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Eleitores Hipócritas, Políticos Medíocres!

José Antonio Reguffe (PDT/DF)
Recentemente fui convidado para participar de um debate com outros participantes de 22 a 56 anos. Por ser uma atividade que apoio incondicionalmente, aceitei no ato. Porém, esta mais difícil construir debates nos tempos atuais sem que os conflitos se tornem confrontos violentos do que em outros períodos. Fato: ninguém vota racionalmente! Logo, democracia é algo aplicável em eleições para síndico de condomínio. Fato 2: ninguém que vota emocionalmente é capaz de debater racionalmente, logo, o exercício da cidadania pleno só será alcançado daqui algumas décadas, senão mais de um século. É incrível, mas justamente quando deveríamos estar em uma sociedade cada vez mais informada é que temos cidadãos mais ignorantes. Minha mágoa contra a liquidez das informações e a futilidade das redes sociais apenas aumenta... Vi jovens defendendo a pena de morte no Brasil, sem sequer possuírem argumentos para ancorar sua opinião. Vi velhos desanimados com os políticos sem nunca terem se esforçado para entender o que a política significa.

Quando apresentei fatos e dados para sustentar que existem atitudes de agentes políticos que precisam ser conhecidas para justificar que ainda se pode confiar no ser humano o debate acabou! Ouvidos completamente obstruídos a partir desse momento. Daí por diante apenas os velhos adágios de que "o brasileiro é isso", "o povo é aquilo". Até parecia que todos os presentes eram alienígenas ou dinamarqueses e não brasileiros. Sim! Acredito na idoneidade de muitos brasileiros e não só acredito como analiso cada uma das imensas provas espalhadas nas mais diversas circunstâncias que podemos evidenciar no dia a dia. Infelizmente, boas atitudes não rendem audiência, nem mesmo nas redes sociais. Hoje eu sei responder a pergunta que fazíamos quando éramos adolescentes: "Ética, Moral, Caráter e Civismo, porque eu preciso de tudo isso?". Não sou hipócrita ao ponto de dizer que sou um dos brasileiros que consegue ser íntegro em cada um dos papeis que representamos na nossa rotina. Como cidadão, como pai, como profissional, como consumidor, como agente da cidadania, etc, tento equilibrar cada uma de minhas atuações segundo a índole que aprendi com minhas experiências sociais e herdei de minha família. Isso contribui na construção do meu caráter.

Entretanto, alguém irá esfregar na minha fuça que já adquiri CDs ou DVDs piratas, ou baixei isso ou aquilo na internet sem contrapartida para o proprietário intelectual da obra... É verdade e aqui não cabe comparar crimes como a caneta surrupiada inconscientemente ao se assinar um documento e levá-la ao bolso sem que de lá ela tivesse surgido com o desvio bilionário desta ou daquela empresa. São todos atos que violam alguma regra e, portanto, execráveis. Para o exercício real da cidadania um indivíduo deve corrigir estes desvios e vigiar seu comportamento o tempo todo. Na ficha psicológica de cada um sempre haverá um constrangimento interno por um ou outro ato praticado irracionalmente. Realmente não quem possa se julgar acima de qualquer atitude medíocre. Porém, isso não justifica as atitudes impróprias dos psicopatas que ocupam cargos "especiais", nem autoriza qualquer cidadão a igualar a todos segundo sua medida rasa. Há casos de atitudes inspiradoras em nome da ética e do bom senso praticadas por médicos, policiais, professores, cidadãos comuns e até políticos.

Um exemplo de atitude positiva produzida por um agente político é o caso do senador José Antonio Reguffe (PDT-DF), que se elegeu senador com mais de 826 mil votos. Nesse caso, não avaliarei a conduta do senador em outros instantes de sua vida pessoal ou como parlamentar. Reguffe baseia as campanhas eleitorais pautadas em demonstrar à sociedade que é possível se exercer um mandato parlamentar sem a necessidade de se utilizar das regalias e boa parte dos recursos públicos concedidos pelo Estado e que saem do bolso da população brasileira. Entre as contenções de despesas no gabinete o senador reduziu de 55 para 12 a quantidade de assessores, abriu mão de 100% da verba indenizatória e da cota de atividade parlamentar. O impacto dessas duas medidas gera uma economia de quase R$ 17 milhões, isso sem contabilizar economias indiretas com custos de férias e encargos sociais de servidores que deixou de contratar.

Reguffe abriu mão do plano de saúde que garantiria acesso a tratamentos médicos e odontológicos tanto dele, quanto de toda família. Esse benefício concedido aos senadores e deputados federais é vitalício, ou seja, é concedido aos parlamentares e aos familiares, enquanto o parlamentar estiver vivo, mesmo após ter deixado de desempenhar tal função. Ele também preferiu contribuir com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), a ter direito à aposentadoria especial de parlamentar, recusou carro oficial e, consequentemente, economizará com combustível e manutenção. A mesma atitude foi evidenciada quando o senador era deputado federal. Se a mesma iniciativa tivesse adesão dos outros 79 senadores, a economia estimada aos cofres públicos poderia ultrapassar R$ 1,3 bilhão. Só tomei conhecimento da postura do senador Reguffe por conta de minhas investigações sobre o que cada parlamentar defende no caso da Reforma Política. Não foi a única vez que me deparei com uma atitude louvável perpetrada por um político e ainda há casos de aberrações onde determinados políticos realizavam algo valioso para a sociedade, enquanto que outros agentes trabalhavam para jogar a população contra eles. Infelizmente, em quase todos os casos, a maledicência venceu e a população se permitiu ser iludida.

Já afirmei aqui e reitero. O que me incomoda não são os políticos medíocres que ocupam mais da metade das cadeiras das assembleias em todo o país. São os eleitores hipócritas que os colocam lá. Mesmo tendo conhecimento de que isso só é possível devido ao sistema eleitoral espúrio que alimentamos, não alivio para os cidadãos que poderiam mudar essa situação apenas tomando conhecimento da nossa Constituição e usando-a de maneira consciente. "Ficha Limpa" passou... "Medidas contra a Corrupção" passará... Mas, a Reforma Política continua presa ao esgoto ideológico que contamina todos os rincões do país. Alguns amigos tentam me convencer de que o momento é favorável para que se desperte um diálogo mais produtivo, mas eu não sou tão otimista. Vem aí as eleições municipais para por à prova o meu sentimento contra o eleitorado brasileiro. O cinismo dos candidatos e o comportamento dos eleitores que já começam a se entrincheirar corroboram minha opinião. No meu ponto de vista, outra vez a mudança ficará para a próxima!

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