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Análise: "Que Brasil queremos" de Leonardo Boff

Leonardo Boff - Blog do Asno
Ele é um filósofo, teólogo e ex-professor de ética consagrado no Brasil. Mas... Vez por outra escreve algumas abobrinhas! Não discordo de Leonardo Boff só por que temos opiniões políticas diversas. Já o considerei mais sensato em outros artigos e também já critiquei suas ideias antes. Algumas ideias eu critico devido a imprecisões e outras por que há má fé em suas afirmações. Abaixo, comentarei alguns trechos de seu último artigo, "Que Brasil queremos?  Um país justo ou um país rico?" publicado no Brasil247. O próprio título já é uma vigarice.
A exaltação dos ânimos nos partidos e na sociedade nos dificultam discernir o que está, efetivamente, em jogo: que Brasil queremos? Um país justo ou um país rico? Logicamente o ideal seria termos um país justo e simultaneamente rico. Mas os caminhos que escolhemos para este propósito são diferentes. Uns o impedem, outros o possibilitam. Se quisermos que seja justo devemos optar pelo caminho da democracia republicana, quer dizer, colocar o bem geral de todos acima do bem particular. A consequência é que haverá mais políticas sociais que atendem os mais vulneráveis diminuindo assim a nossa perversa desigualdade social. Em outras palavras, haverá mais justiça social, mais participação nos bens disponíveis e com isso uma diminuição da violência. Foi o que fez o governo Lula-Dilma tirando da fome e da miséria cerca de 36 milhões de pessoas junto com outros programas sociais.
Nem fudeno! Um país mais justo, nem de longe, precisa estar ancorado nessa falácia de que só com mais políticas sociais para atender vulneráveis será possível reduzir a desigualdade social. Desigualdade social começa pela própria ausência de educação de qualidade e formação adequada para os indivíduos. Coisa que o mencionado governo só se preocupou com números para mostrar. Mais políticas sociais provaram por quatorze anos que a redução da desigualdade é ilusória e efêmera. Não se sustenta por que outros fatores como o desenvolvimento do país, a atualização de sua estrutura e o surgimento de novas oportunidades que abranjam todas as camadas sociais foram ignorados. Essa negligência apenas leva o país a ter mais milhões de carentes dessas políticas sociais. É um círculo interminável e que só garante o atraso da nação e, consequentemente das famílias. Levaremos décadas para corrigir essa aberração. Outra coisa! A violência não reduziu nos estados mais atingidos pelas tais políticas sociais. Pelo contrário! Explodiu! E essa conversa mole de que Lula tirou milhões da miséria já está mais do que esclarecida! Maquiar números, fazer bruxaria matemática (o que dizem é adequação dos cálculos), não muda a realidade das famílias realmente miseráveis. E, miséria não se restringe apenas às condições materiais, o senhor deveria muito bem saber disso.
Se quisermos um país rico optamos pela democracia liberal (que guarda traços de sua origem burguesa) dentro do modo de produção capitalista ou neoliberal. O neoliberalismo coloca o bem privado acima do bem comum. Em função disso, prefere investimentos em grandes projetos e dar facilidades às indústrias eficientes para que consigam conquistar consumidores para seus produtos. Os pobres não são esquecidos mas apenas recebem políticas pobres.
Política pobre é assistencialismo, senhor Boff! Aprendi isso lendo seus textos!
Thomas Piketty mostrou em seu livro O Capitalismo no século XXI que o melhor caminho jamais excogitado para se alcançar a riqueza é o capitalismo. Mas reconhece que lá onde ele se instala, logo se introduzem desigualdades, pois ele é montado para acumulação privada e não para a distribuição da renda. Mostra-o melhor em seu outro livro A economia da desigualdade (Intrínseca 2015). Em outras palavras, as desigualdades são injustiças sociais, pois a riqueza é feita gerando pobreza. Impõe arrocho salarial, ajustes econômicos que prejudicam as políticas sociais e laborais e dificulta a ascensão das classes do andar de baixo. Predomina a concorrência e não a solidariedade. O mercado comanda a política, pratica-se a privatização de bens públicos e o Estado mínimo não deve intervir, cabendo-lhe a segurança e a garantia dos serviços básicos.
