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PM agride adolescente após vandalismo em escola paulista

Imprensa mostra agressão de policial a adolescente - Um Asno
Quando escrevo algum post favorável a Polícia Militar, algumas pessoas discordam com veemência e logo apontam todas as falhas que existem na corporação. Pois Bem! Isso não muda minha opinião. Temos maus policiais, como temos maus professores, maus médicos, maus alunos, maus pastores e até... Oh meu Deus!! Maus Políticos! Nesta sexta-feira estive a trabalho nos municípios de Marília e Ourinhos, duas cidades separadas por uma exuberante geografia e com um potencial de desenvolvimento fantástico. Antes de fazer a viagem de retorno para a terra do sapato, vejo a foto acima e leio uma matéria com a manchete como segue no título deste post. Aconteceu em uma escola de São Simão, próximo a Ribeirão Preto. A função da imprensa é bem esta, registrar os fatos e deixar que os destinatários tenham suas próprias reações e definam por si, qual opinião construir. É claro que a matéria jornalística não fez mais do que apenas registrar os fatos, mas a manchete e a foto ilustra bem qual é o tipo de reação que se espera. A coisa é ruim de se ver!

Um pai, ou mãe, compreensivamente ficariam chocados apenas de imaginar que um policial viesse a realizar tal brutalidade contra nossos filhos. A verdade é que os policiais perderam completamente o moral. Nem marginais ainda em formação respeitam mais o emblema de seus uniformes. Há, sim, policiais com uma estranha necessidade de se sentirem superiores e, desse modo, extrapolam os seus limites que são definidos pela lei. Mas, isso não é uma característica peculiar que pertence apenas aos policiais e para isso também existe a corregedoria da própria polícia que já iniciou suas diligências para o caso. Mas... Porém, contudo e entretanto! Há uma parte importante na notícia: nove alunos se rebelaram, depredaram a escola, atiraram paus e pedras, morderam policial e tudo por causa de um cartão de memória de um celular que teria sido roubado! Na presença dos policiais os "adolescentes" não se intimidaram. Ao contrário, tornaram-se mais agressivos! É claro que a coisa já circulou como despreparo da PM, excesso da PM, mas vamos lá!

Se o caso foi tão grave que se tornou imperativa a presença da polícia, então não estamos falando simplesmente de uma turma de "adolescentezinhos". Estamos falando de um projeto mal desenvolvido e orientado para o bestial e criminoso! Realmente! Alguns policiais não estão preparados para reagir contra infratores que todo mundo quer justificar e proteger. Ainda que não exista justificativa para o declínio e a aceitação da sociopatia. A menina da fota acima precisou ser contida. Não! Não é preciso recorrer ao estrangulamento que é algo muito próximo ao que maníacos fazem com mulheres indefesas e isso torna a cena ainda pior. Mas, o que fazer? Vendo a lastimosa imagem, lembrei do meu saudoso papai que me educou segundo regras bem específicas, como por exemplo: "Nunca me apareça em casa escoltado pela polícia, independente da razão! E nem, nunca dê razão alguma para um policial lhe chamar a atenção!". A regra era clara! Se descumprisse o pau comia (literalmente). Por muito menos, já passei dias na base da salmoura. Meus pais podem ter exagerado na forma de educar, mas era a única que conheciam. Pedagogia do amor ainda era uma blasfêmia nos lares daquela época. Pois bem, nunca agi como meus pais e nunca vou precisar. Comigo não vale pedagogia do amor, nem tampouco a agressão física ou psicológica. Tenho meu próprio método e deu resultado.

Ainda assim, graças ao modelo ogro de educação de meus pais, nunca tive de olhar ou responder a um policial com tremores no corpo como se estivesse "devendo à justiça". A pedagogia do afeto fracassou, assim como o construtivismo de Jean Piaget. Nenhuma dessas ideias supera a avaliação do tempo. Em 1993, quando decidi abandonar o magistério, fiz a escolha imprudente de ir até a residência de um dos meus alunos para tratar com o pai, já que seu filho quase nunca comparecia às aulas e quando estava presente era apenas para a merenda e nunca trocava as roupas ou tomava banho. Isso acontecia porque ele quase nunca voltava pra casa. Ao chegar no local, uma residência desprovida de maiores confortos, mas guarnecida com um potente "3 em 1" e ao som da música "Voz Ativa" dos Racionais que tocava em altura insuportável, tentei conversar com o pai que estava embriagado. O histórico era básico: agressão à esposa e ao filho era uma rotina diária. Já estava na faixa "Negro Limitado" quando o papo me rendeu uma tijolada que passou longe graças a embriaguez do atirador. O que se faz numa situação dessas? Ué... Chama a polícia! Nessa época a polícia ainda não precisava entrar nas escolas para conter "adolescentes" rebelados! Não adiantou nada, não por culpa dos policiais, mas a única maneira de levar o caso adiante seria se eu representasse uma queixa contra o agressor, já que a esposa negava tudo e morria de medo de apanhar novamente quando o marido retornasse.

A trilha sonora daquele episódio era muito conveniente, já que nas letras o Pedro Paulo Soares Pereira, vulgo Mano Brown, sugeria justamente a educação como saída da miséria! Mas aquele retardado do pai preferia clonar mais um delinquente que estimular seu filho a estudar. Policiais podem ter excedido no episódio de São Simão, mas os verdadeiros culpados quando "adolescentes" reagem agressivamente não são os policiais. Há aqui uma avalanche de elementos causadores e o efeito foi o confronto com a polícia. Um dos elementos causadores é a própria imprensa que quando noticia um fato como esse dá logo ênfase a uma imagem que não reflete todo o contexto e arremata com uma manchete impondo a agressão policial em primeiro plano. Faz todo mundo se esquecer de que escola não deveria ser lugar para policial usar sua prerrogativa de uso da força. Se isso está acontecendo, é porque tem mais elementos que são ignorados por todos. Não estou justificando o ato do policial na foto, isso pertence a esfera da investigação em curso. Me preocupa mais é o estado das coisas que levam adolescentes a se sentirem tão aptos a enfrentar policiais armados e autorizados a empregar a força para contê-los.

Um comentário:

  1. Minha opinião. Este mundo tem que acabar.
    Estamos indo do nada pra lugar nenhum.

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