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O argumento do "Nós e Eles" - Parte I

Morte na Bósnia - Um Asno
No dia 11 de setembro de 2013 todos nos lembraremos da covardia e da intolerância fundamentalista dos muçulmanos,  mas poucos nos lembraremos da covardia nacionalista de 11 de julho de 1995. No ataque aos ianques, 2.996 pessoas pereceram, na higienização étnica executada pelos sérvios nacionalistas, mais de 8 mil muçulmanos. Em 1995, Srebrenica havia sido designada pela ONU como "área segura". Milhares de civis, na maioria muçulmanos bósnios, tinham buscado refúgio naquela região para escapar de outras ofensivas sérvias no nordeste da Bósnia. Eles estavam sob proteção de apenas 100 mal equipados holandeses das forças de paz.

Com pedidos de reforços negados, os holandeses das forças de paz foram forçados a testemunhar a execução dos civis enquanto as tropas sérvias agiam com o objetivo de "limpeza étnica". Milhares de homens e meninos com idades de 10 a 77 anos foram cercados e assassinados. Mais de 60 caminhões com os refugiados saíram de Srebrenica para locais de execução onde eles foram vendados, tiveram as mãos atadas e foram mortos por disparos de rifles automáticos. Posteriormente, escavadoras industriais empurraram os corpos para valas comuns. Alguns foram enterrados vivos e muitos cometeram suicídio para evitar que seus narizes, lábios e orelhas fossem cortados fora. Também há relatos de adultos que foram forçados a matar seus filhos ou assistir aos soldados porem fim à vida de crianças.

O que há de semelhante nos dois eventos recentes de nossa história? Não diferem de outras passagens vergonhosas de nossa humanidade medrosa e ignorante. Também são similares em outro ponto: o agressor nega a agressão e justifica sua legitimidade. SEMPRE! Mas, a verdade é uma só: jamais haverá argumento que justifique nenhum desses eventos. Não sou hipócrita e, tampouco sou do tipo que oferece a outra face a agressão gratuita. Entretanto, que tipo de argumento pode servir de base para o lateralismo? Que tipo de visão pode resumir este estado binário de pensar do ser humano?

Este mundo não é preto e branco, não é sim e não, não é certo ou errado, ou ainda, justo e injusto. É apenas, perfeito... Nos segregamos em famílias, grupos, tribos, religiões, partidos, frações, etc. Mas somos todos um! Queremos diferente, mas todos queremos; pensamos diferente, mas todos pensamos; amamos diferente, mas todos amamos. Queremos, pensamos e amamos porque somos um mesmo elemento pluralizado neste vasto universo de ideias!

O discurso de reparação infla o intelecto de todos. Negros requerem dos brancos, filhos requerem dos pais, cristãos requerem de cristãos. Receio que estejamos repetindo ciclicamente o mesmo erro da inadequação com o conceito de mundo justo e perfeito. Até a líder de meu país, que não ajudei a eleger, mas submeto-me a sua liderança, pensa em pessoas como eu de forma excludente, sendo eu parte do "eles" e ela representante do "nós", ou seja, o grupo que pensa de forma alinhada com seu modo de governar. É esta maneira inocente que leva ao lateralismo, que cria doentes patriotas e separatistas, que gera o ódio ao próximo que não está obrigado a concordar comigo.

Temo essa maneira de pensar o que chamam de democracia. Os comentários que recebo em meu blog, transbordando ódio e aversão a liberdade alheia, justificam o meu temor. Temo porque são os jovens os primeiros a se entusiasmar com esse "modo de vista" obtuso e visceral. Temo que estes jovens já tenham se embriagado demais com esse vinho de péssima safra. Vejo a volta do obscurantismo disfarçado de equilíbrio ideológico. Não gosto do que leio mais.

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