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A narrativa do "Golpe" e o tal "Ponte para o Futuro"

Lindberg Farias - Blog do Asno
Eu acreditei que a conversa fiada do "Golpe" iria perder fôlego depois de algumas semanas, mas me enganei. Quando minha atenção estava mais voltada para os EUA e a Europa não pude deixar de ver algumas cretinices que ganharam repercussão por lá. Vou comparar alguns discursos, sendo um do ministro Ricardo Lewandowski, presidente do STF, outro do senador Lindberg Farias e um terceiro do americano James Naylor Green. Este último, só tomei conhecimento de sua existência por conta de uma aparição sua durante os trabalhos da Comissão da Verdade, os quais acompanhei com muita atenção. Naylor deu uma entrevista a BBC, cujo título me chamou a atenção: "Americano vê risco de 'golpe' contra o sistema eleitoral para pôr PMDB e PSDB no poder". Tomei um susto! Que tipo de argumento poderia embasar esse tipo de opinião?

A primeira cagada do tal professor é comparar o momento enfrentado por Dilma a 1964 com a queda do presidente João Goulart e assunção ao poder pelos militares que diziam agir para livrar o Brasil do comunismo e da corrupção. O cara afirma que pesquisa a história brasileira há mais de 30 anos e pelo jeito a conhece muito pouco. Green é professor de história moderna da América Latina e Diretor da Iniciativa Brasil da Brown University, em Rhode Island (EUA). Ele afirma que desta vez o movimento (????) não busca levar os militares ao poder, mas entregá-lo ao PMDB e PSDB. Eu não sei o que o tal professor entende por democracia e que tipo de estrume bovino ele anda fumando, mas ele dá ressonância a tese de que no Brasil está ocorrendo um atentado contra ela. Aliás, todo mundo aqui acha que entende de democracia por que todos afirmam lutar por ela, mesmo quando a rejeitam em nome de um projeto de poder! O pior é que a BBC trata o professor fanfarrão de brasilianista o que o tornaria uma autoridade no assunto maior do que quase todos os brasileiros!

A cretinice do professor em sua comparação é quanto ao embasamento que utiliza justificando que a linguagem da oposição ao governo Dilma é a mesma linguagem sobre corrupção que foi usada justamente em 1964 contra o governo do João Goulart e uma das várias justificativas para o golpe. Se fosse um especialista em história brasileira iria saber que são momentos e circunstâncias muito distantes e sem a menor ligação. Até as medidas políticas de Goulart nada se aproximam das de Dilma. Bem... Se o professor pode especular, eu também posso! Se depois de várias CPIs nada foi descoberto de corrupção no governo João Goulart eu posso crer que no caso de Dilma, muita merda pode surgir ainda, sobretudo sobre o período em que foi presidente do Conselho da Petrobrás. Senão, por crime direto, pelo menos por omissão consciente. Outra comparação absurda é com a atitude do partido republicano dos EUA que teria combinado para fazer de tudo para que governo de Barack Obama não funcionasse e fosse derrubado. Isso nem de longe aconteceu no Brasil! Pelo contrário, nunca se viu uma oposição tão anêmica quanto a nossa desde que o PT assumiu o poder. E poucas vezes se viu parlamentares tentando obstruir propostas do governo, senão aquelas que realmente a merecessem como o caso do, esse sim, golpe do PL 05 que legitimou o desgoverno de Dilma.

Segundo o professor, "uma grande ameaça à democracia no Brasil, são as medidas ilegais implementadas para fazer essas investigações", falando sobre a Lava Jato. Que legal! Na cabeça dele há manipulações nas investigações, então... Que existe esforço, existe, mas sem resultado até agora! O especialista se ampara em um editorial da Folha de S.Paulo onde afirma que o juiz Sérgio Moro se excedeu, foi além. "Pelo que leio, há violações, arbitrariedades, pressões para que as pessoas revelem informações. Esses caras que estão sendo presos e nunca imaginavam que seriam presos estão assustadíssimos com a possibilidade de ficar anos na prisão e dizendo qualquer coisa. E as pessoas acusadas, me parece, não estão tendo acesso ao direito de defesa. Há uma arbitrariedade muito perigosa". Beleza! Por que por na conta só do Moro? Mete a boca também nos ministros do STF que até agora endossam os trabalhos dele! O especialista afirma que nossa democracia corre perigo por que  estamos derrubando um governo democraticamente eleito. Dizer o quê? O especialista não sabe que em nossa democracia existe uma coisa chamada Constituição e que todos os seus princípios estão sendo respeitados. Onde está seu conhecimento sobre nossa história? De onde ele tirou a ideia de que Eduardo Cunha dirigiu o processo de impeachment? Dos editoriais de jornais? Também até nesse caso a Constituição foi respeitada. Se o povo não quer um presidente da Câmara criminoso que não o eleja, mas já que elegeu, aguente as consequências. Até isso faz parte de um regime democrático.

