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Eleições 2018: A vitória da esquerda no Primeiro e Segundo Turno

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O regime democrático é a única garantia que os homens conseguiram inventar para que os diferentes convivam sem buscar a eliminação do outro. Ainda que as paixões estejam acentuadas nesse momento, não se pode permitir jamais a decadência para messianismos que já mutilaram nações como se pode ver na própria Venezuela. Aqui vale dizer que não importa a corrente de pensamento, esquerda ou direita. Governar um país exige mais do que personalidade ou vontade. Um país não é um laboratório para se testar teorias ou empreender aventuras econômicas.

Dediquei meu tempo durante doze anos para combater a agressividade e irracionalidade do pensamento alimentado pelo petismo e vi nascer nesse período uma força ainda mais agressiva e irracional. São apenas dois polos de paixões distintas. Nenhuma delas tem a ver com direitismo ou esquerdismo de fato. O surgimento desse atrito, movido por paixões mais comuns aos campeonatos de futebol, fez sumir do cenário político as discussões mais relevantes para a recuperação do país e os outros candidatos não perceberam que as velhas fórmulas para se conquistar eleitores não funcionariam mais.

A internet não é termômetro para se identificar a temperatura das escolhas eleitorais. Se fosse assim, o messias já estaria com 77% das intenções de votos o que, nem de longe, corresponde a verdade. Os eleitores tropeçam no óbvio, mas não conseguem vislumbrar a luz justamente porque está claro demais para que consigam enxergar. Existe uma diferença muito grande entre o candidato Jair Messias Bolsonaro (indivíduo) e a religião criada entorno do seu nome, o bolsonarismo. Fiz duas considerações tentando demonstrar que ao forçar o bolsonarismo como alternativa contra o retrocesso do esquerdismo, as forças inspiradas pela ideologia de esquerda iriam se concentrar num único candidato para combater e retirar do pleito o candidato messias.

É óbvio, é ululante, mas ainda assim, eleitores ignoram que mais da metade dos votos que estão atribuídos ao candidato Fernando Haddad (PT) não são para ele e sim contra o Bolsonaro. O mesmo pode se dizer que quase a metade dos votos dirigidos ao messias também não são para ele, mas contra o ressurgimento da esquerda. Acontece que essa polarização destruiu a eleição levando a um resultado trágico: desperdício de mais quatro anos e o refortalecimento da esquerda. Independente de quem será o vitorioso!

Se Fernando Haddad vencer (ou qualquer outro candidato de esquerda), perde-se todo o processo de despertar da população para uma via mais coerente para o progresso do país que é a corrente verdadeira para o desenvolvimento da nação e, principalmente, dos indivíduos. Levariam ainda alguns anos ou décadas para aprendermos o liberalismo de fato, mas o Brasil finalmente poderia recalcular a sua rota para seguir os mesmos caminhos dos países mais desenvolvidos, abandonando de vez as ideologias que nos atrasam e nos mantém na mediocridade. Com isso, o messianismo não iria parar e acumularíamos mais atrasos no nosso desenvolvimento. Percebam que nem é o problema da corrupção o maior risco nessa vitória.

Se Bolsonaro vencer, obviamente a esquerda se colocará em oposição, matéria em que são especialistas. A esquerda é muito mais eficaz na oposição do que quaisquer outras facções de pensamento. São capazes de demonizar e desqualificar até São Francisco de Assis. Pior! São mais inteligentes e sabem como ninguém representar o papel de vítimas. Nos primeiros quatro meses de possível governo do messias seria apenas euforia e ruído, mas não tardaria para que os eleitores reconhecessem que sofreram mais um estelionato eleitoral. Daí por diante os protagonistas da esquerda nadariam de braçada e voltariam revigorados no próximo pleito de 2022. Mais risco de atraso. Estamos nos tornando especialistas em perder oportunidades e forçando o país a ficar sempre na rabeira.

Esperar que um simpatizante do Bolsonarismo compreenda uma crítica sem babar e espumar antes de chegar ao final é exigir demais de seu intelecto. O que venho tentando alertar desde o ano passado era para o fato de estarmos ressuscitando algo que deveria ter sido enterrado muito antes de tentarem se livrar do governo petista através do impeachment. O PT governou sem oposição (inclusive do tal messias) durante treze anos e, por essa razão, são culpados todos os candidatos que agora querem se apresentar como alternativas. Bolsonaro só se opôs ao tal Kit Gay e isso fez dele o grande salvador do momento. Lula também já foi tratado como salvador...

O bolsonarismo afastou o eleitor do debate e concentrou as escolhas apenas nas personalidades dos candidatos e não nas possíveis contribuições de um mandato responsável. Ainda não entenderam que a maioria dos eleitores brasileiros não se libertaram do veneno gramscista pulverizado pelos idiotas úteis nos últimos quarenta anos e que continuam presos ao fascínio do discurso ideológico. E isso ainda levará alguns anos. O bolsonarismo foi o bálsamo restaurador dessa ideologia e independente do resultado das eleições no segundo turno o maior vitorioso será o petismo que ressurgiu das cinzas mesmo com seu maior ídolo atrás das grades. Essa foi a maior contribuição da seita bolsonarista. 

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