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Brasil: Uma Nação de Tolos e Malandros II

Fé Cega - Um Asno
Estou republicando um texto que publiquei em 18 de julho de 2013 (aqui), porque está mais do que evidente: ninguém aprendeu nada! O Filho caçula de Lula faz graça nas redes sociais brincando que a crise está lotando os shoppings e aguardando mesas livres nos restaurantes. Mas, é claro que para um indivíduo que mora "gratuitamente" em apartamento luxuoso em bairro nobre de São Paulo e recebeu R$ 2,5 milhões para copiar e colar um texto da Wikipédia (e nem compartilhou com os caras!), crise é coisa para piada mesmo! Todos os dias vejo milhares de pessoas engrossando filas no Poupatempo e na Caixa Econômica por que deixaram a condição de empregados. Vejo comércios fechando e pessoas perdendo seus bens. Lógico, crise também é uma grande oportunidade para aqueles que não foram afetados ou que anteciparam o que esses treze anos de governo míope causariam ao país e novos negócios surgem todos os dias. Ocorrem grandes distorções salarias devido a isso!

Ainda escreverei mais, porém nesse instante vale repetir o que disse há quase três anos. Mais do que em outros tempos há uma visão comum no Brasil de que somos um país dominado pela corrupção. Verdade! Adiciona-se à essa visão a ideia de que somos impotentes e vencidos pelos pilantras. Falso! O Brasil vem se tornando um país onde quem trabalha honestamente é taxado como tolo, por não saber, ou não aceitar, os ‘benefícios’ que a malandragem traz. Formou-se um senso comum de que em todas as áreas, existem, pessoas honestas, porém são obrigados a calar-se, diante de ameaças, enquanto os picaretas agem. Existe, sim, um número gigante de pessoas de baixa moral, caráter frágil e falta de seriedade com o alheio, sobretudo, entre os políticos.

Há milhões de atitudes corretas sendo realizadas todos os dias. Quem está lendo essas linhas pode pensar em várias ações afirmativas e idôneas que realiza num único dia. Porém, estas ações não dão audiência. O fetiche geral é com o delito mesmo. Gostamos de exibir nossa capacidade de julgar os erros alheios quando são esfregados em nossa fuça o tempo todo em programas especializados em banalizar e trivializar o crime e a desarmonia social. Há muito discurso eloquente e muita bobagem delinquente associada a uma visão de luta de classes sociais, ou ainda, uma vigarice intitulada "justiça social". Ora, um indivíduo pode ser doente por vários fatores, mas nunca por ser pobre. Digo "doente" porque um indivíduo com problemas de moral e caráter pode facilmente ser incluído na categoria dos psicopatas. E... psicopatia NÃO TEM CURA!


Me causa náuseas cada vez que vejo um artigo publicado em um jornal sério repetindo essa cretinice de que a má distribuição de renda é que constrói bandidos. E os bandidos da alta sociedade? E os milhões de pobres operários que vivem em situação abaixo da mediocridade e preferem suportar a injustiça de serem aviltados pelo estado de direito, mas não sucumbem a tentação do consumismo para se tornarem criminosos? O Brasil é assim: surge um problema recorrente, ao invés de resolvê-lo de verdade, criam-se fóruns e fica-se apenas discursando bonito, jogando a culpa nos outros ou criando suposições dialéticas para que não se aprofunde a discussão. A culpa é do "outro" e ponto final.

Governos repetem os mesmos erros, as mesmas fraudes, os mesmos esquemas, a mesma falta de caráter ideológica a todos os partidos. Os discursos podem parecer diferentes, mas são invariavelmente os mesmos, dito com outros sinônimos. A falta de vontade para resolver questões definitivas é o ponto chave. Quem paga seus impostos, contribuições e taxas em dia e outras porras mais, quando menos espera, é chamado de otário. Porém, é aos psicopatas que nós adoramos! São eles que reverenciamos a cada aparição na TV e nos jornais. Quanto mais popular (mais exposto na mídia), mais nos simpatizamos com o crápula. É uma patologia com diagnose conhecida, mas sem remédio. Quem manda querer ser honesto? Aos inescrupulosos, tudo, pois é por eles que se governa. Este é um país feito para gente desonesta. Não no discurso, obvio, mas na prática diária.

