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TODO CASTIGO PRA BURRO É POUCO!

Jair Messias Bolsonaro - Blog do Asno
Prometi que só iria escrever alguma coisa sobre o governo Bolsonaro após passados ao menos quatro meses. Havia deixado outro texto pronto desde a eleição e 80% dele ainda vai conservado nas palavras seguintes, porém vi que a escritora Eliane Brum se antecipou e publicou um duro artigo no jornal El País (aqui) com uma abordagem interessante. É óbvio que discordo veementemente das conclusões da, também, documentarista e repórter, mas há elegância em seu raciocínio e vale a pena ser lido. Ela acerta com maestria quanto a invenção da antipresidência personificada pelo governante bufão, mas se equivoca ao crer que alguns sinais evidentes do mutismo da democracia são efeitos da desarmoniosa regência de Bolsonaro. A conclusão é justamente o oposto e foi isso que, ineficazmente, tentei comunicar antes do pleito. Bolsonaro é o efeito e não a causa!

Jair Bolsonaro apenas responde a uma nação de exasperados que encontraram nele e em seu guru Olavo de Carvalho (nunca Donald Trump!), um discurso coerente com o descontentamento, cujo embrião foi concebido no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e nutrido durante os anos seguintes até a queda de sua sucessora. A era petista no governo foi a mãe da tragédia que fabricou o espectro do antagonismo. A filosofia do "Nós contra Eles" foi bem sucedida! Não existia o "Eles", éramos todos uma única nação com desejos e concepções variadas. Agora somos divididos não só por opiniões, mas também fisicamente. Ressuscitamos o conceito do diferente tal como inimigo. Eliminamos de vez toda e qualquer possibilidade de debate e essa fúria despertada não se abate nem se modera até que seu apetite seja consumado através do horror. Apenas uma força tão grande quanto a que despertou esse rancor pode, enfim, estancar o fluxo contínuo desse dano.


Em outras palavras, apenas um episódio cuja repugnância seja superior ao estrago causado pelo despertar da violência poderá restaurar o equilíbrio. Caso contrário, repetiremos o dano indefinidamente e seguiremos sendo governados por outros messias populistas sem quaisquer condições de nos liderar para o resgate de nossa personalidade real.

A violência sempre esteve conosco e faz parte de nossa condição humana desde o nosso surgimento. Aos pacíficos, basta serem provocados na medida certa e no tempo preciso para liberarem seus instintos na proporção da energia que empregam para se manterem mansos. Todos somos conscientes do quão brutos podemos ser e acusar o bolsonarismo de ser uma corrente que alimenta essa bestialidade é no mínimo ingênuo. O bolsonarismo apenas se alimenta disso e reage com mais fúria a cada vez que algum intelectual tenta associar a violência aos seus hábitos virtuais. O ódio é um sistema que se retroalimenta até que algo repugnante exerça a força necessária para estancá-lo. Ao afirmar que a violência de agentes das forças de segurança do Estado (que sempre existiu!) se desencadeia por que o messias do bolsonarismo assim estimula, Eliane Brum comete um erro e fornece mais combustível para a reação agressiva deles. Repito! Se olharmos um trecho de nossa história um pouco antes de Bolsonaro ganhar atenção nas mídias sociais, veremos que o rancor já havia se estabelecido e apenas ainda não havia ninguém que o representasse satisfatoriamente aos que se julgavam agredidos e injustiçados.

Brum, em seu texto, chega a sugerir perigosamente que as ações "perversas" do bolsonarismo são calculadas. Não são, Brum! Há perversidade e oportunismo, é fato. Porém, está superestimando o idiota útil que Jair Messias Bolsonaro se tornou. O pensamento por trás de tudo isso é sim, muito perverso, contudo não há rota definida, apenas laboratório como seu texto muito bem identifica. Não existe pauta alguma. Bolsonaro é como o cão que correu quarteirões atrás de uma roda de carro em movimento e agora que o carro parou, não sabe fazer outra coisa, senão procurar outra roda em movimento. Ele se produziu a partir do conflito das redes sociais e para continuar fortalecido precisa sempre estar em conflito. Mal para o país que até agora não conheceu o seu presidente e, neste ponto, eu acertei em cheio. Bolsonaro nunca será presidente do Brasil! Discordo do texto de Eliane quando afirma que "o bolsonarismo simula a sua própria oposição, neutralizando a oposição real e silenciando o debate". É óbvio que o resultado é a neutralidade da oposição de fato, mas o messias é incapaz de simular coisa alguma... Ele é totalmente precário da forma como se apresenta! Basta para isso revisar sua vida de parlamentar dos últimos 28 anos... Ganhou projeção graças a deputada baderneira, Maria do Rosário (PT), e a trapalhada do "Kit Gay". Fora isso o que se tem de sólido a seu respeito?

