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Bandido bom não é o bandido morto... Não existe bandido bom!

Mano Brown - Um Asno
Bandido bom não é o bandido morto... Não existe bandido bom e ponto! Não sou o reacionário nojento, como dizem, que acha que jovem que empunha arma na cabeça dos outros deve morrer. Acho mesmo é que jovem deveria portar armas muito mais eficientes, tais como cadernos e livros. Já tive arma apontada para a barriga e faca no pescoço e os agressores nas duas ocasiões não eram tão novos. Felizmente, fui um dos poucos privilegiados que não precisaram da intervenção policial para me defender e tive muita sorte em conseguir fazê-lo por mim mesmo. Já estive em grande parte dos municípios desse país, de grande, médio e pequeno porte. Sempre sai ileso, mas em Birigui foram seis tentativas de assalto, retornando de casa de namorada, voltando do trabalho ou do colégio, ou ainda, de uma simples volta ao centro em dias de comércio aberto a noite. Deve haver alguma coisa errada com esta cidade... Por isso não saio mais!

Em abril de 2012 (aqui e aqui) alertei para um modus operandi que estava se tornando moda em Birigui: os assaltos em dupla com moto. Afirmei que isso continuaria acontecendo e... continuará infelizmente. Nesta semana me enviaram fotos e um vídeo dos dois jovens, de 16 e 20 anos, que foram abatidos por um policial que estava de folga e reagiu ao assalto na Avenida Vitória Régia, no bairro Cidade Jardim. Não compete a discussão se o policial estava de folga ou fazendo bico, ou ainda, se a própria população pudesse ter revidado. É triste para os familiares e amigos e também o é para a sociedade. Não poderia deixar de registrar o fato por que há algo mais além da superfície dos crimes e da juventude envolvida neste atos. Temos de fazer uma reflexão profunda sobre o que leva nossos jovens a ladeira do crime antes mesmo de quaisquer divagações sobre se devem ou não serem punidos com todo o rigor da lei. Há vários fatores que pesam nesta reflexão! A primeira é a seguinte: um indivíduo que assume o papel de empunhar uma arma e se dispõe a tirar a paz de outros para aliviar seus pertences não está a procura da paz pessoal e, portanto, assume que poderá ser induzido a tirar mais do que o patrimônio alheio, ou seja uma vida. Por esta mesma razão, assume também que poderá ter sua própria vida interrompida de maneira violenta.

Um segundo fator, ainda mais sensível de ser tratado, é o caso da reação da vítima ou, como no episódio em questão, de um policial. Como devemos agir diante de uma agressão tão absurda e invasiva quanto esta de ter uma arma apontada para si? No caso do cidadão comum, na maioria das vezes não lhe resta opção a não ser cooperar com o agressor, mesmo ciente de que nos últimos tempos isso não garante que o mesmo lhe deixará com vida. Mas, no caso do policial a história é outra! Ele está autorizado a reagir e o faz com a concordância da sociedade. Aliás, ainda é pago para isso! Quando o efeito é o óbito do bandido, glorifica-se o herói de um lado e pranteia-se do lado dos familiares. Mas, nessa história, ninguém tem razão! A família que muitas vezes fez mais do que o possível para impedir que isso ocorresse irá se submeter e recolher-se ao seu pranto. O mal continua existindo... O policial será congratulado e dormirá no seu sossego por ter o seu dever cumprido. O mal continua existindo... O comerciante aliviado deste episódio ainda terá de se valer de seguranças particulares para seu estabelecimento. O mal continua existindo... O trauma social jamais será superado, pois o mal continua existindo... O que fazer, então?

Há muitos anos temos visto os valores sociais serem diluídos para dar lugar a novas teses de justiça social. Novos modelos foram surgindo nas últimas décadas. Infelizmente, lamento muito mesmo, mas certa modalidade de ídolos perturbados e equivocados que abundam pelos programas de entretenimento da televisão e nos compartilhamentos das redes sociais, merecem uma melhor atenção dos pais e dos agentes de formação de nossa juventude. Tenho assistido a vários programas de entrevistas com celebridades egressos do sistema carcerário como Mano Brow, Dexter, MC Cascão, Afro X, Facção Central, entre outros, todos elevados a categoria máxima de pensadores contemporâneos. Pessoas que pagaram o preço por seus equívocos, mas que se esquecem de que suas mensagens não são tão claras para o resto dos jovens que os admiram. Entre eles, há até quem defenda que o PCC (Primeiro Comando da Capital) é um partido revolucionário que está aí para atuar onde o estado de direito costuma falhar. Que o famigerado grupo criminoso armado, pra não falar terrorista, tem consciência social e que os verdadeiros inimigos são os policiais e os políticos.