Antes de acabar sua entrevista, criminosamente, o professor afirma que "no Brasil a grande mídia está provocando um sentimento agressivo contra qualquer pessoa que ande com o roupa vermelha ou defenda o governo". É mentira! Esse papo de "Grande mídia" tem DNA, lógico! E se isso ocorre em alguns lixos na internet também é verdade a agressão contra os que vestem verde e amarelo. Sua análise sobre a história do Brasil é tão porca quanto qualquer análise de um brasileiro sobre história americana.
James Naylor Green
Vamos a outro que gosta de ser incoerente e exibido. Já está ultrapassado, mas não posso deixar de comentar a hipocrisia contida no texto de Ricardo Lewandowski intitulado "Judicatura e dever de recato" escrito em Setembro do ano passado. Chamo de hipocrisia por que é obvia a destinação do tal texto com tanta exposição do nome do juiz Sérgio moro. Porém, as críticas que ele emprega contra os juízes loquazes e exibicionistas lhe cabem muito bem bastando que prestemos atenção em cada uma de suas intervenções durante o julgamento do Mensalão e também por seus comentários em público. São conselhos que seria melhor o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal seguir. Recato, moderação e modéstia estão longe de serem adjetivos que podemos lhe atribuir. Não pode ficar de fora que sua excelência afirmou que "Tampouco é permitido que proponham (os juízes) alterações legislativas, sugiram medidas administrativas ou alvitrem mudanças nos costumes, salvo se o fizerem em sede estritamente acadêmica ou como integrantes de comissões técnicas". Barbaridade... Boa memória parece ser escassa até entre os notáveis. Quantas vezes o próprio Lewandowski proferiu falas e votos tentando justificar uma intervenção do Supremo justamente nesse sentido.

Quer um exemplo recente? Ele disse o seguinte sobre a possibilidade de Dilma perder o mandato em razão de um processo de impeachment: “Estes três anos após o golpe institucional poderiam cobrar o preço de uma volta ao passado tenebroso de trinta anos. Devemos ir devagar com o andor, no sentido que as instituições estão reagindo bem e não se deixando contaminar por esta cortina de fumaça que está sendo lançada nos olhos de muitos brasileiros”. É juízo de valor em público ou não é? E olha a gravidade no que ele afirma! Esse senhor presidirá o julgamento do impeachment e já disse publicamente que uma ação poderia ser movida no Supremo, caso Dilma caia em definitivo. Não! Não é bem assim... Uma ação pode até ser movida, mas se será acolhida é outra história por que tratar-se-ia de uma grave violação a decisão de um outro poder da República, o Senado Federal. Até um zérruela como eu sabe disso, quanto mais o presidente do Supremo deveria saber.