Tudo nos diz: “Vencer é fácil. Difícil é competir dentro das leis, não só de mercado!”. É que os bandidos encarcerados ainda não se tocaram, mas poderiam viver de palestras, mostrando como virar empreendedor, sem atentar para critérios éticos, morais e legais. É uma profissão muito lucrativa atualmente e só precisa fazer o que já dominam bem: mentir! Nossa cultura repudia os enormes assaltos que os corruptos realizam quando expostos a radiação do dinheiro fácil e disponível em grande quantidade para as realizações "mais do mesmo", mas acha normal receber seguro-desemprego, enquanto trabalham! É uma canalhice sem tamanho! Roubar uma caneta Bic é diferente de roubar uma BMW? O verbo é o mesmo: ROUBAR!

A dinheirama à disposição é tão grande que inflama os discursos mais benevolentes. Mas, na hora de aplicar os cobres... Constroem-se casas com material de quinta (algumas vezes, de !), fabricam-se asfaltos de péssima qualidade, empregam-se os piores profissionais para as funções mais relevantes, etc, etc, etc. Tudo isso para sobrar umas garfadas privilegiadas da torta monetária. Claro! Pois, eles acreditam que é seu mérito adquirido por causa do cargo que ocupam! Me causa calafrios cada vez que vejo uma publicidade dos mais diversos órgãos informando essa ou aquela medida para aumentar a capacitação da mão de obra. Uma das mais cretinas falácias do falso Brasil industrializado. É claro que falta mão de obra qualificada no país. É óbvio que faltam profissionais preparados em todas as esferas operacionais dessa nação e é obscena a formação precária "democratizada" com dinheiro público nas universidades e faculdades. O compromisso não é com a formação! O compromisso é com a grana que pode ser desviada!

Vamos a um exemplo básico! O seguro desemprego sofreu algumas alterações e um desempregado para receber o benefício, obrigatoriamente deve cumprir uma jornada em um curso profissionalizante disponibilizado por entidades aprovadas pelo Ministério do Trabalho. Perfeito! Já estava mais do que na hora da farra ser estancada. Mas, espia... A grade de cursos disponíveis é patética! Na maioria das vezes, pessoas muito mais qualificadas que os "capacitadores" são obrigadas a cumprir essa detenção inútil em um curso que em nada lhes acrescenta. Tomo como exemplo a cidade de Birigui. O discurso de introdução de um desses cursos disponibilizados pelo SENAI biriguiense foi que a capacitação é a ferramenta que possibilita um acréscimo de renda aos profissionais e que uma formação adequada daria ao funcionário de uma empresa o poder de negociar um aumento de seu ordenado. Também foi afirmado com muita convicção que a renda nesta cidade é baixa por causa da má qualificação da mão de obra. Parece correto, mas na prática isso é falso como nota de 30!

Não é verdade que a renda é baixa devido a precariedade na qualificação. A renda é baixa porque o produto predominante na cidade é barato (se comparado com outros produtos de maior valor agregado). Daí que um empresário para obter um lucro razoável precisa de uma produção gigante. São milhares de pares de calçados para equivaler a produção de um único automóvel, por exemplo. Além do mais, há um volume exagerado de funcionários formados e com bom currículo sendo aproveitados em esteiras de montagem e subutilizados em funções administrativas de baixo impacto. O que acontece com a maioria dos profissionais que se qualificam e não pretendem aleijar seu intelecto no limbo de uma fábrica de calçados? Ou tentam uma das opções mais gratificantes na região (são pouquíssimas), ou vazam para outras cidades.

Criticam tanto a falta de formação dos profissionais, mas se esquecem de que um cara que rala para se qualificar deseja, no mínimo, uma compensação equivalente ao seu esforço. De que adianta estudar tanto e sacrificar seu lazer para aumentar seu conhecimento em cursos específicos se depois a vaga disponível é inferior ao seu talento? Tem mais! Se um funcionário "se atrever" a pleitear um aumento porque seu currículo sofreu uma alteração positiva receberá a seguinte resposta: "O que temos é isso aí. Se não estiver satisfeito, lá fora tem pelo menos uns quinze que preencherão sua vaga por muito menos!". A esta altura alguém imagina: "Ah, mas você está exagerando! Nem todos os empresários pensam assim". Verdade! Há empreendedores que já aprenderam que o seu melhor capital é o funcionário capaz, mas eles não podem empregar toda a mão de obra qualificada disponível. Para ilustrar melhor, quantas vezes os biriguienses trocaram de CEP para outras regiões para serem melhor valorizados, enquanto que a maioria do empresariado local fica importando estrelas (em grande parte improdutivas), de outras cidades?

