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Texto de Analista compartilhado por Bolsonaro é revelador

Paulo Portinho - Blog do Asno
Paulo Portinho apenas compartilhou sua opinião e ponto! Não há nada de grave até aí. Um texto fraco e com imprecisões, mas a opinião livre de uma Analista Financeiro que reflete apenas como ele faz a leitura da realidade política que o cerca. O que há de grave é um presidente da nação compartilhar esse texto conjurando a nação e isso revela ao menos três coisas. Bolsonaro já escolheu a narrativa para justificar o seu fracasso, as redes sociais que foram a causa de seu sucesso na eleição serão definitivas na decadência do seu governo e nossos eleitores alimentam uma paixão doentia por quem não gosta de ler, tal como eles. O texto segue abaixo com algumas reflexões:
Bastaram 5 meses de um governo atípico, "sem jeito" com o congresso e de comunicação amadora para nos mostrar que o Brasil nunca foi, e talvez nunca será, governado de acordo com o interesse dos eleitores. Sejam eles de esquerda ou de direita.
Alto lá! Já começamos mal! Há no mínimo uma incoerência já na primeira frase. Primeiro por que o comportamento atípico e a comunicação amadora já concerne ao governo uma quase inviabilidade para tocar suas propostas. Segundo que os interesses dos eleitores está representado não apenas na figura do executivo, mas, principalmente no Congresso. Ou aqueles senhores brotaram lá por combustão espontânea?
Desde a tal compra de votos para a reeleição, os conchavos para a privatização, o mensalão, o petrolão e o tal "presidencialismo de coalizão", o Brasil é governado exclusivamente para atender aos interesses de corporações com acesso privilegiado ao orçamento público. Não só políticos, mas servidores-sindicalistas, sindicalistas de toga e grupos empresariais bem posicionados nas teias de poder. Os verdadeiros donos do orçamento. As lagostas do STF e os espumantes com quatro prêmios internacionais são só a face gourmet do nosso absolutismo orçamentário. 
Esse trecho só revela que o autor pode ser bom analista de mercado, mas é ruim de sociologia e história e ainda entende muito mal o funcionamento das instituições.

Todos nós sabíamos disso, mas queríamos acreditar que era só um efeito de determinado governo corrupto ou cooptado. Na próxima eleição, tudo poderia mudar. Infelizmente não era isso, não era pontual. Bolsonaro provou que o Brasil, fora desses conchavos, é ingovernável. 
Santa inocência! Então o país só tinha cura se apelássemos ao messianismo? De novo a ignorância quanto ao funcionamento da máquina. Novamente se há corruptos e aliciadores é porque os eleitores os colocaram lá e o que se nomeia pejorativamente como conchavo não necessariamente se aplica a todas as relações institucionais, bastando para isso capacidade mínima para o diálogo e argumentação convincente.

Descobrimos que não existe nenhum compromisso de campanha que pode ser cumprido sem que as corporações deem suas bênçãos. Sempre a contragosto. Nem uma simples redução do número de ministérios pode ser feita. Corremos o risco de uma MP caducar e o Brasil ser OBRIGADO a ter 29 ministérios e voltar para a estrutura do Temer. Isso é do interesse de quem? Qual é o propósito de o congresso ter que aprovar a estrutura do executivo, que é exclusivamente do interesse operacional deste último, além de ser promessa de campanha? 
Mas de onde saiu essa ideia de que promessa de campanha é igual a realização de governo? Por quantas eleições mais teremos de passar até entendermos que essa equação não fecha? Se dedicássemos um terço do tempo que desperdiçamos compartilhando bobagem na internet para tentar entender o funcionamento das instituições e porque elas precisam ser do modo como são já teríamos elevado nossa qualidade nas escolhas. Aliás, Bolsonaro teve 27 anos para entender muito bem como a máquina funcionava, o que é tempo suficiente para aprender como costurar os diálogos  e atingir objetivos. Nem ao próprio partido ele é capaz de convencer!

Querem, na verdade, é manter nichos de controle sobre o orçamento para indicar os ministros que vão permitir sangrar estes recursos para objetivos não republicanos. Historinha com mais de 500 anos por aqui. Que poder, de fato, tem o presidente do Brasil? Até o momento, como todas as suas ações foram ou serão questionadas no congresso e na justiça, apostaria que o presidente não serve para NADA, exceto para organizar o governo no interesse das corporações. Fora isso, não governa. Se não negocia com o congresso, é amador e não sabe fazer política. Se negocia, sucumbiu à velha política. O que resta, se 100% dos caminhos estão errados na visão dos "ana(lfabe)listas políticos"? 
Até agora não percebi essa força sombria pairando nas indicações para os ministérios. Pelo contrário! As merdas titânicas que tenho visto são protagonizadas justamente pelas bestas escolhidas pelo executivo. Quanto ao real poder do presidente, de novo inocência e desconhecimento do funcionamento das instituições. E esse apego a palavra "corporação" de forma pejorativa quer dizer o quê? Que não conhece o emprego correto do sentido da palavra?
A continuar tudo como está, as corporações vão comandar o governo Bolsonaro na marra e aprovar o mínimo para que o Brasil não quebre, apenas para continuarem mantendo seus privilégios. O moribundo-Brasil será mantido vivo por aparelhos para que os privilegiados continuem mamando. É fato inegável. Está assim há 519 anos, morto, mas procriando. Foi assim, provavelmente continuará assim. 
Porra! Aqui eu concordo em grau, número e gênero! Enfim, lucidez. Mas qual seria então o caminho, caro ex-candidato a vereador? Continuarmos buscando o messias nas redes sociais? Essa pica ainda é dos eleitores, meu irmão! Não há, nem haverá salvadores. O tempo de urgência para os eleitores assumirem de fato sua responsabilidade e exercerem sua autoridade com consciência está quase em régua no monitor de sinais vitais.