Mas, o meu preferido no campo da hipocrisia, é claro, só poderia ser o senador Lindberg Farias! Quando eu defendi o texto do ator Wagner Moura, deixei registrado que combato ideias proferidas por certa categoria de indivíduos. Defendi a livre expressão de Moura por que não o vejo como um agente trabalhando para aumentar a confusão. Mas, tem algumas vigarices promovidas por diversos agentes com o objetivo claro de lançar fumaça na compreensão da maioria que não possui o hábito de ler e comparar as ideias que precisam ser combatidas. Um exemplo foi um texto do senador Lindberg publicado no site Brasil247. É uma boa maneira de demonstrar por que algumas manobras devem ser criticadas e expostas. Considero vigarice quando uma pessoa, aparentemente, capaz de entender sobre o que está falando, distorce os fatos e acrescenta outros emprestando um tom malévolo a opiniões opositoras. Essa é uma prática a qual recorre muito o senador, razão pela qual desprezo-o profundamente. Como sempre, segue o artigo abaixo com meus comentários em cada trecho:
Convido o leitor a um exercício de imaginação. A presidenta Dilma é impichada e assume a presidência da república o vice da chapa, Michel Temer, do PMDB. Na consequência do golpe parlamentar, os golpistas organizam um novo governo de coalizão com os partidos da oposição neoliberal - o PSDB, o DEM, o PPS, o SED e demais consortes de oportunismo político. Os golpistas não passarão, mas mesmo assim é de suma importância perguntar: Qual seria o programa do novo governo? Que propostas teriam para resolver a crise brasileira? Embora os artífices do golpe, bem como mídia interessada, busquem ocultar na algaravia de argumentos mentirosos do impeachment os verdadeiros interesses, pode-se gritar como na fábula infantil ao aviso de incêndio, “fogo na floresta”. Aonde podemos encontrar o “fogo”, a diretriz e o programa do golpe? Pois bem, a programática miserável de um governo saído do golpe do impeachment está escrita, com todas as letras, sem subterfúgios, no documento “Uma ponte para o futuro” - também conhecido como “Projeto Temer”, vindo a lume no dia 29 de outubro do ano passado. Logo que lançado, o documento coordenado por Temer recolheu propostas e diagnósticos do capital financeiro, dos rentistas da dívida pública, dos grandes grupos de mídia e da intelectualidade neoliberal. Trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais não entram nesse time. De todo modo, até por isso, neste momento de aguçar do ponto de ebulição máximo da crise política é de fundamental importância desmontar e desmascarar o malfadado documento “Uma ponte para o futuro", pois assim esclarecemos os danos irremediáveis de um governo saído do golpe para o futuro do Brasil, do povo e dos trabalhadores brasileiros.
Até aí é apenas narrativa obesa sem profundidade nenhuma. Comum a um rapaz que joga muito bem o jogo politiqueiro, tão logo aderiu a mais baixa forma de fazer política nesse país. Já era difícil de engolir sua retórica desde os movimentos pró-impeachment do Collor. No senador, apenas seus cabelos mudaram. Depois tem mais narrativa obesa sem novidade... Vou acelerar mais o texto!
(...) A grande questão política é que as medidas neoliberais radicais não conseguem ganhar eleições no Brasil. Ninguém vai ganhar uma eleição direta para presidente no Brasil, passar pelo crivo da vontade popular, exibindo de público um programa impossível como “Uma ponte para o futuro”. Como não se ganha eleições com essa programática, advém à tentação de repetir o passado inglório dos golpes brasileiros. Ato contínuo meu foco neste artigo passa à análise de alguns dos pontos principais de “Uma ponte para o futuro” - o famigerado Plano Econômico do Golpe.
Blá, blá, blá... Vamos aos pontos!
1. Prevalecer o negociado sobre o legislado. Retrocesso dos direitos do trabalho. Sobre a luta e os direitos dos trabalhadores, o Plano Temer doutrina o seguinte absurdo: “na área trabalhista, permitir que as convenções coletivas prevaleçam sobre as normas legais, salvo quanto aos direitos básicos”. Sem eufemismos, o que se pretende é ACABAR com a CLT. De vez em quando, essa questão aparece como a necessidade “priorizar o negociado sobre o legislado”, mas felizmente nunca é aprovada no parlamento, pois entram em cena, denunciando, o movimento sindical e os parlamentares comprometidos com os trabalhadores. Todo mundo sabe que o poder de barganha direto, sem a mediação estatal, do capital é muito maior que o do trabalho. Caso essa medida um dia levada a cabo no Brasil, passaremos a ter uma configuração do mundo do trabalho ainda mais terceirizada, precarizada e de baixos salários que hoje.
