Observatório Social de Birigui

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Comento a sessão do dia 11/03/14 da Câmara Municipal de Birigui

Vereadores de Birigui - Um Asno
Às 3h20 da manhã de hoje, após quase oito horas de trabalhos, concluiu-se a sessão da Câmara Municipal de Birigui. Foi, dentre todas as sessões que eu já assisti ou participei, a melhor de todas. Teve de tudo! Confesso que depois da porrada que quase fez a tribuna sair do chão, desferida pelo presidente da casa, Paulo Roberto Bearari, não consegui dormir mais. Não foi só o Zavanella que quase teve um troço com o susto! Mas, neste caso vou pegar leve com o Paulo. Afinal, foi o momento dele. Só acho que não precisa se revoltar tanto, nem explodir emocionalmente por que ele ainda vai lucrar alguns pontos deste episódio quando for apresentar sua candidatura para o cargo do executivo da cidade. Volto a ele mais tarde...

Sim! A sessão de ontem foi excepcional e teria material para pelo menos mais uns oito posts de registro! É claro que meu ponto de vista não é o da imprensa e sim o de um eleitor (ao menos enquanto eu não trocar de CEP), e corro o risco de fazer uma análise muito "simplista" sobre alguns pontos da sessão, não é mesmo Bearari? Mas, minha visão reflete ao menos a opinião dos círculos que frequento. Na maior parte da sessão, embora faltasse a alguns vereadores uma capacidade mínima para argumentar sobre suas proposituras, os trabalhos seguiram de maneira exemplar até alguns escorregões no projeto que tratava da criação do CONDE (Conselho de Desenvolvimento) e a votação do tão esperado projeto que propunha a redução do número de vereadores para 11. Os escorregões foram mais pelos argumentos apresentados e não pelo resultado. É claro que o projeto do Conselho precisa ser aparado por várias razões muito bem explicitadas por argumentos de Cristiano Salmeirão, cuja fala foi mais coerente neste ponto. Não posso deixar de mencionar a excelente intervenção do vereador Josená Vitorino também sobre o mesmo caso, embora tenha outros pontos dos quais discordei dele quase no final dos trabalhos.

Porém, discordo do Salmeirão e de Bearari quanto a composição do conselho por alguém que não possua realmente habilidades notáveis para deliberar ou sugerir qualquer adequação para nosso município. Sim, Bearari, não vejo como afirmar que em um conselho não se pode entrar um zemané qualquer pode ser uma afirmação racista! Quando ouço alguém falar em participação da sociedade penso logo no loteamento e na ocupação de espaço por parte de alguns interessados que vagueiam sempre na órbita do Olimpo imaginário que é a política. Esse papo de Audiência Pública é muito bom pra discurso político, mas o público que sempre está ativo nestas audiências é sempre, na maioria, composto por quem anda as voltas da mesa em busca de migalhas do poder. A população a quem interessaria de fato envia participantes que não enchem uma Van. Nem poderia ser diferente, pois audiências públicas exigem uma educação prévia para tanto. Lógico que também não concordo com o preenchimento por cargos de confiança e certos "representantes" de entidades locais que apenas lutam para preservar o fisiologismo retrógrado e sempre prejudicial a cidade.

A pobreza de argumentação ficou muito mais evidente quando foi proposto o projeto para redução do número de representantes na casa. O Cristiano Salmeirão sabe o quanto me revoltei com ele e até critiquei muito a sua atitude detestável de defender o aumento para 17 na última legislatura. Não tem absolutamente nada a ver com economia para o município, mas com justiça para os representados. Houve todo tipo de discurso e justificativa para defender o indefensável. A palavra "representatividade" nunca foi tão explorada e tão porcamente representada quanto ontem. Falou-se tanto em se defender a representação dos munícipes que se atropelou a coerência e fez-se exatamente o contrário do que demandava a maior parte do eleitorado. É óbvio que o que cada vereador defendeu ontem foi a representatividade de seus partidos. Estes, sim, os maiores interessados em mais cadeiras disponíveis para ocupar espaço e impor força política. O que não necessariamente quer dizer representação dos interesses dos cidadãos. O Vadão foi o único que foi honesto ao admitir isso em sua fala. Interessa mesmo às legendas partidárias e não ao povo! Uma ova que partido político defende interesses dos eleitores! Se fosse assim teríamos pouco mais de duas legendas apenas no país (e olhe lá!).

Algumas considerações e sugestões. Primeiro uma sugestão para que as transmissões não sejam interrompidas quando as sessões são suspensas. Que se coloque algum comentarista ou que simplesmente se continue filmando o que acontece durante os intervalos. Uma por que é tratar como se ninguém estivesse assistindo pela televisão ou através da internet. Tenham paciência! Suspende-se por cinco minutos, mas lá se vão mais de vinte com a tela paralisada. Lembrei da MTV: "Desligue a TV e vá ler um livro!". Outra por que seria um serviço e uma oportunidade ao jornalismo, já que foi durante um desses intervalos que ocorreu uma, já comentada neste blog, agressão. Sem mencionar que é um importante registro também. Agora... Alguns vereadores revelam a cada dia que não se prepararam para ocupar o cargo a que se propuseram e que não aprendem absolutamente nada com o passar do tempo. Esse negócio de que ainda é cedo para reduzir o número é apenas falácia para não dizer "vamos empurrar com a barriga".

