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Um país sem história... Condenado a repetir todos os erros do passado!

Incêndio no Museu Nacional - Blogo do Asno
Para quem nunca foi a um museu na vida, nem ao menos tem o mínimo interesse por esse tipo de atividade cultural ou para quem compartilhou horrores sobre a tragédia ocorrida recentemente no Museu Nacional sem nunca ter colocado em suas metas pessoais uma visita aquele lugar, é difícil segurar uma revolta pessoal e não registrar um mínimo comentário acerca do que realmente está em jogo. O museu já era e com ele a nossa história evidenciada. Existe um culpado? Pode apostar que sim! O incêndio foi provocado? Pode apostar que sim! No dia 2 de setembro carbonizaram-se as mais importantes relíquias históricas do país e parte dos registros da humanidade. O mais antigo museu do Brasil, o Museu Nacional, que é subordinado à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e não recebia atenção de seus responsáveis para manutenção e conservação, pelo menos desde 2010, foi destruído pelas chamas de um incêndio que jamais teria acontecido, caso houvesse vergonha na cara de seus gestores. Além da universidade dar mais prioridade à captação de verba para criar sua rádio FM, a UFRJ gastou mais com o salário de seu reitor do que com a manutenção do museu.

O pico de investimentos para conservação do edifício foi em 2013, quando a universidade destinou R$ 284,1 mil para a manutenção do museu. Desde então, os valores anuais caíram para cerca de R$ 163 mil em 2014 e 2015, e despencaram para meros R$ 5,1 mil em 2016. A situação não melhorou substancialmente em 2017, quando apenas R$ 26,4 mil foram gastos com a conservação do imóvel (sendo R$ 5,5 mil até o mês de agosto). Neste ano, o corte foi ainda mais drástico, a UFRJ não gastou 1 centavo sequer com a manutenção do palácio do Museu Nacional em 2018. Porém, a fatia de gastos com pessoal da UFRJ vem subindo ano a ano e alcançou 87% do orçamento da universidade em 2017, segundo dados do Ministério da Educação (MEC). Em 2013, esse percentual já alcançava o absurdo percentual de 82%. Nesse período, as despesas com o quadro de funcionários foram as únicas que cresceram acima da inflação, chegando a R$ 2,7 bilhões no ano passado. 

O Reitor da UFRJ, Roberto Leher, e o Diretor do Museu, Alexandre Kellner, são os verdadeiros responsáveis pela tragédia ocorrida? Por que esse episódio lastimável pode ainda ter piores sucessões no país? As respostas não são curtas, mas somam-se em uma constatação. Primeiro, apesar de serem mesmo responsáveis pela tragédia, o reitor e o diretor são apenas consequências de uma estupidez galopante que insistimos em repetir em todas eleições. Kellner assumiu a menos de um ano, mas já é responsável pelos filhos da viúva. Os dados mostram que há “excesso de funcionários” na UFRJ, situação que se repete em quase todas as outras instituições públicas, a exceção da Saúde! Isso acontece por duas razões. Profissionais envolvidos com atividades culturais são mais aguerridos e ativos quando o assunto é política, portanto, mais militantes e facilmente alocados em repartições públicas. Embora o Brasil possua um número magnifico de bons profissionais e cérebros de altíssimo valor, eles estão com suas ideias e pesquisas subordinadas às gavetas ou a iniciativas internacionais. No Brasil se ocupam mesmo é em dar aulas para uma maioria absoluta de desinteressados.

Contudo! As eleições são a causa! Elegemos representantes que levam consigo uma galáxia de parceiros, cabos eleitorais e indicados que lotam cargos importantes da máquina pública sem o menor compromisso com suas missões como servidores. Não é necessário buscar muito longe. Basta observar nos próprios municípios a quantidade de assessores ineptos e secretários imbecis que são loteados pelo executivo para corresponder a fidelidade que mantiveram com ele durante a campanha eleitoral. Pegue-se esse exemplo e multiplique-se pela esfera estadual e federal. Daí se compreende por que tanto dinheiro surrupiado do povo através de impostos nunca é suficiente para garantir um mínimo de serviço apropriado para quem paga por eles: o contribuinte. Escolhas erradas do eleitor são a causa e pela lógica encontramos os culpados pelo incêndio do Museu Nacional: nós todos que mantemos esse sistema eleitoral falido e ineficiente.

Sabe quem detém a autonomia para gerenciar as verbas recebidas pelo governo para administrar todo o complexo onde também se incluía o Museu nacional? A UFRJ! Ela mesma. Embora o reitor e o diretor tenham aparecido publicamente para tirar o orifício rugoso do ângulo octogonal (fiofó da reta), ambos sabem muito bem que o governo não decide para onde vão os milhões destinados àquela instituição. Em qualquer lugar do planeta onde existem importantes patrimônios como aquele que virou carvão, a administração está nas mãos de uma entidade privada. O mesmo foi sugerido para o Museu Nacional, porém a turma que ocupou aquela universidade não aceitou porque dessa forma eles não seriam favorecidos financeiramente. Alegaram um discurso falacioso de que estaríamos entregando nossos tesouros aos estrangeiros. Pura bobagem!

Além do mais, não faltam recursos para as universidades federais. Entre 2007 e 2012, foi colocado em prática o Reuni, programa do governo para expansão e interiorização das universidades. Isso levou a um aumento dos investimentos naquele período com a construção de novas unidades, porém, como consequência, elevaram-se os gastos com custeio e pessoal e aumentou a necessidade de gestão eficiente. A UFRJ está rodando com déficit crônico desde 2015”. A universidade prefere recorrer a emendas parlamentares (mais leite da teta) do que oferecer garantias de que o parcerias privadas poderiam ser honradas. Entre os projetos contemplados para a entidade, está a Rádio UFRJ, que recebeu R$ 1,4 milhão só no ano passado. A gestão por entidade privada sem fins lucrativos é a única solução satisfatória. A OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) é um exemplo de como esse modelo é muito melhor para garantir que tragédias daquele porte não se repitam.

Má gestão e falta de planejamento ocorre em maior escala quando se coloca a máquina nas mãos de operadores sem habilidade e sem compromisso com o que fazem por que nas suas cabeças basta pedir mais dinheiro ao governo. Nas despesas da UFRJ encontram-se gastos acima de dois milhões de reais só com combustível e lubrificante para carros oficiais, outros três milhões com gratificações livres para servidores e quase quatro milhões com telefonia. Meu chapa! Se me derem orçamento sem fim e quando eu estourar tudo apenas ter de pedir mais e o governo ser obrigado a me fornecer eu administro até a ONU! Ficou provado, com a certeza dos fatos, que a destruição física de nossa história ocorreu por incompetência, negligência e má fé. Fica provado também que todos somos responsáveis por esse vexame já que estamos cagando para quem elegemos e outorgamos as nossas responsabilidades. Continuem esperando por salvadores... Outras coisas irão queimar ainda!

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