Aqui começa a vigarice! Isso não é acabar com a CLT! É urgente para esse país uma atualização da Consolidação das Leis do Trabalho já muito ultrapassada! Não favorece aos trabalhadores, apenas aos tais movimentos sindicais. Inclusive, a própria CUT e outras centrais recorrem as convenções coletivas quando lhe são convenientes e empurram goela abaixo para os toupeiras que as alimentam através de suas contribuições impostas parasiticamente. A CLT, como está, apenas favorece ainda mais ao cenário farto de pelegos e parasitas. Só isso! Poderia registrar muitos exemplos do que digo, mas atualmente isso é muito mais do que perigoso. Não vejo problemas quanto a esse item na proposta contida no tal "Plano Temer". Mesmo por que tenho tranquilidade para não temer por qualquer agressão aos direitos de fato do trabalhador, justamente por conta da orientação ideológica do Congresso atual.
2. Orçamento Zero. Desvinculação das receitas de saúde, educação e transferência de renda. O plano faz menção à necessidade de “estabelecer uma agenda de transparência e de avaliação de políticas públicas, que permita a identificação dos beneficiários, e a análise dos impactos dos programas”. Trata-se do famigerado “orçamento de base zero”. O novo modelo orçamentário se propõe a fazer o inexequível. Instituir no Brasil um orçamento que não existe em nenhuma outra nação civilizada do ocidente: desvincula com uma canetada as receitas para saúde, educação e demais políticas sociais. Essas receitas, em vez dos pisos constitucionais, seriam avaliadas ano a ano, não se sabe bem por quem - certamente um comitê autônomo de burocratas sem mandato popular. Além de derruir o conceito de orçamento plurianual, acabando com o planejamento de longo prazo em relação às políticas sociais, que se veriam à mercê dos ventos da conjuntura, o resultado final desse desatino - alguém dúvida? - seria elevar robustamente a pobreza e a desigualdade.
Tô falando! Vigarista se sente obrigado a pegar um trecho de qualquer texto e reescrevê-lo conforme sua conveniência intelectual. O texto diz uma coisa e logo um picareta saca de uma cartola um ouriço disfarçado de coelho branco. Eu defendo que o governo afastado deveria ter trabalhado a transparência e a avaliação de suas políticas públicas desde o início. Sempre foi a ausência disso que mais levantou críticas as soluções para desigualdade tomadas por aquele governo. O senador é tão habilidoso na arte de iludir que nem ruboriza a face por exibir toda sua exiguidade.
Políticas e programas sociais, isto é, ações nas áreas da saúde, educação, previdência, assistência, geração de emprego e renda, habitação, saneamento e transporte público devem necessariamente ter continuidade ao longo do tempo. Primeiro, porque as demandas ainda não atendidas são enormes e, segundo, mesmo programas que podem ser considerados emergenciais podem durar anos até que determinada conformação estrutural seja modificada (um exemplo: o Programa Mais Médicos). E há outro lado: beneficiários de programas ou políticas sociais precisam de segurança, de certeza de continuidade, para que possam ingressar em determinada ação governamental (um exemplo: o FIES ou os programas assistenciais a cotistas). O que se pretende com o tal de "Orçamento de Base Zero” “- uma ideia que vem de setores da administração privada -, aplicado às finanças públicas, é o descompromisso absoluto do Estado com a continuidade de políticas e programas sociais e a desvinculação total de todas as receitas e gastos sociais existentes. Ou seja, um grave retrocesso civilizacional.
Pois é... A função de um programa social deveria existir no sentido de atuar como forma de socorro e até mesmo como correção de injustiças. Entretanto, mantê-las de maneira que garantam "certeza de continuidade" não favorece o desenvolvimento de nada! Fui favorável a criação de programas assistenciais e defendi-os com o objetivo de que nunca mais eles se fizessem necessários. Aprendi com os mesmos formadores de opinião que influenciaram o senador em sua juventude a odiar o assistencialismo e hoje o vejo vociferar contra todos que se opõem a essa aberração. Outras situações podem surgir e outros programas ainda podem se fazer necessários, disso não discordo. Há uma série de situações não previstas que poderão demandar o surgimento de outros programas. Fazer disso uma constante é desviar do ponto fundamental que é conduzir o país de maneira que o cidadão dependa cada vez menos do estado. Só que isso não é objetivo dos falsos defensores dos pobres! O que eles precisam, de fato, é manter os pobres indefinidamente nessa condição, senão, terão de trabalhar!
