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Para o ministro Joaquim Barbosa, pergunta tem cor

Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowiski - Um Asno
Então... Elogiei o discurso de Joaquim Barbosa durante a sua posse que ocorreu ontem, mas alguma coisa tinha de acontecer! Ricardo Noblat, do jornal O Globo, publicou um artigo em seu blog sobre a reação que Barbosa teve ao ser entrevistado por um repórter negro (Ops, Afrodescendente!) e o ministro que não é muito simpático com os jornalistas bradou: "Canalhas!". Vejam primeiro o artigo de Noblat, volto em seguida:
"Para o ministro Joaquim Barbosa, que nesta quinta-feira assumirá a presidência do Supremo Tribunal Federal, pergunta da imprensa tem cor!"O senhor está irritado?" - É pergunta de branco!"Ministro, o julgamento correu tranquilamente?" - De novo pergunta de branco.O que seria, para usar o termo do próprio Joaquim, uma pergunta de "brother"? Certamente perguntas que não constranjam, insípidas, inodoras, e, agora sabemos, pela jurisprudência do racismo avesso de Joaquim, perguntas incolores!Hoje, Joaquim censurou um repórter negro que o questionou sobre a primeira sessão do Supremo comandada por eler, o relator do processo do mensalão. A pergunta estava lastreada no histórico de Joaquim de brigas e disputas na Corte. Assim, em plena Corte Suprema, diante de inúmeros gravadores, o novo presidente do STF atribuiu determinados comportamentos-questionamentos à cor da pele...Diante de um grupo de jornalistas, valeu-se do recurso do off (o repasse de informação mediante o compromisso de não se identificar a fonte) para se proteger do que diria em seguida. O jornalista Luiz Fara Monteiro, da TV Record, negro como Joaquim, perguntou ao ministro se ele estava “mais tranquilo, mais sereno” na sessão desta tarde. Ouviu de bate-pronto:- Nesses dez anos, o ministro Joaquim botou para quebrar aí, quebrou as cadeiras? Gente, vamos parar de estereótipo, tá? Dirigindo-se ao repórter, perguntou:- Logo você, meu brother! Ou você se acha parecido com a nossa Ana Flor [repórter da agência Reuters que é loira]? A cor da minha pele é igual à sua. Não siga a linha de estereótipos porque isso é muito ruim. Eles [os demais jornalistas] foram educados e comandados para levar adiante esses estereótipos. Mas você, meu amigo?

O repórter não arriscou outra pergunta. Ninguém protestou. Pelo contrário. Os jornalistas que rotineiramente cobrem as atividades do STF parecem acostumados com a rispidez de Joaquim". Ouça aqui  a conversa de Joaquim Barbosa com os jornalistas.
Minha vez...
Não me agrada quando jornalistas deixam de preservar o off. Se alguém pede para falar em off é porque pretende dizer algo que não deseja que outros saibam para preservar-se de críticas, ou seja lá qual for a razão. Isso causou a queda de Rubens Ricupero em 1 de novembro de 1994, quando o ministro foi entrevistado pelo repórter da Globo, Carlos Monforte. Mas, uma vez feita a cagada, trata-se de uma reação ridícula do ministro Joaquim Barbosa. O erro do ministro carrega a marca racial, se cor de pele alguma coisa tivesse a ver com raça. Em sua visão, jornalistas, que não são negros, são "igualmente educados e comandados" para agir de determinada forma que não caberia aos negros? Quer dizer, então, que os negros devem seguir uma pauta e pensar em bloco porque, afinal, são negros? O que seria uma pergunta “digna de um preto”? O que pretendia o ministro separando-se dos brancos e censurando outro por agir com conduta "semelhante"?
Malhei o Ministro Ricardo Lewandowski diversas vezes e não foi por sua origem européia e branca e também o elogiei por outros momentos sem levar em consideração sua cor ou origem. Não se poderia exigir que alguém em uma determinada função fosse branco ou negro para depois agente em alguma função ou cargo. Ainda que se tratasse de uma brincadeira do ministro em um momento de descontração, seria despropositada e em desacordo com sua conduta como juiz que não se restringe apenas ao STF.
Ser negro não define sua posição. O ministro chegou ao cargo da presidência do Supremo porque estudou e tem formação intelectual e acadêmica compatível com o cargo. Há milhões de outros (brancos, negros, amarelos, vermelhos), que não reúnem as qualidades necessárias para ocupar tal cargo e outros tantos que reúnem qualidades para ocuparem outros cargos também de destaque. Em nada isso tem a ver com a cor da pele. Não existe melhor política afirmativa do que a da dedicação e do talento. Se pensam em medidas inclusivas para garantir que muitos outros consigam repetir o desempenho de Barbosa, comecem por reivindicar uma educação decente no país.
A história de Joaquim Barbosa pode ser um grande estímulo para muitos em nosso país: negros, brancos e pobres (e pobres brancos!). Que seu esforço inspire a todos, brancos e negros! Desempenho intelectual não tem cor, nem as ideias... o discurso é que lhe empresta tal conceito e daí seguem as militâncias que, longe de eliminar o racismo, emprestam-lhe mais ânimo. O racismo no Brasil existe sim! E ganha mais força quando toda discussão recebe ênfase em virtude do esforço em envolver a questão com a cor da pele.
Em outros lugares do globo, brancos se detestam e se matam por causa de um preconceito religioso e negros matam negros por diferenças de etnias. Já em nosso país a democracia caminha em direção a sua mais importante expressão: a igualdade! Por essa razão fui contrário a aprovação da política de cotas em nosso país. Foi nessa ocasião onde primeiro divergi do voto de Joaquim BarbosaUma mera ação compensatória para tentar corrigir os desastres da escola pública condena-a a eternamente repetir esse desastre.
O ministro precisa pedir desculpas aos jornalistas brancos e negros!

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