Reconheço que os caras têm mesmo muito talento e até acredito que com o passar do tempo possam amadurecer o discurso pastel com fumaça que pregam em suas músicas. Afinal, não existe uma só periferia ou uma única realidade. Todos os ex-detentos assumem que foram levados ao crime pela ilusão de consumo e culpam o "sistema" por isso. Nada mais equivocado! O "sistema" também permite que se conquiste meios de se chegar ao nível ambicionado de consumo (para aqueles que buscam apenas por isso!). Outra falácia é que pobre entra no crime por que é pobre! Absurdo maior não existe. A culpa é das escolhas que fazemos! Quando afirmei que nas últimas décadas certas políticas sociais abriram brechas para a decadência que temos agora foi em um sentido amplo e serve para um bom debate. Mas há um ponto que na verdade é a razão pela qual me coloco contrário a qualquer tipo de associação, partido, facção, fração, bandeira, grupo ou seja lá o que mais queiram impor como solução razoável para conflitos. Esse fanatismo por uma legenda tem forçado as pessoas que ainda não encontraram uma identidade própria a se diluírem em um coletivo qualquer por afinidade ou admiração. Era isso o que acontecia a aqueles meninos: o desejo de pertencer a algo, de ser importantes!

No vídeo que me enviaram dos dois jovens que depois aparecem mortos nas fotos em anexo fica muito evidente que o problema dos garotos é uma gigantesca baixa autoestima! Uma necessidade hercúlea de se autoafirmarem de alguma forma e uma busca infantil pelo sentimento de pertencer a alguma coisa, ainda que essa coisa não seja durável, como o crime. A ilusão pelo consumo também é uma necessidade de suprir esse vazio interior nos jovens. Os pais são culpados? Também, mas daí temos que retornar ao estado que deixou os jovens na ociosidade e não lhes ofereceu nada em substituição. Pais precisam trabalhar para sustentar os filhos e nem sempre tem estrutura para corrigir as inadequações destes sem recorrer a uma "palmada" que também é impedida pelo estado. Não sou favorável a "palmada". Tenho duas filhas e nunca recorri a este expediente, embora tenha sido educado assim e ainda esteja vivo. Voltamos de novo ao estado que não tem sido eficaz em políticas de instrução e inspiração de nossos jovens. Vão ficar putos comigo, mas não escrevo as coisas para agradar a ninguém. Oficinas de Hip Hop, capoeira e outras atividades alternativas são muito bem vindas e apropriadas como políticas complementares.

O que equilibra a mente do jovem é a disciplina! Se o querem evoluindo e não sendo seduzido por certas escolhas prejudiciais a ele e a sociedade, imponham desde cedo a disciplina e o emprego prático da literatura, a atividade da composição e criação de textos, da musicalidade criativa, da matemática, das artes, esportes e, SOBRETUDO, atividades de ofício! Não há absolutamente nada de errado em se ter uma criança exercendo uma atividade laboral adequada a sua idade, desde que esta não perturbe de maneira alguma seu desempenho escolar! Olhem os índices da criminalidade na adolescência há trinta ou quarenta anos atrás! Existiam sim, mas eram justamente entre aqueles que eram ociosos na integralidade. Sempre haverão os que são avessos ao trabalho, mas há que se separar o artista que tem sensibilidade para as artes, o indivíduo que tem inclinação para a produção intelectual, do vagabundo que é elevado a categoria de artista (e pensador), apenas por que deu errado como cidadão e como criminoso também. O vídeo abaixo provavelmente será removido do Youtube, mas vai primeiro como um alerta aos jovens que ainda seguem hipnotizados pelo falso glamour do crime e uma reflexão para o resto da sociedade.

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