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Somos diferentes, não inimigos! Um pouco de Orwell...

Petistas Agridem Manifestantes - Um Asno
Lendo artigos como os de Eduardo Guimarães, Chico Vigilante, Breno Altman, Tereza Cruvinel, Paulo Moreira Leite, todos estes reunidos no site Brasil247, adicionando, ainda, uma indigestão com Paulo Henrique Amorin e Luis Nassif, não tive como não me recordar do livro e também do filme "1984", onde o protagonista, Winston Smith, aparece trabalhando no "Ministério da Verdade". Esse Ministério do livro não mente, mas reedita a realidade conforme o contexto e a necessidade exige. A obra "1984" de George Orwell nunca esteve tão atual... Já temos nossa Oceania em guerra contra a Eurasia e já se prepara contra a Eastasia afirmando que sempre esteve em guerra contra essa última e a primeira, antes rival, sempre fora sua aliada... Quando Orwell escreveu o livro 1984, estava se referindo ao totalitarismo que o mundo havia assistido ascender e cair na Alemanha nazista. O mundo ainda não conhecia a aberração soviética e os resultados daquele regime. Talvez o escritor imaginasse, ou não, que no futuro ainda surgiriam diversas distopias e a pior delas tendo suas raízes agarradas às rochas subterrâneas do pensamento marxista. Orwell, naquela época, denunciava que em algum lugar uma semente havia sido lançada em um solo e que mais tarde ela surgiria. A semente não dorme mais!

Já podemos ver a semente dessa insanidade rompendo o solo e absorvendo os primeiros raios do Sol. Essa semente foi plantada muitos séculos atrás, mas em solo infértil. Ela precisa da intolerância e a conivência de idealistas que cultivam a sandice de separar a humanidade em classes e coloca umas como melhores do que outras. Em um primeiro momento safras inteiras dessas ideias horríveis foram aos poucos eliminadas quando, enfim, se aboliu a escravidão e o mundo parecia seguir em direção a igualdade de fato. A semente daninha ainda existia, mas latente... Foi Karl Marx e Friedrich Engels que trabalharam novamente esse solo com nutrientes adequados para que um dia a erva daninha do coletivismo viesse a prosperar. Apenas foram mais inteligentes e escolheram a "classe" maior dessa vez! A obra de Orwell preveniu esse tipo de fantasia e demonstrou como um partido pode levar indivíduos a se alienarem e diluírem-se completamente por uma ideia ou ilusão. Particularmente, acho que Orwell também cometeu várias falhas em outros textos, assim como Émile Zola. Entretanto, com Shakespeare aprendi a receber opiniões, mas, formar juízo próprio sobre cada uma.

Para qualquer partido é perigoso o pensar individual e não é tão fácil suprimir essa individualidade. Para isso se fazem necessários líderes carismáticos quase divinos e oniscientes como o Grande Irmão de Orwell. É preciso também uma propaganda eficaz e a corroboração por parte das camadas artísticas e intelectuais. Isso exige muito tempo e tenacidade por parte dos ideólogos dessa corrente. Um dia acreditei que o mundo já era suficientemente maduro para escapar dessas armadilhas coletivistas. A ideia original era muito bonita. Tratava-se de um mundo só, com todos enxergando-se como indivíduos de um só gênero: o humano. Sem diferenças, sem explorações, etc. Mas o que aconteceu foi que o mundo se tornou fracionado com muitas legendas buscando suprimir as rivais. Ainda hoje existem centenas, senão, milhares de escritores, jornalistas e professores tentando reeditar a "verdade" da história. Omitem, deturpam, corrompem, traduzem e interpretam segundo a visão mais conveniente ao Grande Irmão invisível do momento. Discutir o livro O Capital de Marx com os novos acadêmicos de hoje é o mesmo que discutir com fanáticos da Bíblia. Nem os primeiros e nem os últimos dedicaram um só instante para estudar o objeto de seu fanatismo.