O vereador Adauto Quirino, que é uma pessoa esplêndida como cidadão, falha quando menciona que quem o elegeu endossa suas posições particulares. Estar vereador não significa que recebeu uma autorização da sociedade para legislar segundo seu "modo de vista". Significa, acima de tudo, que alguém confiou no caráter do candidato e acreditou que este colocaria os interesses dos eleitores acima dos seus próprios. Nem sempre um vereador poderá legislar conforme seu desejo por que ele está submetido a um coletivo maior que seu próprio eleitorado. Quem obteve 500  ou 1000 votos não está obrigado a representar apenas estes eleitores e esta lição já deveria ter sido aprendida por todos os nossos representantes. Para o José Roberto "Paquinha" e o José Fermino Grosso, apenas um ponto de vista de um eleitor que ouve de verdade o que pensam os outros eleitores. Esse negócio de falar alto e bradar sobre as conquistas é muito relevante e informativo, mas cuidado com a repetição. Pode não soar bem. Não são poucos os cidadãos que falam, muitas vezes sem razão, que emendas são também grandes portas para o desvio de verba e as luvas parlamentares. É função também do vereador buscar apoio para a sua cidade, mas publicidade demais pode causar o efeito contrário ao desejado.

A população precisa aprender a votar? Precisa e muito! E os partidos precisam deixar de ser oportunistas e pararem de explorar nosso analfabetismo político com objetivo apenas de lotear cadeiras. O número deve ser menor porque são poucos dentre os 17 que realmente produzem e contribuem com um debate sadio de fato. Menos vereadores não significa que não haverão inúteis sendo eleitos pelo povo, mas significa que o camarada precisará ter mais votos (ou seja, maior representatividade!). Para alguns espertos, esse negócio de aumentar a participação da população é apenas uma forma de conseguir conjurar o maior número de apoiadores para fazer pressão sobre os outros. Alguns vereadores possuem essa qualidade de atrair uma turba de gente para eventos. Não quer dizer que seja essa a vontade geral dos munícipes. É uma afronta, por exemplo, quando um assessor afirma que a população não quer participar de fato e por isso, apenas os mesmos interessados é que comparecem as convocações. Ora! Não é tão simples para se levar todos os interessados para as audiências públicas. Apenas loteadores e bajuladores profissionais é que podem, de fato, comparecer a elas. Poucos são os munícipes com espírito para participar delas e são muitas as razões para isso.

Este post já ficou muito comprido, então vou abreviar. Para concluir (por hora), os argumentos foram fracos demais para justificar o que não pode ser justificado. Ou os vereadores tratam os eleitores como trouxas, ou simplesmente desconhecem o verdadeiro sentido da representatividade. Não é número senhores! Deveriam saber muito bem disso! Não brinquem como se fossem seres especiais. Não são! Por exemplo, a entidade Câmara é que nos representa, não um vereador em especial. Falta qualidade no debate entre os vereadores por que alguns, nem de longe, poderiam ser vereadores. Mas isso não é uma falta deles e sim nossa como eleitores. Se vereadores com mais votos ficam de fora, enquanto outros com votação muito menos expressiva assumem, o problemas está no nosso sistema eleitoral e não pode ser remendado aumentando o número de postulantes e eleitos.

Na última eleição tivemos um recorde de candidatos e não foi porque os cidadãos acordaram para a política e decidiram concorrer ao cargo. Foi uma palhaçada sem tamanho de alguns partidos, cujos representantes saiam de porta em porta convocando pessoas para se candidatarem afim de conquistar o voto de seus familiares para engordar as legendas e desse modo garantirem uma cadeira. É um insulto a inteligência do eleitor vir com esse papo de representatividade agora. Representatividade de quem, cara pálida? Dos partidos? Há muito tempo os partidos deixaram de representar a vontade do povo. Estou enviando os vídeos contendo a íntegra da sessão de ontem para compartilhar com aqueles que não conseguiram acompanhar a sessão de ontem. Logo estarão disponíveis e ainda voltarei a escrever sobre outros pontos discutidos até a madrugada de hoje.

2 comentários:

  1. O que eu já tinha certeza aconteceu. Reprovado os projetos: Redução de número de vereadores e fim do recesso em julho. Pensar o que a respeito disso. Lógico ninguém vai contra algo que os beneficie. Perderam a oportunidade de corrigir o erro. Tudo bem vou ficar bem atenta nas próximas eleições. Muitos ali que eu admirava me decepcionaram demais. E por favor parem de querem justificar o injustificável. Dizer que mais vereadores a população terá mais representatividade é achar que somos burros.

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  2. Fui chamada de Simplista...
    Sou" Simplista" com muito orgulho, mas não sou idiota. não tenho pretensão de ser candidata. Tenho minhas convicções políticas, porém quando os candidatos que eu apoio faz algo que não acho correto, tenho o direito de me expressar.

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