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BOLSONARO NUNCA SERÁ PRESIDENTE... NEM LULA!

Jair Messias Bolsonaro Não será Presidente - Blog do Asno
Eu utilizo o Youtube apenas para estudar. Ficariam surpresos ao perceber quanto material rico em informação existe por lá! Pode se aprender Cálculo, aperfeiçoar o estudo de idiomas, enriquecer o domínio de qualquer campo do conhecimento, avaliar os acontecimentos atuais e comparar informações. O problema é que o Youtube se alimenta do gosto exótico dos usuários da internet e é desse modo que a rede esfrega em minha fuça aqueles vídeos recomendados de acordo com sua popularidade. Quase sempre os ignoro, mas às vezes sou conduzido por uma mórbida curiosidade para analisar o que tornaria um vídeo compartilhado tão popular.

É constrangedor constatar que a média de inteligência da nossa população tem definhado cada dia mais devido a uma desídia coletiva fortalecida pelas facilidades tecnológicas que poderíamos aproveitar para melhores propósitos. O absurdo é tão extremo que através do Youtube se resgatou a crença de que a Terra é plana, de que o homem jamais pisou na Lua, de que o mundo irá acabar (de novo!), de que somos experimentos de ETs, de que a solução para a falência da segurança pública é o armamento da população, de que existe uma conspiração para impedir que tecnologias como o carro movido à água venham a ser implementadas, de que o Voto Nulo anula eleição, de que o mundo está sob o domínio de uma Nova Ordem Mundial (de ETs!) e de que o Nióbio e o Grafeno são as soluções para a economia do Brasil. Escrevi sobre a mentira do Voto Nulo (leia aqui) há cinco anos e a mentira ficou ainda mais forte em 2017. Também completará cinco anos desde que escrevi sobre a falácia do Nióbio (leia aqui) e considerava a questão superada, porém vejo o seu resgate muito mais forte agora.

Na Alemanha ensina-se Cálculo I no ensino médio e aqui no Brasil ainda confundimos Moral com Ética e ignoramos os significados de Esquerda, Direita, Fascismo e Comunismo. A confusão só aumenta e vai-se mais uma vez a minha esperança de que em três décadas nossa nação estaria mais desenvolvida intelectualmente. Desde os protestos de 2013 eu já não alimentava a fé de que a população se tornaria mais esclarecida politicamente. A nossa preguiça é tão exagerada que parece doer quando somos obrigados a digerir as informações e forçar uma capacidade bovina para ruminar o que aprendemos. Não bastaria apenas ler as notícias, mas compreender o contexto, comparar dados e interpretá-los. Ler dói... É mais fácil adquirir conhecimento através do compartilhamento de milhares de "especialistas" que abundam no esgoto do inferno que são as redes sociais. De repente, todo mundo se tornou especialista em leis sem nunca ter lido a Constituição Federal. Todo mundo se tornou especialista em soluções que mudariam os rumos do nosso país sem nem mesmo buscar entender como funciona o nosso Sistema Eleitoral. Tratamos a política brasileira como uma inútil partida de futebol.

Eu alertei para o fato de que as massas ao serem provocadas podem assumir qualquer forma imprevisível e o resultado jamais foi bom. É dessa maneira que nascem os "messias" que supostamente irão nos salvar da nossa própria miséria política. O primeiro messias é o Sr. Luis Inácio Lula da Silva, para o qual não dedicarei mais do que uma frase. Não importam quantos fiéis esse imprestável ainda mantenha, não atingem mais do que 20% da população e só uma avalanche de votos nulos poderiam tornar sua eleição provável já que sua rejeição supera qualquer estatística. Mas, a fé no seu antagonista, Jair Messias Bolsonaro, é que me preocupa. Eu já escrevi boas coisas sobre Bolsonaro e ainda mantenho a convicção de que pelo menos mais uns dois como ele deveriam sempre ser eleitos para o Congresso. De repente Bolsonaro se tornou entendido em quase todas as coisas bastando assistir a alguns vídeos do jornalista Olavo de Carvalho, seu guru.

Eu aprendi muito assistindo aos vídeos do Olavo de Carvalho, mas não concordo com tudo o que o velho diz, assim como mantenho reservas com todas as fontes de informação que costumo pesquisar. Tenho minhas fontes prediletas e também costumo comparar com aquelas que desprezo totalmente como forma de construir meu próprio juízo sobre as questões. É por isso que em um caso ou outro tenho condições para concordar ou não. O que valorizo no Bolsonaro é sua determinação na defesa de alguns valores morais que compartilho e também por que sou defensor da Corporação da Polícia Militar. Uma pessoa como ele é vital para o equilíbrio do debate democrático, sobretudo no Congresso. No Congresso, jamais no Executivo! Vamos aos pontos que impossibilitam uma presidência conduzida por Bolsonaro.

