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TSE: Prestação de Contas dos candidatos de Birigui

Campanha Eleitoral em Birigui - Um Asno
Jurei nunca mais mencionar matérias do jornal Folha da Região em meu blog, mas a matéria publicada ontem me levou a consultar o TSE para ter uma noção mais profunda sobre a declaração fornecida pelos candidatos para fins de Prestação de Contas da Campanha realizada em Birigui neste último pleito. Quem esteve próximo de campanhas eleitorais sabe que muito do que há na declaração dos candidatos nem sempre reflete o que realmente acontece durante todo o processo. A declaração de bens dificilmente corresponde a relação patrimonial real de um candidato (a justificativa é que para isso existe a declaração de renda anual), e a prestação de contas também, quase sempre, é feita de maneira a "arranjar" os valores de forma que correspondam. A maneira como o TSE apura a prestação de contas é rigorosa, mas a astucia de alguns comitês também tem seus predicados.

Por incrível que possa parecer (e tenho minhas razões para crer desta forma), acredito que a prestação seja sempre subvalorizada. Sei que muitas doações realmente não ocorrem da maneira como são encaminhadas para apuração, bem como também sei que muitos prestadores de serviços emitem notas com valores que nem sempre correspondem ao serviço prestado. Uma campanha para eleger um prefeito em uma cidade como Birigui, por mais humilde que seja e mais amigos que possa ter o candidato, não fica menos de R$ 300 mil. O custo de uma campanha é monstruoso e reacende o debate de que se faz necessária a mudança de como se faz campanha política em nosso país.

O valor mais coerente para uma campanha em nossa cidade, até porque considerou até o curioso volume de 365 recibos de R$ 60,00, é o informado pelo comitê de Roque Barbiere. Basta que nos lembremos do volume tenebroso de carros de som que cada comitê esfregou em nossos ouvidos durante a campanha, basta que nos lembremos das toneladas de santinhos e panfletos distribuídos e dos banners, faixas e cavaletes esparramados por toda a cidade. Isso tem um custo monumental e não há dúvidas de que alguns valores precisem ser "arranjados", até porque, nem todos os profissionais envolvidos possuem o credenciamento necessário para a prestação de serviços, tais como firma aberta, regularidade frente a justiça eleitoral, etc.

A manchete da Folha da Região, da maneira como está escrita, "Bernabé declara metade do gasto de Roque Barbiere", do jornalista Lázaro Jr. fez com que alguns internautas fizessem gozações devido a uma interpretação maliciosa de que o outro candidato teria investido mais a troco de nada, pois não foi eleito. Não estou defendendo ou acusando esta ou aquela prestação (isso é trabalho do TSE), apenas inquirindo que, ao que foi demonstrado no período da campanha, os valores podem ainda ser maiores. Há, por exemplo, o caso do candidato Maçaru Umeta que não recebeu financiamento do próprio partido para sua campanha e, supostamente, teria de arcar sozinho com o prejuízo, dispondo do próprio patrimônio para saldar as despesas. Razão pela qual sua prestação apenas justificaria valores de entrada e saída do comitê, sem considerar as despesas que ele assumira particularmente em detrimento de suas posses pessoais.

Abaixo, os valores totais informados na data de hoje na página de prestação de contas da campanha pelo TSE.

Fernando Escodeiro - 13 - PT
Total de Despesas R$ 34.099,21
Total de Receitas R$ 34.099,21
Nº Controle: 0001362294SP5188482 - Data Entrega: 19/11/2012

Mário Maçaru Umeta - 45 - PSDB
Total de Despesas R$ 7.407,26
Nº Controle: 0004562294SP0820921 - Data Entrega: 06/11/2012
Total de Receitas R$ 5.347,26

Pedro Felício Estrada Bernabé - 12 - PDT
Total de Despesas R$ 330.819,72
Total de Receitas R$ 330.819,72

Roque Barbiere - 14 - PTB
Total de Receitas R$ 759.145,00
Nº Controle: 0001262294SP7194545 - Data Entrega: 05/11/2012
Total de Despesas R$ 759.145,00
Nº Controle: 0001462294SP7422199 - Data Entrega: 05/11/2012

Um comentário:

  1. Sou contra o financiamento privado de campanhas, o Estado deveria fazer isso para acabar com esse descalabro.
    Se o financiamento é privado fica o candidato à mercê de um grupo empresarial, político ou outros.
    Isso acarreta "mensalões", "mensalinhos" e aberrações análogas...

    Renato

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