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O tema Financiamento Público de Campanha no Fantástico

Charge Política - Um Asno
Entre tantas coisas que acontecem por aqui como a insana greve dos metroviários (falarei em breve), e entre todas as leituras que faço das notícias e crônicas de alguns jornalistas, um artigo de Reinaldo Azevedo me chamou a atenção pela crítica que fez a uma reportagem exibida no Fantástico. Não assisti a tal reportagem por que desse mal, o desperdício de tempo valioso a frente de uma televisão, eu não padeço. Pelo que entendi a reportagem tende a justificar os argumentos do livro “O Nobre Deputado”, do juiz Marlon Reis, que foi um dos responsáveis pela emenda da Ficha Limpa. Que há equívocos na proibição e demonização das doações privadas para campanhas eleitorais, disso não discordo em nenhum ponto do jornalista, pois conheço bem os mecanismos que fazem o dinheiro vivo passear pelos comitês eleitorais. Só não acho que é maximizar irrelevâncias quando se trata das emendas individuais ao Orçamento. E, sim, em inúmeras vezes o parlamentar é transformado em mero despachante de quem financia sua campanha ou financia a campanha de quem tem o dinheiro para abastecê-lo. Neste caso, a União. 

Não ignoro que a expressiva fatia do orçamento fica mesmo é com a União, mas também sei que o governo lança mão desse poder de fogo para abastecer mais e mais aos parlamentares de uma maneira ou de outra. Disso eu tenho mais do que convicção! Como dizia um antigo empregador a quem ainda mantenho admiração, o Sr. Valdir Mestriner: "Contra fatos e dados, não existem argumentos!". Nem sei até que ponto a crítica de Azevedo procede quanto a qualidade jornalística apresentada pelo Fantástico, mas uma realidade eu já experimentei, ao menos por seis vezes. Por isso estou convicto de que as doações irregulares, essas sim, serão maximizadas doravante. Sempre existiram, sempre foram mais desejadas pelos comitês do que as doações legítimas e já houve até partido tratando o Caixa Dois como sendo a prática mais natural e legítima para essa finalidade. Caixa Dois foi até tese de defesa no Brasil... E ainda cola entre algumas pessoas, acreditem! Doações legítimas que poderiam ser rastreadas, identificadas e posteriormente até fiscalizadas pelos próprios eleitores, essas nunca foram de interesse de nenhum partido político... E pelo visto também do nosso judiciário!

Doleiros, agiotas, mafiosos, traficantes e quaisquer empreendedores do ilícito passarão a ter muito mais relevância em anos eleitorais e isso é garantido! Não passarão muitos pleitos até que se mostrem os primeiros escândalos. Sem falar que nada impedirá que os grandes doadores continuem a doar seu dinheiro utilizando outros meios menos identificáveis e de maneira muito mais confortável perante o fisco. Inocência crer no contrário. O modelo que temos tem falhas, mas ainda é melhor do que o que sonham os iludidos moralistas. O controle do TSE com doações é tão bom que eu tenho uma condenação na Justiça Eleitoral por uma doação que eu nunca realizei! E é justamente por isso que eu o aprovo. Prefiro ver quem beneficia o candidato e quem o candidato beneficia. Precisa de reformas? O que não precisa nesse país?

Porém... O ponto no qual eu gostaria que a imprensa se concentrasse mais é bem próximo deste, mas em uma linha paralela. Quantas lâmpadas um município, de qualquer porte que venha à imaginação de quem acompanha meu raciocínio, precisa manter acesas em praças, ruas, edifícios públicos, etc, etc? Quanto se gasta de energia só com estas lâmpadas, suas trocas, etc? Quantos ambientes uma prefeitura precisa manter com temperatura agradável, seja com ventiladores ou ar-condicionados? Quantas placas de sinalização e identificação a prefeitura precisa providenciar para todo o município? Pois bem... As três soluções já existem, são muito mais eficazes, baratas e ainda contribuem com o fetiche do século, a tal da sustentabilidade! Ora! Lâmpadas de LED duram infinitamente mais do que as comuns, iluminam muito mais do que as comuns e ainda consumem 80% menos do que as comuns. Já escrevi sobre os Climatizadores (aqui) e sobre a fabulosa ideia da Vertical Placas (aqui). Qual o impedimento para que as empresas que produzem esse tipo de solução não estejam abalroadas de contratos com as prefeituras? Cada um poderá surgir com várias respostas diferentes e alguns poderão sugerir que existem vários fatores que dificultam os contratos entre municípios e tais empresas. Eu digo, afirmo, atesto, garanto que só existe um e ocorre em todas as administrações. TODAS!

Em todos os casos as empresas sérias são forçadas a ficarem longe das licitações por que, ou seus diretores não possuem a índole de baratas e não se submetem ao vício da corrupção, ou não têm coragem de arcar com o risco de uma produção enorme e o custo do tempo que pode levar para receber por ela. Além do mais... As luvas estão cada vez menos modestas! Parte pode ser repassado para o preço do produto, mas nem tudo! Não adianta ficar magoadinho e dizer que o seu prefeito ou na gestão do seu prefeito isso não ocorre. É mentira! Se um vereador não leva uma luva em uma emenda, é trouxa e nunca mais é eleito! Se um comprador não leva de 10% a 30% de luva em um contrato, é trouxa e outros acabam dando um jeito de conseguirem pelas costas dele. Se um prefeito não mete o dedo em um contrato qualquer que seja, é trouxa e provavelmente não se reelegerá por que o eleitor ama é ao carrasco. Os eleitores amam o chicote e preferem mais o gogó ensaboado do que o austero com o dinheiro alheio.

Em todos os municípios isso acontece. São muitas as janelas que ficam abertas, ainda que um administrador sério cerre todas as portas da corrupção. O péssimo vício da vantagem está no DNA da maior parte dos sociopatas que fazem de tudo para conseguir um cargo público, seja ele como político ou numa repartição. Acredita que isso não passa de uma generalização sem rigor técnico? Levanta a bunda da sua cadeira e vá fiscalizar o que seu amado eleito anda fazendo com o seu dinheiro!

PS.: Antes de comentar, entre lágrimas, que te sentiste ofendido por que és um funcionário público e não te enquadra na categoria de ratos que eu mencionei, pergunto... És sociopata?

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