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Esse artigo não é para usuários de Redes Sociais. Sobretudo o Facebook!

O Diabólico Facebook - Blog do Asno

Ainda me lembro de quando me conectei pela primeira vez na internet e como fiquei entusiasmado com a infinidade de possibilidades para a humanidade com esse recurso. Não teria jamais que me deslocar de minha residência para pesquisar qualquer assunto de meu interesse, uma vez que milhares de pessoas começaram a compartilhar conhecimento e experiências. Recordo do meu primeiro contato na década de 80 com um dos ancestrais dos mecanismos de mensagens instantâneas, o Carbon Copy da Microcom. Passei a consumir tudo que era novidade, o ICQ, o mIRQ e outros, aparentemente, inocentes recursos de conexão com outras pessoas.

Ali já começava a ter as primeiras impressões de que havia mais do que o potencial positivo de evolução de nossa raça, mas porque se preocupar? Afinal, que dano poderia ocorrer ao mundo só porque traços degenerados do gênero humano também estavam acessíveis tão democraticamente quanto o conhecimento de todos os tempos já acumulado pela nossa raça? Diante de tantas coisas positivas disponíveis, que mal haveria em dividir o espaço com um pouco de distração inútil?

Em seguida experimentei o que poderia ser uma revolução, o Orkut. Ali pude me conectar com meus conhecidos e até ícones que admirava. Encontrei comunidades de pessoas com as mesmas afinidades e o volume de informações e até oportunidades cresceu. Aprendi coisas que jamais sonharia ter condições para aprender. Já havia mais degeneração do que coisas positivas disponíveis, mas a inocência ainda predominava e, tal como o sapo na bacia com água fervendo, segui consumindo maravilhado todas as inovações que surgiam. Até que um dia, um rapaz doente e fragmentado, incapaz de superar suas dificuldades de socialização, criou a ferramenta que iria tirar a poeira das trombetas do apocalipse mental da raça humana, o diabólico Facebook.

Poucos se dão conta de que o cara que criou a plataforma que iria conectar a todos virtualmente não conseguia se conectar com ninguém emocional e fisicamente. O Facebook é a plataforma viciante que mais dano causou e causará ao mundo. Existem muitas outras ainda tão trágicas quanto e que revelam o quanto retrocedemos nos degraus da evolução humana, mas é na ilusão de conectar-se a uma infinidade de "amigos" que identificamos o grau do estágio doentio no qual nos encontramos.

Não! O problema não está no ato de se conectar com outras pessoas e sim no vazio que compartilhamos. Não temos nada para acrescentar aos demais, então enchemos nossa linha do tempo com frivolidades que são acumuladas as muitas outras já compartilhadas. Houve um tempo (já esquecido pela humanidade) em que buscávamos ter algo a acrescentar ao mundo. Hoje isso não é mais possível porque o vício de se manter ativo para os demais é pior do que qualquer droga já sintetizada na história.

É claro que no próprio Facebook há espaço para que textos como esse estejam disponíveis para todos, mas quando nossa alma está quebrada buscamos a ilusão da cura mais fácil, ou seja, a simpatia de outros também quebrados. Sofremos menos assim! Pelo menos é o que preferimos pensar! É só comparar a quantidade de compartilhamentos de textos como esse que existem disponíveis na plataforma contra os recados rápidos e os multicoloridos "Bom Dia" e "Boa Noite", ou ainda aquelas reflexões que todo mundo curte e reage com smiles esquizofrênicos, mas nunca reflete de verdade.

O que mais contribuiu com a evolução de nossa espécie foi nossa capacidade de nos comunicar. Desaprendemos a nos comunicar como também perdemos a capacidade de decidir razoavelmente. Não há mais retorno! Relacionamentos são criados sem as bases adequadas e outros são terminados pelas razões mais fúteis. Decisões importantes são tomadas ao arrepio do bom senso se isso reproduzir popularidade. O rapaz fragmentado que tinha dificuldades para se socializar conseguiu o que ninguém jamais imaginaria: criou uma legião mundial de outros fragmentados. Nunca nenhum intelectual ou mesmo ícone religioso foi capaz de replicar um número expressivo de seguidores que refletissem a sua própria forma de viver. Zuckerberg fez isso! Multiplicou sua doença sem precisar se conectar a ninguém.

Deixamos de buscar a saída para as vulnerabilidades de nossa alma para imbecilmente buscar a validação e aceitação de outros imbecis através de memes e compartilhamentos de pensamentos que nós mesmos não praticamos. Alimentamos a ilusão de bem estar para fugirmos de nossas fraquezas e deixamos nossa alma ainda mais doente. Eis o final de nossa história... Filhos se desconectam dos pais, esposas e maridos se desconectam antes mesmo de se separarem e amigos gastam cada vez menos energia para valorizar o sentido da amizade. Estamos cada vez mais nos tornando coisas do outro lado de uma tela e menos humanos. A tragédia da humanidade é estar tão conectada e separada ao mesmo tempo. Somos produtos com defeito. Particularmente, não creio que isso terá conserto.

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