Isso é vigarice! Ou má leitura, apenas. Todas as coisas ruins mencionadas não são pilares do capitalismo. Ocorrem devido ao caráter humano que está presente, inclusive, nos tais governos, pretensos, progressivistas. O mercado irá comandar a política em qualquer cenário e isso, em si, não é coisa ruim. Ruim é o mercado locupletar-se com o estado que deveria ser seu regulador e não parceiro. Além do mais, esse papo de que riqueza é feita gerando pobreza é conversa de vagabundo que não tem a menor afinidade com a função produtiva do ser humano. Pensar também é produzir, mas até em linhas de produção saem produtos com defeitos. 
E mais: a busca desenfreada da riqueza de alguns implica a exploração dos bens e serviços naturais hoje quase exauridos a ponto de termos tocado os limites físicos da Terra. Um planeta limitado não suporta um crescimento ilimitado. Precisamos de quase uma Terra e meia para atendermos as demandas humanas, o que a torna insustentável, inviabilizando a própria reprodução do sistema do capital.
Sei, sei... Ouço essa conversa mole desde criança... Não quer ser rico, ótimo! Não acredita que qualquer um pode se tornar rico, bastando para isso oferecer ao mundo algo que ele esteja disposto a pagar por isso, tanto melhor! Determinar que o sistema justo deve ser aquele onde quem produz deve "contribuir" para aliviar a vida de outro que não produz já é exagero. Políticas sociais deveriam existir em qualquer sistema como forma de socorro e nunca como uma muleta permanente que serve apenas para sustentar uma fauna de políticos pilantras que exploram a pobreza transformada em capital eleitoral.
A macroeconomia capitalista é imposta pelos países centrais, especialmente pelos os USA, como forma de controle e de alinhamento forçado de todos às estratégias imperiais. Mas como observou o macroeconomista da Universidade de Oregon, defensor do capitalismo, Mark Thoma, agora ele já não funciona mais, pois a crise sistêmica atual parece insolvente. A ordem capitalista está conhecendo o seu limite.
Outra vigarice! Sim, lamentavelmente em breve conheceremos o inferno na terra devido a ambição descomunal que gerou a última crise. Disso não discordo! Mas... De novo! Isso nada tem a ver com o sistema capitalista e, sim, com a moral frágil do ser humano. Poderia acontecer em qualquer regime, sobretudo o comunista, como de fato aconteceu nos países que o adotaram!
Qual é o pomo de discórdia na política atual no Brasil? A oposição optou pela macroeconomia neoliberal. Líderes da oposição proclamam que os salários são altos demais, que toda a Petrobrás bem como o Banco do Brasil, a Caixa e os Correios deveriam ser privatizados. Já conhecemos esta fórmula. Ela é cruel para os pobres e danosa para os trabalhadores, pois favorece a acumulação e assim as desigualdades sociais. O capitalismo é bom para os capitalistas mas ruim para a maioria da população. A riqueza não pode ser feita à custa da pobreza e da injustice social.
Não é bem por aí... Sou favorável a privatizações por que nenhum governo deveria se incumbir de gerir empresas. Mal administra o dinheiro que lhe entregamos através dos impostos! E... Só para o registro! Estatais no Brasil jamais serviram a outro propósito, senão, o loteamento político. Quanto ao salário mínimo... Pô, essa é fácil demais! Salários deveriam subir, sim, no Brasil. E muito! Porém, contudo e entretanto, deveriam-se priorizar as condições que favoreceriam essa elevação dos salários antes de tudo! De que adianta ter um salário mínimo elevado (e nem é tão elevado mesmo), se não existirem os meios de produção e a demanda para ampará-lo?
Acresce ainda um elemento geopolítico que não cabe aqui detalhar. Os USA não toleram uma potência emergente como o Brasil, associada aos BRICS e à China que mais e mais penetra na América Latina. Há que desestabilizar os governos progressistas e populares com a difamação da política e de seus líderes.