É claro que não se pode negar a eficácia desse acidente de percurso! A oposição age como de fato é... Incapaz de interpretar o que os fatos revelam e com isso segue bloqueada sem qualquer condição de atingir o messias... Por enquanto! Não temo a articulação calculada dos militares que ganham cada vez mais espaço e suprimem os tropeços do presidente bufão. Como eu disse, apenas oportunidades criadas a cada vez que o idiota se mete a falar sobre o que não domina. Não foi calculado! Foi acidente de percurso. Oportunidades... Para inteligentes oportunistas!



Eliane escreve que "se fôssemos um país decente de gente decente pararíamos diante da barbárie e exigiríamos justiça" referindo-se a vários casos de barbárie ocorridos durante os cem primeiros dias de governo do messias. Não somos, Eliane! Primeiro porque o elegemos e queríamos a sua liderança. Aqueles que votaram no messias e aqueles que votaram contra os seus adversários por que o consideravam "menos pior" (sic), são os verdadeiros responsáveis pela cadeia de eventos dramáticos que ainda irá ocorrer. Se alguém nutre esperança de ver realizada alguma das propostas do messias durante esse governo já deve estar mais ou menos claro que isso não acontecerá. A Reforma da Previdência como proposta pelo mega ministro Paulo Guedes já era! Alguma coisa será aprovada, mas nem de longe será o que o país realmente necessita! Alguma coisa de razoável há de acontecer até o fim do mandato, mas até o Collor conseguir o mesmo feito! Esse governo será aquilo que já escrevi: Mais do Mesmo! O problema real é a frustração que alimentará outra eleição com outro salvador ainda menos preparado. Como podem ver, o problema nem de longe é o bolsonarismo. Amanhã poderá ter outro nome, quem sabe dorismo! Não importa, somos nós os verdadeiros bolsonaros e somos milhões não um só!
 

Sim, Eliane, o "Brasil se espanta muito menos do que há bem pouco tempo atrás com o cotidiano de exceção". E, sim, é desse modo que o "totalitarismo se instala". Porém, o horror da exceção que o "Brasil já vive, a falsificação da realidade, a corrupção das palavras e a perversão dos conceitos" não são parte da violência que se instalou no Brasil, nem tão pouco são parte de algum método. Não somos vítimas desse processo, somos os principais agentes e é só nesse ponto em que a escritora se engana dramaticamente. Não haverá pressão popular no sentido de fortalecer as instituições. Não haverá "pressão por outros diálogos e outras ideias e outras realidades" que ainda respirem no país e a imprensa está cagando na única arena onde seria possível abrir espaço para o pluralismo real. Nunca a pressão por justiça insuflada pelo povo trouxe justiça de fato e em muitos casos foi justamente isso que nos condenou a barbárie.

Essa história de criar o “comum” foi o que nos trouxe a esse estado de drama. Quando se busca o consenso, a comunicação (ato de tornar comum) esquecemos que os que ficam fora do consenso vez por outra podem ascender e dominar os contrários. Assistimos a isso recentemente. A escritora acredita que a raiz do mal esteja no bolsonarismo e eu afirmo categoricamente que este só surgiu por que o terreno estava fértil. Nunca se proliferou tanta aberração intelectual quanto no período pré-bolsonaro. Bolsonaro não criou a guerra contra a ameaça do “comunismo”, foi alçado ao posto de maior protagonista porque respondia ao anseio dos burros que surgiam desgovernados e se perdiam em teorias da conspiração e discussões sobre a Terra ser plana ou não. Quando estúpidos se acham sábios e querem reescrever a história, só precisam que os supostamente inteligentes não os compreendam.

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