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20 de Julho: O homem na Lua e o Dia do Amigo

29 de Julho de 1969 - Um Asno
Na verdade existe vasta literatura a respeito da amizade e sobre o Dia do Amigo. Porém, bem poucas pessoas saberiam qual a relação que existe entre o Dia do Amigo e a chegada do homem à Lua. Pois bem, foi exatamente no dia 20 de julho de 1969 que a humanidade conquistava a Lua e promovia um grande salto para todas as próximas conquistas tecnológicas que nos conduziria ao estágio em que nos encontramos. Partiu de um argentino a ideia de escrever cartas para diversos países para que se instituísse o dia do amigo já que, na visão dele, a referida conquista da Lua significava que a humanidade deveria se unir. Coloquei a foto dos astronautas apenas para que se lembrassem que foi essa conquista que sugeriu que a humanidade viesse a ter uma data para algo que realmente damos importância: um(a) amigo(a).

Não há como negar a importância da amizade na vida das pessoas! Mas, melhor do que argumentar sob a ótica da psicologia e da sociologia é falar da própria experiência. Na verdade todos possuem uma rede de amizades com várias intensidades de aproximação e cumplicidade onde somos levados a chamá-los em acordo com esta intensidade variando do parça, chegado, colega, companheiro, amigo do peito e irmão de coração (todos estes para ambos os gêneros). Não são raros os casos em nossas vidas que estas pessoas passam a substituir com louvor o espaço relativo a outras mais próximas até por uma imposição de graus de parentesco. Não é incomum que nós confiemos nossas confidências com muito mais facilidade a alguém que estimamos a amizade, do que até com nossos mais próximos entes. Entretanto, a experiência nos ensina que entre o ser e o estar amigo há sutilezas que não podem ser ignoradas. Polonius não chega a ser uma das personagens mais marcantes da obra de Shakespeare, mas estão em suas palavras grandes conselhos que evitam enormes desilusões: To thine own self be true ("ser fiel a ti próprio", mais ou menos isso!).

Pode parecer extremamente insensível para um pai recomendar ao filho que este seja sempre amigo, mas que não tenha amigos! Polonius morre na tragédia de Shakespeare e suas palavras são caladas pela espada de Hamlet, mas o grande Bardo fez gravar os seus conselhos através dos séculos. E havia razão para isso... Atualmente, com as redes sociais, indivíduos podem se aproximar mesmo estando separados por enorme distância, o que pode ser algo extremamente positivo ou nocivo para as pessoas. De maneira nenhuma estou negando a existência da amizade verdadeira! É apenas uma reflexão, um convite para que cada um avalie sua condição de ser e de estar amigo de alguém. Uma amizade verdadeira exige que um indivíduo esteja disposto a ignorar seus próprios interesses por sua amizade.  E por amizade eu entendo que se estenda a todos os tipos de relações como, por exemplo, entre irmãos, cônjuges, pais e filhos, etc.

Quantos da sua rede de amigos estariam dispostos a se colocarem em segundo plano para privilegiar sua necessidade temporal. Nos tratamos a todos como amigos e eu mesmo gosto de pensar que sou um bom amigo. Porém, isso não é verdadeiro! Há pessoas de quem sou amigo, incondicionalmente, mesmo que não me tenham como amigo. Na maioria das vezes, estou amigo pela circunstância, pela aproximação, pela afinidade, enfim, pela apreciação verdadeira ao outro. Entretanto, a condição ser precisa primeiro passar pela estar. O nível de lealdade, atenção, carinho e afeto em uma amizade verdadeira é muito maior do que qualquer relacionamento circunstancial de uma grei ou uma ocasião qualquer que reúna uma ou mais pessoas.

É também equivocada a ideia de que para ser amigo deve-se corresponder em comportamentos, pensamentos e sentimentos. Tenho amigos que discordam quase que completamente de tudo o que carrego em convicção. O melhor amigo não é o que sempre nos diz o que gostaríamos de ouvir. Uma amizade é aquela relação onde ambos os indivíduos se agregam mutuamente independente de partilharem ou não das mesmas ideias. A correspondência na amizade é uma transferência! Li nesta manhã: "Ninguém é uma ilha!". Claro que não! Não haveria como sermos, ainda que o quiséssemos! Estamos tão conectados, tão emaranhados que dificilmente se destacaria do universo todo apenas um de nós! Parece antagônico que o conselho de Polonius soe tão individualista aos ouvidos de gente que costuma esbanjar camaradagem. Mas, de fato, quem realmente é o mais solitário? Aquele que nunca está acompanhado, mas escolhe se colocar em favor de quem necessita de sua mão estendida, ou aquele que participa de todos os ajuntamentos em turma em busca de apreciação e aprovação, mas quando se encontra só falta-lhe o ombro do primeiro? Estranho, mas atualmente Solidão e Amizade são relativas ao grau de desprendimento de cada indivíduo.

Uma rede muito grande de pessoas passou por minha história, muitas ainda permanecem e outras ainda sobreviverão até ao amigo alemão: Alzheimer! Todas essas pessoas foram uma bênção para mim, seja pelo que representaram ou pelo que me ensinaram. A um número grande de pessoas eu admito que entregaria minha própria vida a fim de poupá-los, mas tenho convicção de que poucos o fariam por mim. Garanto que apenas uns quatro ou cinco... Talvez dois ou três... Mais provável que seja apenas um! Ou quem sabe, ainda, nenhum! Não importa! A eles eu cederia minha vez na fila do céu e sacrificaria até muitos anos de felicidade terrena. Melhor! Eles nunca precisariam saber disso! Nós temos uma parcela de responsabilidade com todas as pessoas que cativamos, isso é verdade! Não precisava um moleque cretino que habita sozinho um torrão com sua rosa nos dizer isso. Contudo, amizade é uma espécie de amor! É o mesmo que afirmar "junto comigo" e são pouquíssimas as relações que podem suportar tal proximidade! Experimente passar suas amizades por um filtro racional.

Seu amigo está com você para o que der e vier na balada? Não é seu amigo! Seu amigo lhe empresta o ombro quando sua carga está pesada demais para você suportar? Não é seu amigo! Seu amigo protege sua falta e torna-se seu cúmplice por que você acredita que assim é feliz? Não é seu amigo! Seu amigo corresponde às suas expectativas quando você derrama lágrimas? Também não é seu amigo! São relações de afeição, muito importantes, porém em um degrau abaixo da amizade. Mesmo que a relação de amizade sempre exija o mútuo valor que se agrega de um para o outro, um amigo de verdade estará disposto a saltar o precipício (metaforicamente falando!), com você se isso for necessário. Ele lhe dará o remédio mais amargo se isso lhe trouxer de volta e ele se afastará (nunca completamente) se for isso o que você estiver precisando. Um sábio nordestino me disse uma vez que: "amigo é aquele cabra que come um caminhão de sal com você e quando acaba ele lhe pergunta se tem mais". Tem alguém assim na sua vida? Tem alguém que foi capaz de esquecer seus próprios interesses para colocá-lo em primeiro plano? Então chame-o de amigo, ele ou ela merecem!

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