Não há nada de errado em ler o Capital ou a Bíblia! O problema é justamente não ler e deixar essa tarefa para outros "iluminados" que se oferecem para fazê-lo por nós. O argumento é bom! Tem de estar preparado para compreender os textos e não interpretá-los de maneira errônea. Pior que tem gente que acredita! Por causa de gente preparada como alguns Kamaraden ativos na mídia atualmente que me obriguei a pesquisar material como os de Richard Overy, Robert Service, Dimitrii Volkogonov, Maxim Gorky, Vladimir Lenin, Harrison Salisbury, Dostoiévski, Olavo de Carvalho, Marilena Chaui e outros tantos. Mas foram os de Norman Davies, Boris Sokolov, Viktor Suvorov, Vladimir Bukovsky e George Watson da Universidade de Cambridge que me fizeram prestar atenção ao comportamento de cada grupo. Não sou obrigado a acreditar nem nos primeiros e nem nos útlimos, mas o comportamento daqueles que acreditam no marxismo me inclina a crer que seus críticos tem mais razão. Em abril de 1956, em seu jornal de massa, Marx empregou a palavra Völkerabfälle (lixo racial), para se referir a uma categoria de pessoas que ele julgava mais atrasada do que os proletários. A essa categoria, o melhor mesmo era a eliminação.

Queria Marx dizer outra coisa? Não faço ideia e nem me importo. Me interessa que com isso quase 20 milhões de pessoas pereceram na Europa, sobretudo na Ucrânia e Polônia. Essas pessoas  nem deveriam existir para, tanto os comunistas como para os nazistas. Não sou alinhado a nenhuma ideologia e isso incomoda muita gente, porém não ligo. Trato essa aberração ideológica como doença e para esta é difícil de se obter cura. Mesmo depois de saber o que aconteceu na URSS, Julio Prestes não deixou de ser Prestes e Marighela não deixou de ser Marighela. Mesmo depois do fracasso do petismo, Lula não deixará de ser Lula, pois tem um legado a defender: o Lulismo! E o fará como puder, mesmo que tenha de sujar as mãos de outros com sangue. Ele disse, nesta terça-feira (24), que está pronto para ir para as ruas "defender a Petrobras, defender a reforma política e a democracia". Segundo ele, "começamos uma luta e essa luta vai demorar". O divino ex-presidente participou de um ato "em defesa da Petrobras", que ocorreu na sede da ABI, no Rio de Janeiro. Lula ainda desafiou: "Eu quero paz e democracia, mas se eles querem guerra, eu sei lutar também".

Acho completamente legítimo até mesmo que Lula convoque o exército (foi essa palavra que ele empregou mesmo) do MST e as milícias da CUT e outros amantes de tetas governamentais. O que não acho legítimo é brasileiro trabalhador agredindo ou sendo agredido em nome de ídolos de isopor como os nossos representantes políticos. Algumas palavras de Lula me perturbaram mais que outras! "Percebo que eles continuam fazendo hoje o que sempre fizeram antes. A ideia básica é criminalizar antes, tornar bandido antes, antes de ser investigado e julgado. É criminalizado pela imprensa e começa o processo pela sentença. O problema sério é que se eu conto uma inverdade muitas vezes, ela vira verdade para milhões de pessoas. (...) No caso da Petrobras, se parte do pressuposto de que tem que acabar com a Petrobras e criminalizar a política", disse ele. Me incomodam essas palavras por que primeiro ainda não vi um só brasileiro com intenção de "acabar" com a Petrobras (nem mesmo aqueles que sugaram toda grana dela). Mas, o mais intrigante é a ênfase que ele coloca naquilo que parece ser uma denúncia contra um rival imaginário. Ele demonstra perfeitamente como funciona o método para assassinar reputações e desqualificar adversários... Só que esse método é o empregado por seu partido e não é de hoje!