É justo afirmar que muitos profissionais que migraram de Franca, Jaú, Novo Hamburgo, Parobé, Mogi Mirim, etc, acrescentaram em muito com sua bagagem empírica. Mas, uma parte apenas se deita sobre os resultados alheios que sempre precisam das habilidades dos profissionais locais. Mais de uma vez pude ver que as famosas consultorias contratadas de fora apresentavam ideias e resultados de realizações locais como sendo de sua propriedade sem dar o crédito aos verdadeiros realizadores. Mas porque as ideias não eram apresentadas antes e só conseguiam ser ouvidas como soluções se proferidas pelas estrelas importadas? Simples: santo de casa não faz milagre!

A cidade já teve um dos melhores engenheiros de produção do país. Perdeu! Pelo menos quatro de seus excelentes programadores estão empregados na Microsoft, ou outras agências gigantes de tecnologia da informação. Perdeu! Seus analistas de planejamento mais capazes evadiram-se para outras cidades. Perdeu novamente! E perderá eternamente, enquanto durar essa doença em conduzir essa cidade apenas pela monocultura calçadista. Bem, mas existem outros segmentos na cidade! Então, porque não forçam mais a qualificação para a indústria moveleira, gráfica, metalúrgica, mecânica, tecnologia de informação, etc? "Mas, esses cursos existem!". Vai pagar, então! São bem acessíveis para quem ganha a miséria paga a um sapateiro. Ninguém mais quer trabalhar na indústria de calçados! Restam apenas os que não têm opção, ou são menos qualificados para outros desafios.

Agora o grande final! Alguém já deve pensar na ameaça de levar as indústrias de calçados para outras regiões (como já ameaçaram e fizeram outras vezes), causando o pânico nas pessoas com o desemprego. Isso fatalmente ocorrerá um dia ou outro, mas se as pessoas sérias estiverem se ocupando disso agora, será a melhor coisa que terá ocorrido a essa cidade em seus cinquenta anos de monocultura. O que transformou o mundo de vez foi justamente a abolição da escravatura. Sem o recurso de sua mão de obra barata, os capitalistas tiveram de reinventar o capitalismo fazendo com que uma melhora aos operários fosse gradualmente conquistada. Birigui precisa quebrar de vez, para poder voltar a se afirmar como uma cidade realmente industrial. O sapato deixa muita gente rica, mas é injusto ao distribuir essa riqueza porque é incapaz de distribuir seu lucro sem que seja de maneira desigual. Um sapateiro precisa produzir muitos pares (a famosa per capta) para justificar seus míseros R$ 705,00 (piso atual da categoria). Quantos automóveis um montador precisa produzir para justificar seu piso de R$ 1.700,00 (antes era 3 mil)? (Valores de 2013).

A solução para essa cidade é a diversificação dos segmentos atraindo outras indústrias e uma higienização dos cursos profissionalizantes locais. Em 1982 e 1983 fiz um curso em Araçatuba que me possibilitou me tornar um programador e (sem falsa modéstia), um excelente operador de computadores. Atualmente, dois anos de "qualificação" nos cursos de informática locais não capacitam os operadores a irem além das configurações do painel de controle do Windows. Dois anos para formar usuários "meia boca" de computadores! Os bons programadores, os bons webdesigners e designers terminam sua formação em casa mesmo. Aliás, boa parte do que é oferecido como cursos de qualificação na maioria das cidades, não passam de puro estelionato e furto qualificado!

Só para esclarecer! Furto qualificado mediante fraude é, segundo o Art. 155 do Código Penal, "Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel. (...) § 4º (...) II - Com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza". Já o Estelionato, segundo o Art. 171, é "obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento".

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