Discurso velho e sem sustentação! Claro que os Yankees tendem a proteger seus interesses e isso faz parte do jogo capitalista. O Brasil é que ainda não acordou de forma inteligente para se beneficiar de suas principais vantagens sobre o concorrente. E nem será nesse século, pelo visto... Enquanto os jovens estiverem se encantando com esse tipo de discurso, logo não precisaremos mais nos preocupar com o "imperialismo" americano... Seremos obrigados a nos preocupar com os argentinos, os chilenos e até os paraguaios!
O PT e os partidos e grupos progressistas querem o caminho da democracia republicana e participativa. Visam a garantir as conquistas sociais e alargá-las. Não é nada seguro que a vitória do neoliberalismo vai mantê-las pois obedece à outra lógica, a do capital que é a maximalização dos lucros. O atual governo busca um caminho próprio na economia e na política internacional, com a consciência de que, dentro de pouco, a economia mundial será de base ecológica. Aí emergiremos como uma potência, capaz de ser a mesa posta para as fomes e as sedes do mundo inteiro. Esse dado não pode ser desconsiderado. Mas a centralidade mesmo será superar a vergonhosa desigualdade social, a pobreza e a miséria com políticas sociais com acento na saúde e na educação.
kkkkkkk! Desculpa! Mas, tive de recorrer a esse caractere! Primeiro, nenhum dos partidos, ditos progressistas, gostam de democracia! A democracia para eles é apenas a deles! Exclui-se todo o resto que não reza segundo seu catecismo. Segundo, a lógica do capitalismo não é a "maximalização" do lucro, isso é outra vigarice! Mas... Esse último argumento é de lascar! Emergiremos como uma potência em uma economia de base ecológica? A derrota desse país é ainda repetir que "um dia" seremos o celeiro do mundo! Enquanto o mundo inteiro produz tecnologia, inclusive, para sanar os problemas da fome e sede, acreditamos que seremos nós os abastecedores de todos com nossos valiosos grãos... Sim, é a mais pura verdade! Infelizmente! Trocamos nossos muitos contêineres de grãos mal colhidos e mal transportados por poucas caixas de microchips e celebramos como se estivéssemos arrasando! Isso até favoreceu o Brasil no período que o messias Lula era presidente! As commodities estavam a preço de ouro e o Brasil nunca viu tanto dinheiro... Acontece que não somos os únicos a produzir grãos no planeta e outros países "emergentes" estão pulando para a dianteira. Se houver nova elevação de preços dos nossos grãos, poderemos nem sentir o cheiro da oportunidade porque mantemos nossas colheitas caras. Qual será a resposta progressivista para isso? Subsídios pagos com o dinheiro do contribuinte! É desse modo que se elimina a desigualdade?
A oposição ferrenha ao governo Lula-Dilma tem como motor propulsor a liquidação deste projeto republicano pois lhe custa aceitar a ascenção (sic) dos pobres e de sua participação na vida social. Mas é este projeto que responde à angústia que devorava Celso Furtado durante toda sua vida: "por que o Brasil sendo tão rico, é pobre e com tantas virtualidades continua atrasado"? A resposta dada por Lula-Dilma mitiga a queixa de Celso Furtado é boa não só para os pobres mas para todos. Compreender esta questão é entender o foco central da crise política brasileira que subjaz às demais crises.
A desgraça dos muitos pobres desse país é o ódio que alimentam contra os ricos e é um discurso criminoso como esse que estimula ainda mais que o pobre se mantenha indefinidamente nessa condição. Se Boff estivesse interessado no progresso de algum pobre estaria estimulando este para tornar-se extraordinário na sociedade e não o ser medíocre que esquerdistas tanto amam por que se beneficiam de seu estado. Rico que deseja manter o pobre na pobreza não é rico, é retardado! Seu destino é sempre a prisão, quando descobrem a origem real de sua riqueza, ou a diretoria de uma estatal patrocinada por um partido filho da puta como o que está no poder. O atraso do Brasil é devido a arrogância da esquerda em admitir que suas ideias não produzem nada além dos discursos inflamadores. Tiveram quatorze anos para demonstrar que eu estava enganado... Falharam escandalosamente!

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