3. Ajuste Fiscal restritivo para fazer superávits primários. Em diversas passagens, o documento afirma que o ajuste fiscal é condição necessária para o crescimento (“... é uma questão prévia” ou ainda “O ajuste fiscal não é um objetivo por si mesmo. Seu fim é o crescimento econômico que, no nosso caso, sem ele, é apenas uma proclamação vazia.”). Isso é um erro teórico e mostra quanto há de desconhecimento sobre a realidade, inclusive a brasileira. É o crescimento que gera receitas públicas, que reduz déficits orçamentários - e não o contrário. O maior exemplo é o 2º governo do presidente Lula: crescimento médio de 4,5% com déficits nominais de 2,4% do PIB (média do período). Corretamente o governo do presidente Lula não promoveu corte de gastos para melhorar resultados orçamentários. (...)
Pura embromation!! É lógico que precisamos de crescimento, porém o próprio senador por diversas vezes se opôs a isso em nome das tais políticas sociais. A incoerência é que essas políticas sempre irão depender do crescimento do país.
(...) Os problemas fiscais somente ocorreram em 2014 e suas causas são bem conhecidas: gastos com pagamentos de juros da dívida da ordem de R$ 311,5 bi, desonerações tributárias excessivas que alcançaram R$ 104 bi e a baixa arrecadação devido ao crescimento pífio da economia. E os problemas fiscais de 2015 estão sendo causados pela política monetária e fiscal do plano de austeridade do governo. Cabe ser enfatizado que de 2005 a 2011, as contas do governo atingiram resultados bastante satisfatórios.
kkk! Verdade! As causas são bem conhecidas! Pagou-se mais juros com a dívida pública. Por que? Por que o governo fez cagada muito antes de 2014 e pra limpar essa merda aumentou exorbitantemente a dívida interna que já está em quase 3 trilhões. Chupa essa manga! Quero só ver qual o próximo divino messias que vai aparecer rasgando lorota dizendo que pagou a dívida. Quem foi o responsável pela contratação dessa dívida? Foi o governo, dah! Logo, a culpa não foi dos juros pagos! Ou a lógica do senador é contrair dívida e depois dar o calote? Depois... Por que o governo teve de realizar as desonerações "excessivas" e por que o crescimento da economia foi pífio? Dah! Culpa do próprio governo! Isso é picaretagem! As contas do governo não estavam satisfatórias por conta da ilibada atuação do governo. Fomos favorecidos por um período muito positivo logo no início do governo do messias Lula e, que fique bem claro, nada tinham a ver com o governo do turno. O único mérito de Lula naquele período, e isso eu sempre reconheci, foi ter reconhecido a China como uma economia de mercado. Saímos na frente naquele momento e depois perdemos a balça! O messias achou que o jogo estava ganho e partiu para a torcida pra fazer graça. Resultado... Quebramos!
(...) Cabe salientar que: a inflação sempre esteve dentro das metas de 2004 a 2014. Só irá estourar em 2015, mas a causa foi o choque de preços administrados dado pelo Governo (eletricidade e combustíveis) e não um superaquecimento econômico resultante de gastos excessivos do governo. E os juros são altos por pressões políticas de interesses rentistas, nada tem a ver com o controle da inflação (a prova é que temos juros altos e inflação estourando a meta em 2015).
Qual meta? Aquela que a prefidenta disse que ao ser atingida seria dobrada? Só se for! Nunca estivemos nem perto da meta nesse governo. Tem um tal de teto da meta que desde que foi estabelecido, nunca descolamos dele! Quanto ao choque de preços dado pelo governo... O que dizer! O próprio governo criou o cenário para isso! Quando falei que a redução da tarifa de energia da forma como o governo provocava sem nunca ter investido um centavo no setor causaria isso, apanhei bragarai! E... Cá para nós, senador... Esse papo de que os juros são altos devido a pressões de rentistas é papo furado! Até parece que esse governo, tão "inimigo" dos rentistas iria se render a tais pressões. Se isso fosse verdade seu governo teria renunciado desde o segundo mandato de Lula!