Antes de Bolsonaro vivíamos em um cativeiro, sequestrados pelas corporações, mas tínhamos a falsa impressão de que nossos representantes eleitos tinham efetivo poder de apresentar suas agendas. Era falso, FHC foi reeleito prometendo segurar o dólar e soltou-o 2 meses depois, Lula foi eleito criticando a política de FHC e nomeou um presidente do Bank Boston, fez reforma da previdência e aumentou os juros, Dilma foi eleita criticando o neoliberalismo e indicou Joaquim Levy. Tudo para manter o cadáver procriando por múltiplos de 4 anos. 
Aqui já está parecendo mais crítico petista do que analista financeiro.
Agora, como a agenda de Bolsonaro não é do interesse de praticamente NENHUMA corporação (pelo jeito nem dos militares), o sequestro fica mais evidente e o cárcere começa a se mostrar sufocante. Na hipótese mais provável, o governo será desidratado até morrer de inanição, com vitória para as corporações. Que sempre venceram. Daremos adeus Moro, Mansueto e Guedes. Estão atrapalhando as corporações, não terão lugar por muito tempo. 

É mais do que provável, mas não por culpa das "corporações" e sim devido a inabilidade dos Moros, Mansuetos, Bolsonaros e Guedes desse governo.
Na pior hipótese ficamos ingovernáveis e os agentes econômicos, internos e externos, desistem do Brasil. Teremos um orçamento destruído, aumentando o desemprego, a inflação e com calotes generalizados. Perfeitamente plausível. Claramente possível. A hipótese nuclear é uma ruptura institucional irreversível, com desfecho imprevisível. É o Brasil sendo zerado, sem direito para ninguém e sem dinheiro para nada. Não se sabe como será reconstruído. Não é impossível, basta olhar para a Argentina e para a Venezuela. A economia destes países não é funcional. Podemos chegar lá, está longe de ser impossível. 
Nosso futuro, nem de longe, passa pela Argentina ou Venezuela... Todo o resto está certo, mas o buraco é mais embaixo por aqui.
Agradeçamos a Bolsonaro, pois em menos de 5 meses provou de forma inequívoca que o Brasil só é governável se atender o interesse das corporações. Nunca será governável para atender ao interesse dos eleitores. Quaisquer eleitores. Tenho certeza que esquerdistas não votaram em Dilma para Joaquim Levy ser indicado ministro. Foi o que aconteceu, pois precisavam manter o cadáver Brasil procriando. Sem controle do orçamento, as corporações morrem. 
Não entendi qual é a bronca com Joaquim Levy. Até onde sei ele está no governo Bolsonaro a frente do BNDES! Quanto a (de novo) "corporações"... É, o Brasil é composto de uma imensa massa de corporações, a mais daninha atualmente é o bolsonarismo.


O Brasil está disfuncional. Como nunca antes. Bolsonaro não é culpado pela disfuncionalidade, pois não destruiu nada, aliás, até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou. Ele é só um óculos com grau certo, para vermos que o rei sempre esteve nu, e é horroroso. Infelizmente o diagnóstico racional é claro: "Sell".

Puta merda... Primeiro o país sempre foi assim, agora está "como nunca antes". De fato, o messias não é responsável pela disfuncionalidade. Ele é apenas o efeito. Um efeito que já era muito previsível e o fato de o presidente compartilhar esse texto só demonstra o quanto ele nunca se preparou para ser porra nenhuma, senão um boquirroto das redes sociais. O Brasil não é ingovernável, o governo Bolsonaro é que é indefensável.

Um comentário:

  1. " o comportamento atípico e a comunicação amadora já concerne ao governo uma quase inviabilidade para tocar suas propostas. "

    Fico pensando como seria se o seu querido Amoedo tivesse ganhado. Estaria na mesma situação do Bolsonaro: tentando governar com aqueles deputados corruptos de esquerda ou abaixando a cabeça para os conchavos.

    "bastando para isso capacidade mínima para o diálogo e argumentação convincente."

    Quantas vezes são necessárias pra convencer um petista/psolista e demais pragas que a reforma da previdência é preciso? Já foram feitas muitas tentativas. Nenhuma explicação é convincente quando o interlocutor deseja comer caviar enquanto o povo passa fome.

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