Ele continua: "E estamos vendo no Brasil a criminalização da ascensão social de uma camada da população brasileira. A elite (sempre ela!!) não se conforma com a ascensão dos mais pobres". Bom... quero dizer que concordo com Lula e que realmente a Petrobrás precisa ser defendida... Precisa ser defendida dessas pessoas que pretendem defendê-la voltando-se contra quem investiga aqueles que se acharam no direito de roubar bilhões dessa empresa. O divino também aproveitou a ocasião para descer o pau na imprensa... O irônico é que isso foi feito dentro da Associação Brasileira de Imprensa! Enquanto Lula ainda nem pronunciava seu discurso tragicômico, houve tumulto do lado de fora da ABI, entre manifestantes pró-Lula e os contra Dilma! A Agência Brasil informou que "A confusão começou quando sindicalistas usando camisetas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) rechaçaram com agressividade outro grupo de ativistas que protestavam contra a corrupção na estatal". Com "agressividade"!!! O que é necessário para trocarmos a palavra agressividade por violência mesmo?

No site Brasil247 afirma-se que a intolerância denunciada pelos jornais "tem sido estimulada pela política de criminalização do PT, estimulada pelos meios de comunicação – em especial pelos veículos da família Marinho". Verdade??? E a política de criminalização dos manifestantes que pedem pelo impeachment de Dilma ou pela intervenção militar?? Os mesmos jornais e, nesse caso, com muito mais entusiasmo, o Brasil247, também engrossaram a voz para difamar e, aqui sim, agredir os manifestantes que marcharam até agora de maneira pacífica, ordeira e sem distúrbios, apesar das provocações. Ainda sou daqueles que acha que ambos tem direitos para se manifestarem. No fim a razão sempre restará como vitória para o grupo que possuir mais adesão popular mesmo, esteja ou não, correto. É o jogo! Lamentavelmente...

Essas pessoas que escrevem para esses veículos de informação parecem não aceitar ou não acreditar que não se trata de uma questão de partidarismo. Não é esquerda ou direita e muito menos PSDB e PT que protagonizam esse cenário. É algo maior! Algo que eu avisei que ocorreria tão logo iniciaram os protestos de junho de 2013. Massa nunca será conduzida como imaginava Gerge Orwell em seu brilhante livro 1984. Massa nunca será domesticada e manipulada como sonham as lideranças de partidos idealistas. Massa é algo com o qual ninguém pode e uma vez que se perturba seu estado de letargia e obediência, desgraças acontecem!! Eduardo Guimarães começou bem! Ele disse em seu Blog da Cidadania: "A violência, o enfrentamento, não produzirá nada além de possíveis tragédias que podem decorrer de situações como essa, em que um dos lados se dispõe a provocar". Mas, ao chamar os antagonistas dos aliados de Dilma ou de Lula de violentos e colocar que qualquer um que "vista vermelho pode ser hostilizado e até agredido fisicamente", é uma ironia que não pode ser ignorada. Não faz muito tempo foram os de camisa vermelha que agrediram a cubana Yoani Sanchez durante sua visita ao Brasil. Não precisa pesquisar muito para encontrar ofensas, provocações e agressões violentas dos que usam camisas vermelhas contra quem quer que seja que discorde deles. Dois pesos e uma medida?

A mim, não interessa a defesa dos vermelhinhos, amarelinhos, roxinhos ou a zelite branca! Interessa que são seres humanos covardemente se agredindo por nada! Ilusão! A isso se resume toda ideologia dos últimos trezentos anos e por isso queremos nos aniquilar. Quem tem razão? De que importa se o mais precioso diferencial da raça humana já foi extinto quando grupos decidem se estapear! O retardamento de alguns argumentos chega ao ridículo! Ainda tem gente como o Chico Vigilante que acredita em citações como as de Pepe Mujica que afirmou "se os países latino americanos se distanciarem um dos outros, estarão favorecendo os interesses dos Estados Unidos". Para Vigilante essa frase "mata a charada dos históricos problemas da América Latina e indica o caminho: a única saída é nos unir (sic) contra o inimigo comum". Batata! Aí está nossa Eurasia! Nosso inimigo que só é visto por nossos Grandes Irmãos que sabem o que é melhor para nossas vidas e farão o que for preciso para nos proteger dele... Lógico! Como no livro de Orwell, segundo Chico Vigilante, devemos entender e perseguir quem, dentro do nosso país, representa os interesses do inimigo. Para isso devemos contar com o Ministério da Verdade que é guardado e zelado por esses nossos Kamaraden! Tudo o que estiver fora do pensamento deles é manipulação e golpismo de agentes obscuros a serviço dazelites!

