tentativa de dismistificar essa ideia do racismo.
    Se puderes, e quiseres ler, aqui vai o link:

    http://esperandoasmusas.wordpress.com/2012/11/19/repensando-o-dia-da-consciencia-negra/

    Grande abraço,
    Paulo.

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  2. Segundo o Wikipédia: "Joaquim Barbosa é o primeiro ministro reconhecidamente negro do STF, uma vez que anteriormente compuseram a Corte um mulato escuro, Hermenegildo de Barros, e um mulato claro, Pedro Lessa."

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