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Sobre o filme "Alguém Qualquer" (Anyone out There)

Alguém Qualquer - Blog do Asno
O cinema nacional teve grande salto nos últimos anos e ganhou em qualidade e profundidade. Houveram produções espetaculares para o entretenimento. Também houveram muitos oportunistas e exagerado volume de lixo cinematográfico.Como quase tudo em nosso país, com gordos incentivos do estado, o cinema nacional tem ocupado espaço, mas, quase sempre por rapineiros do erário público sem a menor capacidade de produzir algo que preste. De outro jeito não seria possível, alguns poderiam dizer. Acontece que em um ambiente com grande presença do estado apenas os "amigos do rei" têm a sorte de se beneficiar desses incentivos. Porém, apesar de todos os obstáculos enfrentados pelas produções independentes, sobretudo quanto ao apoio e distribuição, um longa nacional dirigido pelo gaúcho Tristan Aronovich conquistou a minha atenção. Assisti-o ontem e ainda estou dominado pelas emoções que o filme me causou. Considero-me exigente demais quando o assunto é cinema e já estou de saco cheio de tanta porcaria que tem sido lançada nos últimos anos, principalmente no cenário nacional.

O filme Alguém Qualquer foi inteiramente produzido sem qualquer tipo de apoio governamental ou leis de incentivo e conseguiu conquistar quatro prêmios importantes em menos de seis meses, além de ter sido o único título brasileiro selecionado como concorrente no Beloit International Film Festival. Entre os prêmios conquistados estão de “Melhor Longa-Metragem” no Logan Film Festival, o Boston Latino International Film Festival (BLIFF, na Harvard University) com o prêmio “Escolha do Curador” em Boston (EUA); o Prêmio Ouro 2013 na Califórnia Film Awards, na categoria Narrative Film Competition (competição de longa-metragem) e no Sedona International Film Festival, onde recebeu o prêmio “Director’s Choice Humanitarian Award” (Prêmio Humanitário) na categoria Longa- metragem.

Com duração de 114 minutos, o filme conta a história de um alguém qualquer, nesse caso, interpretado pelo ator, compositor e diretor Tristan Aronovich. Zé é um humilde faxineiro de um edifício luxuoso no centro de São Paulo e restaurador de cadeiras de palha. Ele recebe o frio diagnóstico de que tem apenas seis meses de vida e, como muitos, resigna-se por já estar acostumado a uma vida solitária e sem sonhos. Com a chegada de Jandira (Amanda Maya), uma prima distante que o faz conhecer o amor e uma vida diferente da sua rotina solitária, uma série de conflitos internos surgem na já conformada cabeça de Zé. Tenho de admitir... Não é o tipo de filme que atrai minha atenção e nos primeiros minutos tinha a certeza de estar desperdiçando meu tempo, mas Aronovich me pegou! O filme nos obriga a refletir que de alguma forma todos somos “Zés” e “Jandiras”. Em um momento ou outro temos nossos sonhos e vontades esmagados e somos pessoas transformadas em “invisíveis” por conta da nossa cultura ou natureza.

Tristan Aronovich, que assina o roteiro, direção, edição e trilha sonora do filme, chegou a declarar que “Com orçamento esgotado e com o sucesso do filme nos festivais internacionais, fiz contato com o Itamaraty para solicitar auxílio, pois iria aos EUA representar o Brasil em mais um festival. Mas a resposta foi negativa, alegando falta de verba. O filme acabou conquistando o prêmio de “Melhor Longa-Metragem” no festival de Logan, mas não havia ninguém para representá-lo". Parabéns Tristan... Seu filme é uma obra de arte! Me convenceu de que ainda há salvação para a produção cultural de qualidade em meu país. Ainda sou conservador ao ponto de considerar que uma obra tem por princípio nos causar estímulos e influências e sua sensibilidade ultrapassou qualquer limite nesse sentido. É claro que não pude excluir a reflexão de que morrer sozinho não é mesmo uma boa ideia... Contudo, sua personagem revela que até essa opção egoísta tem sua qualidade de desprendimento. À propósito... A trilha sonora que você compôs é celestial!

ALGUÉM QUALQUER – Sinopse
Jandira é a perfeita definição de uma caipira: uma garota simples, ingênua e divertida de uma pequena cidade do interior. Ao decidir tornar-se estrela de cinema ela muda-se para São Paulo e hospeda-se na casa de Zé, seu primo estranho e calado que trabalha como faxineiro em um prédio luxuoso no centro da cidade. Porém, ao morar sob o mesmo teto o impossível acontece e os dois primos opostos se apaixonam.

O inusitado romance é, no entanto abalado quando ambos descobrem que Zé é portador de uma doença incurável que deverá encerrar sua vida em cerca de seis meses. Agora o casal deverá questionar seus valores sobre o amor, felicidade, vida e morte enquanto decidem o que fazer com os seis meses que lhes restam. Evoluindo para um clímax forte e emocionante, ALGUÉM QUALQUER é uma comédia delicada e trágica descrita por Kay Spencer (Atlanta Film Festival) como “… uma obra prima. Emocionou-me profundamente. E isso é o que a grande arte deve fazer…”.

Ficha Técnica:
Alguém Qualquer (Titulo em inglês: Anyone out There)
Roteiro, direção, edição e trilha sonora: Tristan Aronovich
Produção: LA Film, Tristan Aronovich, Luciana Stipp, Gunther Mittermayer,
Direção de arte: Amanda Maya
Assistentes de direção: Luciana Stipp, Jessé Henrique, Armando Fonseca, Thiago Almeida
Elenco: Tristan Aronovich, Amanda Maya, Luciana Stipp e Jessé Henrique.
Fotografia: Tristan Aronovich, Gunther Mitermeyer, Tulio Ferreira e Vander Micalopulo.
Duração: 114 minutos

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