Realmente, para mim, pouco importam as ideologias e quais sejam os grupos que se articulam e se enfrentam. Não dou a mínima! Porém, sou obrigado a me colocar contrário (afinal, também tenho de me defender), a quem quer que me rotule como tucano, direitista e outros adgetivos que nada tem a ver com minha forma de me conduzir ou ver o mundo que me cerca. Vigilante também acusa o PSDB de "insuflar brasileiros a atuar contra a democracia, contra uma presidenta eleita pela maioria dos votos, simplesmente porque não aceitam a continuidade da luta pelo fim da desigualdade social; porque o que almejam a qualquer custo é a manutenção dos privilégios de classe no país e a entrega do Brasil e de nossa riquezas aos abutres do imperialismo". Essa visão é míope e completamente falaciosa, senão, intencional. De novo, ainda não é o momento crítico que antecipei em 2013, mas o que poderá acontecer em futuro próximo será uma ruptura geral. Nem PSDB, nem PT, nem PQP! À massa não se rege segundo notas de uma sinfonia partidária! pode até ser que existam partidos interessados em tirar proveito da situação para se beneficiarem eleitoralmente. Lula também está fazendo isso! O tiro será no pé de quem acha que é tão simples e cristalino assim.

Ainda nesse ano li vários artigos desses mesmos jornalistas e intelectuais defensores do governo em turno avançando sobre as empresas e conservando os larápios políticos do escândalo do Petrolão. Naquela ocasião eram as empreiteiras as grandes vilãs e somente elas deveriam ser punidas (porcos capitalistas). Agora as empresas devem ser poupadas e não podem ser penalizadas pela justiça como um todo. O caso não é quanto a justiça de se punir ou não empresários. O caso é que os agentes do Ministério da Verdade antes afirmavam uma coisa e agora afirmam outra como se sempre tivessem afirmado o que ficou por último. É o livro de Orwell novamente! Hoje quem pede pelo impeachment da prefidenta está na realidade a serviço dos interesses internacionais no país. É a estratégia do imperialismo e cabe a nós, latinos iluminados que percebemos isso, impedir! Às vezes não sei se estou relendo Orwell ou os irmãos Grimm!

O desastre não é perder nas eleições, nos debates, nos argumentos! O desastre é nem estarmos dispostos mais a discutir e suplementar esses valores! Discordamos? Então, partimos para o porrete! Amantes da democracia... Bem... Nunca achei o regime democrático o mais razoável mesmo! O problema é que ele ainda é melhor do que ser obrigado a me submeter a ideias das quais discordo. Será que meus adversários, nas ideias, ficariam felizes e satisfeitos sob um regime que estivesse alinhado a minha maneira de pensar apenas? Eu não estou nenhum pouco satisfeito por me encontrar sob a regência do modelo deles. Não somos inimigos, somos diferentes! Será tão difícil mesmo conseguirmos aproximar nossas demandas e construir novas pontes onde possamos todos caminhar em direção ao que é saudável à todos? Não quero estar feliz quando meu candidato sair vitorioso em uma eleição se meu vizinho não está! Isso não é futebol! São nossas vidas! Que espetáculo grotesco é o fim de uma eleição onde milhões riem, comemoram e zombam dos outros que perderam, choram e lamentam! Nem parece que somos todos nós ferrados pelos nossos representantes de merda!

Não se trata desse ou daquele projeto de poder por "nós" ou por "eles"... Estamos todos, navegando no mesmo Estige e pagando o mesmo óbulo ao barqueiro... Nesse momento é provável que tenha um amante do marxismo homenageando minha mãezinha e pensando em escrever um monte de barbaridades para eu ler... Paciência!

Um comentário:

  1. Adoraria que todos vocês brigassem até a morte. De todos.

    Seria perfeito.

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