4. Reforma Tributária regressiva em benefício dos muito ricos. A reforma tributária sugerida pelo documento do golpe é vazia e não ataca o problema da regressividade do sistema e suas injustiças. Querem uma reforma para poupar os ricos, milionários, banqueiros e multinacionais. Falam somente em deixar as coisas como estão ou simplificar a parafernália tributária brasileira, como se o sistema tributário fosse um problema menor e aí não estivesse uma das soluções dos entraves atuais. Diz o documento: “Qualquer ajuste de longo prazo deveria, em princípio, evitar aumento de impostos, salvo em situação de extrema emergência e com amplo consentimento social. A carga tributária brasileira é muito alta e cresceu muito nos últimos 25 anos.” E em outra passagem consideram que: “o nível dos impostos e a complexidade tributária, combinados ...[são os maiores responsáveis]... pelos problemas para realizar negócios no país.” Em verdade, o grande problema do nosso sistema tributário é que pobres, trabalhadores, a classe média e funcionários públicos pagam pesados impostos - e ricos, latifundiários, multinacionais... o “andar de cima” é aliviado e não contribui com o desenvolvimento do país.
Putz! O documento diz uma coisa e o senador afirma o contrário! Nem perco meu tempo! Sem falar que a narrativa é estúpida! Faz a conta senador! Taxem as fortunas e vejam quanto elevarão sua receita! Esse discurso é bom para enganar eleitor pobre e garantir votos. Na prática, nem mesmo eles acreditam no que dizem...
5. Manutenção da política monetária de juros altos. No diagnóstico fiscal o documento do golpe não considera as despesas com juros o elemento central dos nossos problemas orçamentários. Coloca o problema central nos direitos sociais que impõem custos orçamentários, obviamente. Diz o documento de forma taxativa: “A conclusão inevitável a que se chega é que os principais ingredientes da crise fiscal são estruturais e de longo prazo. De um lado, a falta de espaço para aumento das receitas públicas através da elevação da carga tributária, de outro, a rigidez institucional que torna o orçamento público uma fonte permanente de desequilíbrio.” Ora, basta lembrar números para desmontar essa “conclusão”: os orçamentos do Bolsa-Família, Minha Casa Minha Vida, abono salarial, seguro desemprego, educação, saúde (tudo somado) não alcança R$ 300bi – enquanto as despesas com juros superarão R$ 500 bi em 2015.
Só o senador é quem afirma que o problema central existe por conta dos "direitos sociais que impõem custos orçamentários". O documento mencionado não fala nada disso, senão na parte em que diz o óbvio: precisa de mais transparência! Se o governo está pagando mais juros do que oferecendo benefícios o problema é do governo! Não sabe fazer, não se mete porra! De novo, fica evidente a manipulação das palavras por parte deste canalha.
(...) 6. Término da política de reajustes reais anuais do salário mínimo e da vinculação do piso dos benefícios da previdência. Os ataques aos direitos sociais não se limitam à saúde e à educação. Querem quebrar a regra de reajuste do salário mínimo e querem retirar o piso de um salário mínimo dos benefícios da Previdência. Em linguagem um tanto dissimulada afirmam: “Outro elemento para o novo orçamento tem que ser o fim de todas as indexações, seja para salários, benefícios previdenciários e tudo o mais.” Não conhecem a realidade brasileira: o salário mínimo é crucial para elevar todos os rendimentos do trabalho daqueles que ganham rendas baixas ou médias. A valorização do salário mínimo associado à queda do desemprego foi o grande responsável pela constituição do enorme mercado de consumo de massas brasileiro. 90% dos assalariados brasileiros ganham até três salários mínimos e foram beneficiados com a sua valorização. E acabar com o piso do benefício previdenciário é outra demonstração de desconhecimento da realidade ou de insensibilidade social: os elementos que mais contribuíram para a melhoria distributiva de renda nos últimos anos foram: queda do desemprego, aumento dos rendimentos do trabalho e o volume de recursos transferidos pela Previdência Social. São pagos por mês aproximadamente 28 milhões de benefícios, 70% desses benefícios têm o valor do piso: um salário mínimo.