Posição Política
Apesar de defender alguns valores conservadores isso não significa que Bolsonaro seja de Direita (a maior parte desconhece esse sentido). Em alguns casos suas posições são mais daninhas do que as dos ditos progressistas e em muitas vezes suas votações são alinhadas a estes. Em 25 anos de vida política ininterrupta conseguiu aprovar uma única emenda que obrigaria a impressão de um "recibo" após a votação na urna eletrônica. Já foi candidato à eleição da mesa diretora da Câmara Federal por três vezes obtendo apenas 04 votos. Independente de quais sejam as razões, um cara que está há um quarto de século no parlamento e não conseguiu apoio nem para suas proposituras ou mesmo uma simples eleição para a mesa da Casa teria que condições para ser presidente de algo mais do que um condomínio?

Nióbio e Grafeno
Após Enéas Carneiro, Bolsonaro se tornou o segundo político a defender a exploração desse minério como uma forma de transportar o Brasil para as primeiras posições em termos de economia. À menos que ele ou quaisquer outros com poder para tanto tornem possível o investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico que obrigatoriamente venham a empregar os dois minérios essa é a maior fantasia que um político pode produzir em suas promessas. O que define a riqueza no que diz respeito a minério não é a quantidade que se possui ou produz e sim a demanda que existe para consumir tal minério. Nióbio ainda não é como o ferro ou outros minérios com grande demanda no mundo. Sua demanda não chega a 4%. Há campos de estudo que conduzem na direção de produzir equipamentos que utilizem esse minério e o Brasil perde mais uma oportunidade de criar demanda para uma matéria prima que realmente ele possui em abundância. Se Bolsonaro demonstrasse como o Brasil poderia produzir tecnologias que necessitassem desse minério ele teria meu voto, mas sua visão ainda é como a do Lula. Ou seja, não deixaremos de ser apenas fornecedores de insumos às outras nações, ou como pregava o molusco, um "celeiro para o mundo". Não tem desgraça pior para um país do que isso. É só ver como progredimos por um curto espaço de tempo quando as commodities subiram durante o governo da praga petista e logo depois fomos mergulhados numa crise incrível quando o preço despencou. É manter o país refém da volatilidade do mercado. Produzir tecnologia gera riqueza, fornecer matéria prima não!

Estatuto do Desarmamento
Muita gente apoia Bolsonaro por que crê que uma vez na presidência toda a população poderá ter acesso a armas de fogo para se defender. A ideia é estúpida demais para necessitar de refutação. Primeiro que, mesmo que Bolsonaro fosse capaz de resgatar um governo ditatorial, jamais ele seria capaz de conseguir tal proeza com esse ou com qualquer congresso eleito pelo povo. Ainda que ele se aparelhasse com os militares isso não aconteceria e de maneira alguma isso também representaria um maior controle da corrupção. A população brasileira já é armada! O fato de ser ilegal não impede que centenas de milhares de brasileiros possuam armas. Na ocasião do plebiscito minha posição era clara e não mudei desde lá. Sou favorável à que todos tenham o direito de possuir armas desde que o privilégio se estenda a TODOS. Se apenas alguns especiais detém esse direito eu sou contrário e ponto final. Com nosso estágio de civilização é melhor que não se outorgue a posse ou porte a ninguém mais do que aos policiais e acabou. Nossa compreensão de democracia e nosso grau de tolerância com as diferenças não é muito distante do da Venezuela e por lá as armas foram liberadas. Vejam o resultado!

Conhecimento e Conduta
Os críticos de Bolsonaro destacam sua inabilidade com os assuntos complexos que um presidente está obrigado a lidar o tempo todo. Isso seria facilmente derrubado, pois, mais ignorante do que ele era Lula e foi eleito por duas vezes! Sua incapacidade não está na falta de conhecimento óbvia e sim na sua impossível habilidade de articular com outras pessoas, coisa essencial para um líder. Bolsonaro está longe de ser o grande líder que o Brasil patologicamente espera. Não se encontra nada de ilícito em seu patrimônio, mas de 2010 a 2014 o patrimônio do deputado cresceu mais de 150%, alcançando mais de dois milhões de reais em bens, segundo a declaração registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nestes últimos anos o parlamentar adquiriu, entre outras propriedades, duas casas na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, no valor de 500 mil e 400 mil reais, respectivamente. Isso apenas com a vida parlamentar em um período de quatro anos. Significa que ele faz um excelente uso do dinheiro que recebe pago por todos nós brasileiros.

