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Disputa pelos Royalties do Petróleo. Educação fica fora!

Distribuição dos Royalties do Petróleo - Um Asno
Meu leitor Juliano de Birigui, que quase nunca concorda comigo - mas dá excelentes contribuições ao blog -, enviou-me um link sobre a votação dos deputados quanto aos royalties do petróleo no Brasil. A crítica se assenta na questão de que os valores não serão mais destinados a educação como era previsto no texto original. Bom, afora que esta questão ainda deve passar pelo senado e pode, ainda, sofrer o veto da presidente Dilma (acabei de saber: Dilma não vetará!), também poderá fracassar no STF se os estados produtores entrarem com ações de inconstitucionalidade (e é perfeitamente possível e legítimo!). Por enquanto, aguardarei os próximos capítulos como estou aguardando o desfecho do julgamento do Mensalão. Vamos a questão da educação agora.

O Brasil é a sétima economia do mundo e investe na área 5,7% do PIB. É muuuuito dinheiro! Só que é mal aproveitado e o resultado é pífio. Entre outras razões, há um permanente boicote a todo e qualquer esforço feito em favor da qualidade. Fui professor por extensos e exageradamente longos seis meses!! Desisti... Não porque esta profissão é das que oferece menor perspectiva ou uma das piores remunerações, mas porque vejo o sistema como ineficaz. Em São Paulo, o então governador José Serra instituiu um sistema de promoção de professores por mérito e de qualificação dos profissionais. A Apeoesp foi à greve. Opôs-se até mesmo à definição de um currículo mínimo para as escolas. Livros foram queimados em praça pública. Os professores querem mais salário, mas recusam qualquer programa que avalie seu desempenho. Os prejudicados são os alunos. Participei involuntariamente daquele período ministrando "cursinho" para professores que fariam a prova. Foi uma lástima!

Hoje se fala muito em investimentos para ideias "inovadoras" como “escola em tempo integral”, “escola da família”, “escola com tablet”… (escrevi um artigo que demonstra o desperdício na área da educação, clique aqui). Só não se fala numa escola com professor capacitado e submetido a uma avaliação constante do seu trabalho, que premie a competência e realize a manutenção da incompetência, como em qualquer área da vida. Não vou entrar no mérito do reconhecimento aos professores, que na grande maioria são heróis e já tratei deles em outros artigos (é só pesquisar pela palavra "educação" no Blog), vou tratar apenas da questão da famigerada proposta de aumento de investimentos para a área da educação. Se fosse para melhorar a vida dos professores, daí, tudo bem, mas nunca foi esta a pauta.

Apesar do investimento brasileiro ser próximo da média dos países mais desenvolvidos, o país se encontra somente em 53º lugar, de um total de 65 na avaliação do desempenho da educação. Daí se conclui que, maiores investimentos não necessariamente acompanham, na mesma proporção, uma melhora no desempenho dos estudantes. O Brasil é o 15º que mais investe o PIB na área. Confiram o quadro abaixo:

Os investimentos em educação de 20 países
Investimento para Educação - Um Asno
Como podem ver, o problema crítico com a educação não é de investimento e sim de gestão dos recursos, como quase tudo nesse país. Países que investem menos que o Brasil, como a Suíça  Reino Unido, Estados Unidos e Eslovênia, têm melhores colocações no desempenho da pasta. O Brasil gasta muito e muito mal com a educação. Inventam-se manobras, mesclam-se teorias, mas de fato concreto, nada se faz para melhorar a educação porque as próprias pessoas encarregadas disso são medíocres em sua formação e, muitas vezes, ocupam cargos e recebem títulos por companheirismo e não por mérito. Enquanto o Ministério da Educação e as Secretarias da pasta forem moedas de troca e cabides de emprego para parceiros e apoiadores, nada avançaremos nesse sentido. Há também o problema da corrupção que corroem os recursos de maneira que, ao final, tenhamos escolas sem o mínimo apropriado para se dar aulas e professores cada vez menos valorizados e preparados.

O que precisamos não é de mais dinheiro para a educação, para a saúde, para a segurança pública, para as estradas, etc. O que é necessário mesmo é um governo que ouse tratar essas áreas com mais austeridade e gestão eficiente dos recursos. Em qualquer padaria o princípio é o mesmo!

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