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Concluindo a discussão sobre as drogas

Viciados em Facebook - Um Asno
Vou abreviar a discussão sobre drogas e vícios porque já está rendendo muita barbaridade na minha caixa de comentários. Havia muito mais a dizer, sobretudo que vícios não se restringem a entorpecentes, mas há outros assuntos para discutir e não quero perder o gancho. Dando continuidade ao texto que escrevi ontem (aqui), hoje é aniversário da cidade de São Paulo. Esta metrópole continua sob ataque. Não, não é o PCC! Tratam-se de vigaristas que tentam transformar um problema de saúde em panfletário ideológico e político. Lembro bem como o ministro da justiça José Eduardo Cardozo e os outros ministros, Gilberto Carvalho, Maria do Rosário e Alexandre Padilha reagiram com escândalo quando a prefeitura de São Paulo resolveu desprivatizar a Cracolândia. Naquela época Kassab era adversário, portanto, as ações receberam acusações de higienistas e de especulação imobiliária do local.

A cidade de São Paulo, recentemente, realizou a intervenção com franco apoio da maioria da população e ao mesmo tempo inaugurou o maior centro brasileiro destinado ao tratamento dos viciados: o Complexo PratesQuando o governador Geraldo Alckmin resolveu pôr em prática a internação compulsória de viciados em crack em parceira com o Ministério Público, a Justiça e os médicos, houve nova enxurrada de críticas a uma atitude que responde ao óbvio: se um dependente for atestado incapaz de controlar sua própria saúde, a Justiça poderá determinar a internação. Em resumo, algo estritamente legal e previsto em nossa constituição. Covardemente, baluartes defensores dos "direitozumanos" atacaram a iniciativa sugerindo soluções sem o uso da força ou coerção.

Que soluções? Quais são as alternativas apresentadas pelos ditos progressistas? Se o próprio governo federal com seu alardeado programa "Crack, é possível vencer", segundo o site Contas Abertas, não desembolsou mais do que 7% da verba do Fundo Nacional Antidrogas no ano passado. É a prova de que se não são capazes de gastar a verba destinada é porque carecem de propostas sólidas e efetivas. Não sendo capazes de resolver o problema, atacam quem toma a iniciativa.

Se os ditos progressistas não possuem proposta alternativa alguma para oferecer, deixam pistas de como resolveriam o problema: legalizando as drogas! Quem afirma a insanidade de que devemos respeitar a vontade dos usuários e incentivá-los a buscar amparo nas políticas desenvolvidas pelo governo federal é, no mínimo, incoerente! O único estado que mantem clínicas para tratamento de viciados é... SÃO PAULO!! Além do mais, de que vontade estão falando? O infeliz só exerceu seu poder de escolha para embrenhar-se na ilusão de euforia do tóxico. Uma vez dependente, seu livre arbítrio foi pro espaço e daí um problema que era exclusivamente de sua escolha particular passa a ser de toda a sociedade! Quem se arrasta pelas ruas como zumbi movido apenas pelo vício já perdeu o domínio sobre o próprio corpo faz tempo.

A internação compulsória só ocorre com a autorização da família ou por decisão judicial. É uma saída menos cruel para quem já perdeu a condição de escolher até como morrer. Já estão despidos da dignidade, da liberdade, da escolha e de quaisquer valores que, ao menos, os aproximem mais do gênero humano. Tornaram-se risco para si mesmos e um risco enorme para a sociedade já que sua única motivação é conseguir mais drogas a qualquer custo.

Meus pais me educaram de maneira que eu soubesse que para cada escolha que eu fizesse um efeito indesejável poderia se produzir. Ninguém jamais impedirá que alguém faça uma escolha ruim, como por exemplo, consumir substâncias que podem lhe trazer danos, então, porque alguém (a sociedade), teria que arcar solidariamente com as consequências da escolha feita a sua revelia? Alguns sábios do Facebook pregam que se deve descriminar o consumo, mas reprimir o tráfico… Que absurdo! Regra de mercado básica! Como liberar a demanda e restringir a oferta? Vamos inflacionar o mercado?

A internação compulsória vem a ser a resposta que a sociedade, não o governo estadual, escolheu dar. A sociedade, formada por gente que produz, trabalha, irá mais uma vez sustentar, através dos impostos que paga, a chance para que os zumbis se recuperem. E é só! O viciado é também coberto pelos direitos e garantias que são assistidos a todos, mas a sociedade não está obrigada a colocar-se voluntariamente como refém de quem potencialmente a destrói.

Engraçado... Houve um tempo (e eu cheguei a assistir palestras promovidas por eles), que os ditos "progressistas" combatiam as drogas porque entorpeciam a consciência. Hoje as drogas fazem parte das pautas da militância. Acontece que eles estão muito errados e a evidência disso é que a procura por internações de dependentes químicos surpreendeu até ao governo do estado que foi obrigado a ampliar a estrutura de atendimento dois dias após o início do programa. Houve uma corrida pela internação! Pais e mães certamente sofrem terrivelmente ao buscar um filho na rua para tentar interná-lo e o desamparo é ainda maior quando filhos tentam resgatar os pais. Se o programa será eficaz, ou não, isso eu não sei, mas é um passo valente na direção correta.

Volto a discutir o assunto se as propostas e argumentos dos leitores forem mais sérios e menos influenciados pela "brisa".

Um comentário:

  1. Estou acompanhando suas publicações sobre dependência, e acredite estava muito reticente em opinar, sabe porque? Pessoas que não tem seus entes queridos envolvidos com drogas, não conseguem mensurar o quanto é devastador, pois os envolvidos (diga-se) familiares travam uma luta que é desigual, o dependente fica "blindado", as pessoas não sabem como é desesperador. Minha familia já passou por isso, é desolador............

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