Polêmicas
Eu tenho minha convicção para defender a redução da maioridade penal e nisso quase concordo com o deputado. Mas discordo veementemente de sua conduta com relação a homossexualidade e, embora concorde com sua posição contra certas ações afirmativas discordo de como argumenta para defender sua opinião. Bolsonaro é ruim de ideias e pior ainda para defendê-las. Qualquer fala sua gera as mais variadas discussões por que sua retórica é pobre e seu temperamento é uma bosta quando se vê acuado. Da mesma doença padece outro candidato que ainda dedicarei algum tempo para analisar. Falo do temperamental Ciro Gomes. As duas maiores polêmicas envolvendo Bolsonaro foram a cusparada de Jean Willys e o bate boca com Maria do Rosário. Caso a caso verifica-se que o político é desprovido da mínima capacidade intelectual para lidar com casos simples. Maria do Rosário o derrotou na justiça apenas por que ele foi estúpido demais em sua reação quando ela, totalmente errada, o agrediu chamando-o de estuprador. Era um caso para levar a parlamentar ao Conselho de Ética e revelar ao país o quanto aquela pessoa é desprezível e nociva ao exercício da democracia. Em vez disso, reagiu de maneira brucutu e cavou a própria sepultura. Brigar com outra criatura com a importância de um estercorário como o deputado Jean Willys, apesar de lhe conferir enorme evidência nas redes sociais, também demonstra o quão rasa é sua capacidade para debater e disposição para vencer à base de argumentos e não com frases de efeito e provocação.

Em resumo, Bolsonaro não tem a menor capacidade ou chance de chegar sequer ao segundo turno das eleições de 2018. Cagaria logo na largada da campanha e detonaria uma rejeição gigante contra sua vitória. O país é muito conservador, mas tem asco de gente que demonstra despreparo para revidar um oponente com a elegância de um bom argumento. Há um limite para o seu estoque de "tiradas míticas". O acervo de Jair Bolsonaro é pequeno demais para uma campanha presidencial. Isso considerando que ele consiga ao menos ser candidato. Bolsonaro, infelizmente, é a resposta errada que os brasileiros vem dando a si mesmos por que idealizam nele uma ruptura do que acreditam ser a política atualmente. Isso já aconteceu várias vezes e se repete por que ainda não nos damos conta de que somos nós os patrocinadores do lixo que se tornou nossa política.

Por mais entusiasmo que ele arranque nas redes sociais neste momento, sua popularidade se deve a falência do raciocínio dos eleitores e não por suas virtudes. E isso é muito volúvel! Redes sociais só influenciam em eleições por que ainda somos preguiçosos demais, estúpidos demais e intolerantes demais. O grande defeito da democracia é que ela nos permite adquirir uma consciência de nossa própria escassez intelectual. Não gostamos do que descobrimos de nós mesmos e com raiva reagimos. Por isso mais merda jogamos no ventilador. Retrocedemos mais de um século em apenas uma década. Em 2018 será outra derrota faraônica para a história brasileira, independente de quais sejam os candidatos (afinal são sempre os mesmos).

A nossa desgraça é que continuamos construindo nosso pensamento e opiniões embasados nos excertos de gente descolada e que fala bem na frente de uma câmera e que depois compartilha numa rede social pra posar de bacana inteligente. Para agravar o que já está ruim, péssimos jornalistas estão recorrendo a essa ferramenta e acabam convencendo os descuidados com a suposição de autoridade sobre o assunto. Imitamos os judeus que ainda aguardam o seu messias que irá por ordem nessa bagaça. Lamento que ninguém tenha entendido que o messias está na mudança de atitude de cada um de nós. Otimismo pra quê?

Um comentário:

  1. Será mesmo? Será que nem o falastrão, nem o messias serão eleitos? Depois que o Trump se elegeu só vejo aqueles que eram ignorados por suas posições aversivas ou pouco confiáveis ganharem cada vez mais voz. Pode parecer derrotismo ou tendência ao caos, mas o caso é se o presidente do país de maior evidencia no Mundo tem opiniões no mínimo discutíveis, o quê dizer do resto da população. Por mais que muitas das suas propostas ou ideais não sejam levados a cabo, seja pela impraticabilidade política ou seja pela incoerência econômica, a envase nele dá voz a muitos ecos outrora calados ou ignorados... E esse levante acaba inflamando a esperança de que alguém como uma posição aparentemente adversa ao atual sistema, mas que na verdade será apenas uma marionete de grupos mais extremistas e antidemocráticos chegue à posições de comando...

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