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O argumento do "Nós e Eles" - Parte II

Esperança - Um Asno
Meu país é forte... O povo que vive aqui é generoso e solidário... Somos pacíficos e prestativos, bem humorados e cativantes. Nossa tolerância com aqueles que nos agridem, sobretudo os profissionais que por nós são sustentados nos mais altos galhos da vida pública e que, geração após geração, servem-se da nossa pobreza, da nossa ignorância e dos nossos vícios sociais e que, ainda, criminosamente envenenam nossa dignidade, é no esculacho do eufemismo uma subserviência colossal! Agridem-nos a todo instante e desafiam-nos em nossa infinita submissão. Seguimos generosos com eles porque pesa sobre nossa formação a mácula do gesto de baixar a cabeça...

Para encerrar meu post anterior sobre o argumento do "nós e eles" (aqui), trago a reflexão para nossa realidade local. Quando criei o blog para argumentar e debater, meu objetivo era compor um espaço de manifestação pessoal e de reflexão política. O que me motiva a escrever é a reação absurdamente desproporcional de algumas pessoas. Gente que vai além do insulto, que lança mão de argumentos fascistas para tentar desqualificar qualquer um que manifeste opinião contrária a vigente. Sempre convidei a todos para que, discordando do que escrevo, comentasse no blog e se fosse respeitoso seria integralmente publicado.

O Blog do Asno tem sido forçado a exercer com mais rigor a moderação de alguns comentários para evitar ataques de antagonistas das posições que defendo nestas páginas.  Não se trata de impedir a manifestação do contraditório. Tenho discernimento para separar a injúria da lógica argumentativa genuína. Tenho coragem para admitir, assumir e expor meus erros de apuração. Tenho estômago para ler as contestações que, longe de serem argumentos, beiram a afronta. Tenho sabedoria para mudar de ideia, quando for o caso e, acima de tudo, entendo e respeito a diferença, o que reconheço como essencial para um ambiente sadio e verdadeiramente democrático.

A lei soberana que permite a qualquer um expressar livremente o pensamento também permite a existência desta ferramenta que pode ser um espaço realmente democrático para a discussão de temas os mais variados. Meus leitores não são obrigados a concordar com o que expresso, pois podem eles mesmos formar juízos de valor muito mais embasados, sólidos e menos erráticos. Contudo, não vejo com simpatia a desqualificação do oponente. Tenho muito respeito pelo que alguns leitores me escrevem, mesmo quando o fazem para discordar do que escrevo. Para estes, o blog  estará sempre aberto.

Nossa sociedade contemporânea está doente e volta a ser ameaçada pelo sombrio nazismo. O mais grave é perceber que a intolerância cresce a cada dia sempre que algum assunto polêmico está em debate. A internet, que supostamente tornaria universal o conhecimento, redimiria os oprimidos e reforçaria a democracia, transformou-se num palco de ideologias pobres e segregacionistas. É nesse palco que se apresenta o novo fascismo, o novo terrorismo que o utiliza para construir e difundir sua base ideológica, tornar públicas suas ameaças e antecipar suas ações.

Há trinta anos o partido fundado pelo ex-presidente Lula foi uma promessa e um alerta para os demagogos e aproveitadores de que haveria a ameaça de uma mudança para melhor. Eu acreditei nessa promessa, mas ela durou pouco. Durou até que alguns pilantras se encontrassem com o Erário dos primeiros cargos públicos conquistados. Aqueles a quem o grande partido combatia tornaram-se seus maiores e mais valiosos aliados. Tornaram-se irmãos! Aos 300 picaretas denunciados por Lula, somaram-se os caçadores de empregos e vantagens para si próprios e seus familiares. Surgiu um novo império: o que cede os conselhos de estatais e fundos de pensão a traficantes de licenças e ONGs (Organizações NÃO GOVERNAMENTAIS!), que recebem dinheiro do Tesouro.

Um paradigma camuflado em outras gestões virou Procedimento Operacional Padrão. Negócios privados passaram a receber chancelas e a tinta azul de canetas públicas de forma mais escancarada. Mas isso tudo não é o pior! Pior é que fomos jogados uns contra os outros. Agora há quem defenda nomes públicos outrora execrados, simplesmente por que compõem a base aliada. Critiquem Renan Calheiros! Critiquem Henrique Eduardo Alves! E verão uma onda violenta e sonora levantar-se com vigor! Em outros tempos era o contrário...

Somos um povo solidário, amigo e tolerante. Menos quando debatemos sobre religião, futebol e Partido dos Trabalhadores. Há pilantras em todos os partidos, mas no PT, tal afirmação é injúria! Fomos divididos em "nós e eles". Infelizmente, para minha conta bancária, minha carteira de oportunidades e minha própria existência, não estou incluído na turma do "Nós". Começo a sentir o ferrão do fascismo disfarçado de Projeto de Poder do novo partidão. Estou cansado...

Estou cansado, mas não arredo o pé!! Venham com as agressões, com as vozes contaminadas de ideologia acéfala e com os ataques gratuitos e reveladores de que nunca desejaram a democracia e sim a submissão incondicional do outro, o "eles". Aos petistas decentes que ainda existem, minhas preces de que algum dia retomem a promessa inicial que nos encheu de esperança!

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