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Tempestade na Economia - Um Asno
Há perturbações na superfície do lago e não é só o vento. Há algo mais querendo imergir da profundeza escura para a superfície daquilo que chamamos realidade. Ao longo do tempo lendo os mais diferentes veículos de informação e acompanhando as manobras de vários tipo de grupos de diferentes ideologias, a gente acaba desenvolvendo certa sensibilidade para perceber um perigo oculto e iminente. Em outras palavras, de tanto agirmos como presas incautas, nos colocamos em alerta com pouco ruído. Antes de 1998 debati sobre a ameaça que viria da China ao nosso modelo de negócios. Antes de 2008 defendi meu ponto de vista quanto a queda da economia norte americana e recentemente alertei que o momento seguro para se investir em ações da Petrobras ainda não aconteceu. Em nenhuma dessas ocasiões fui capaz de convencer (e ninguém o seria), por que ainda não fui privilegiado com a habilidade de vaticinar o futuro com datas precisas. O que escrevo agora é apenas um registro de uma sensação. Posso estar assustado à toa, mas enxergo sobre os fatos uma leve neblina que não assusta e nem se revela como ameaça alguma. Pelo contrário! Todos estamos vendo a mesma neblina, porém como um fato completamente natural.

Pois bem! Algo não está normal no globo (e na Globo). Começo a ter graves convicções de que o problema na economia global não está se dissipando como aparenta. Estamos, sim, é naquele momento ludibrioso que faz um indivíduo se encontrar aliviado no olho de um furacão. Há uma tênue fumaça sobre o abstrato buraco que foi aberto na economia do mundo. Governos utilizaram todas as ferramentas de que dispunham para aliviar os resultados da crise e garantir prosperidade na sequencia. Bancos Centrais inundaram o mercado com moeda para garantir o fluxo rumo a retomada da produção e da riqueza. Acontece que o buraco deixado pelos gananciosos que nos apresentaram ao horror da crise financeira nunca foi coberto de fato. Aqueles especialistas gananciosos saíram da crise bonificados por terem, de maneira rápida e eficaz, feito o dinheiro evaporar das mãos de uns e se materializar nas mãos de poucos. Isto nada tem a ver com o fracasso do modelo capitalista e, sim, com o retrocesso da humanidade em seus valores morais.

Desperto muito cedo e me obrigo a ler tudo o que é tornado público, mas algo não se encaixa... Notícias me conduzem a cenários onde vejo uma Alemanha modelando a Europa com austeridade, a Grécia lutando para se sustentar, mesmo em ruínas, os EUA com modesta recuperação e avisando que retornará a conduzir as nações, a Rússia e sua obsessão com a Ucrânia novamente, a Venezuela com seu discurso frouxo de ameaça ianque, frações do Oriente e sua intolerância histórica, o Brasil e sua vesga divisão falaciosa entre direita e esquerda e assim por diante... Apenas fumaça! Uma fumaça que esconde o óbvio: o colapso ainda não aconteceu! Outra vez não me é possível enxergar em que momento o elo responsável pela manutenção da saúde das nações se romperá. Porém, já é claro que há sinais de rompimento. A banalização da informação, o nivelamento mundial pela média e a obsessão pela tal "justiça social" tem cegado as lideranças e aquilo que simplesmente "é", passou a ser tratado como o que achamos que deve "ser". Há uma distância enorme e isso irá parir modernos monstros no comportamento humano.

Já me repetiram diversas vezes a tal experiência realizada colocando-se um sapo em uma bacia com água quente. Nesse caso, o sapo salta fora do recipiente antes de morrer com a elevada temperatura. Segundo a estória, se o mesmo sapo for colocado em uma bacia com água fria e gradualmente aquecida, o anfíbio irá morrer, ainda que perceba que as condições a sua volta estão mudando. Alguém cantou que "alguma coisa está fora da ordem..." e ele não poderia estar mais certo. Enquanto discutimos fumaça, percebemos apenas a fumaça e não enxergamos os perigos que ela pode ocultar. Seja qual for o perigo que ameaçadoramente nos espreita, não se trata do Fim do Mundo, mas com certeza abalará muitas convicções. Eu mesmo me obriguei a decompor minha sensação até ter certeza de que não estaria contaminado pelo pessimismo. A verdade é que como predador e presa aprendi a reconhecer o momento do confronto entre os dois. E a eficácia desse momento está justamente no fato de que é inesperado pela presa relaxada e vulnerável. Hoje percebo-me como presa.

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