Na época em que eu padecia da mesma demência que o senador (já pertenci a sua sigla famigerada), aprendi que o salário mínimo era uma forma de escravidão e que deveria ser combatido com toda força... Sem entrar no mérito daqueles argumentos, com os quais ainda concordo parcialmente, o salário mínimo é uma instituição antiga nesse país. Desde sua instituição até o presente, só se produziu muito discurso sobre o tema, mas nada de prático, afinal. O senador me decepciona muito ao corroborar a impressão que sempre mantive das pessoas que se diziam defensoras dos trabalhadores sem nunca terem convivido de fato com eles. Além do mais... A desindexação já fazia parte dos planos do seu partido!
7. Reforma da previdência pela via do aumento da idade mínima. Querem fazer uma nova reforma previdenciária. Falam em déficit da Previdência, que tem um orçamento anual em torno de R$ 500 bi, mas esquecem de dizer que gastaremos R$ 500 bi em 2015 com os rentistas pagando juros. A reforma que propõem está baseada na ideia que precisamos economizar com os “velhos” que recebem benefícios da Previdência para poder gastar mais com os “novos” em educação, por exemplo. Afirma o documento: “A situação é insustentável, pois o país tem jovens para atender, tem problemas de assistência de saúde, de educação, de segurança.” É outro erro: milhões de famílias são sustentadas pelos “velhos” aposentados (avôs e avós), principalmente quando o desemprego aumenta ou em regiões em que o emprego é precário. Reduzir gastos com Previdência pode melhorar a contabilidade das contas públicas, mas certamente piora a qualidade de vida de milhões de pobres, que são os principais beneficiários da Previdência Social no Brasil.
Outro discurso muito forte e, desta vez, correto. Esse é um problema debatido há anos e sem solução no horizonte. Nem o PMDB, nem o PSDB e muito menos o PT que esteve no governo quase quatorze anos tem uma proposta sólida que possa resolver o problema da previdência. O senador age de maneira oportunista ao usurpar esse discurso. Ninguém naquela casa tem moral para falar sobre o tema, sobretudo parlamentares do PT que até o momento não apresentaram, sequer, uma proposta que amenizasse o problema. O senador encerra seu infame artigo desqualificando a visão sobre a economia e realidade social brasileira (como se ele não tivesse alguma noção da falácia por trás do seu discurso), dos, antes aliados e agora, adversários. Lamento que alguém que carrega a confiança de tantos eleitores possa ser tão cretino. Mas, a sorte de políticos como ele um dia acaba. Foi, sim, a política de estímulo ao consumo que favoreceu para que o Brasil só sentisse as cólicas da crise depois que todo o resto do planeta já estava saindo dela. Não há mérito algum nisso! Mas, em parte concordo com ele. A proposta da idade mínima não solucionará o problema, mas amenizará um impacto futuro.
Last but not least, o documento mostra inacreditável desconhecimento da economia e da realidade social brasileira, defeito grave a quem pretende governar o Brasil, mesmo que pela via de um golpe. Nele, está escrito assim: “nos últimos anos o crescimento foi movido por ganhos extraordinários do setor externo e o aumento do consumo das famílias, alimentado pelo crescimento da renda pessoal e pela expansão do crédito ao consumo. Esses motores esgotaram-se e um novo ciclo de crescimento deverá apoiar-se no investimento privado e nos ganhos de competitividade do setor externo, tanto do agronegócio, quanto do setor industrial.”
Tudo errado na mente do senador!!! Ele engrossa quando afirma que "Não podemos aceitar a argumentação que contraria os números de que não houve investimentos naquele período (Lula), de que só teria havido consumo das famílias. Dizer isto é má fé e ignorância em relação aos números da nossa economia". Má fé... Tem razão, senador, não poderia ter uma definição melhor para o que fazem hipócritas como o senhor, a senadora Gleisi Hoffman, Humberto Costa e mais uma plêiade de petistas, pessolistas, pecedobistase redistas encrustados no Congresso Federal. Alguns até acreditam nessa merda toda que o senhor eloquentemente vocifera, porém, no seu caso, é pura maldade.

Discursos... Nada além de discursos! Pura verborragia patética e recorrente nos últimos trinta anos, desde que decidi-me a analisar a política brasileira. Das três narrativas só vejo hipocrisia. Isso é desanimador por que acredito que durará ainda mais trinta anos até que o eleitorado esteja a altura de repelir esse tipo de gente nos representando...

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