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Sobre a Sessão da Câmara Municipal do dia 03/09/13

Sessão da Câmara Municipal de Birigui do dia 03/09/2013 - Um Asno
Sessão da Câmara Municipal de Birigui do dia 03/09/2013 - Um Asno
Ah, mas acontece algo de muito estranho quando alguém apresenta um argumento fajuto como sendo algo sensato. Não teria muito para comentar sobre a sessão da nossa Câmara Municipal nesta última terça-feira, já no plenário novo, mas alguns comentários, emocionados em alguns casos, merecem uma "atençãozinha". Primeiro quanto a algumas falas ressentidas de alguns edis quanto a acusação de que estão trabalhando pouco. Olha... Não sou dos que engrossam as fileiras dos que pensam que vereador trabalha pouco. Tenho convicção de que muitos trabalham mal, isso sim! Alguns não se dão nem ao trabalho de ler a íntegra das matérias propostas, senão as próprias. Outros, nem isso! No meu último texto, fiz uma comparação de números de matérias apresentadas pelos vereadores extraindo o período de 2012 que corresponde a mesma amostra de 2013. Claro que foi uma maldade quando se percebe que, por números, produziu-se 40% menos nessa legislatura (até agora), com seis edis a mais do que quando só haviam onze. Acreditava que havia cometido uma injustiça com os vereadores, porque na realidade o que se precisa verificar é a qualidade das matérias apresentadas e nunca o volume. Acontece que fizeram o mesmo durante a sessão de ontem, só que comparando com os primeiros meses de produção da legislatura anterior!

É uma fraude matemática! Isso não revela nada que ampare o argumento do aumento da representatividade. Ainda tem um porém! Comparando o período extraído e apresentado pelo vereador Ricardo Kumazawa (PT), como justificativa de aumento de produtividade revela-se que o que aumentou em muito, relativamente, foram os números de Indicações, 770 em oito meses de 2013 contra 523 durante todo o ano de 2009! Também se verifica um crescimento assombroso (eu já havia me referido a isso) de Requerimentos: 219 até agora contra 131 expedidos durante todo o ano de 2009. Em um ponto Kumazawa tem razão! Há que se regulamentar de modo que as indicações tenham de ser respondidas, mesmo porque grande parte delas são questões levantadas pelos próprios munícipes. Sei lá! De repente até no próprio site da Prefeitura Municipal com uma sessão onde os próprios cidadãos possam consultar. Mas espia... Não há dúvidas de que com um número maior de vereadores o número de matérias apresentadas tende a subir mesmo, e muito! Sobretudo, agora que tem gente comparando as estatísticas entre os períodos. Mas isso em nada reforça o argumento da representatividade. Já chego lá!

Representação, do latim, representatio, representationis, ou, se preferirem, a ação ou efeito de representar, significa ser mandatário ou procurador, fazer vezes de, suprir falta de, apresentar-se no lugar de. Em resumo, associa-se à figura da substituição na manifestação de vontade. Na melhor definição se trataria de um vínculo pelo qual os representantes agiriam em nome dos representados e deveriam trabalhar pelo bem comum a todos e não pelo próprio. Seria, grosso modo, a própria expressão da democracia com um governo estabelecido pelo e para o povo. Conversa fiada! Tal como está a política (e os políticos) atualmente, a representatividade tem sido mero discurso para se alcançar o loteamento de cadeiras parlamentares, entre outros objetivos menos nobres de pessoas e partidos.

O fato de ter um representante de etnia nipônica em nossa casa legislativa, como lembrado pelo edil Eduardo Fonseca (PT), não significa que a comunidade nipônica esteja lá representada. Tampouco, termos mulheres na Câmara significa que estejam eles, os interesses das mulheres, representados, embora nossas vereadoras tenham realizado alguns trabalhos nesse sentido. No conceito de representatividade, não é o fato de ser um político negro (ah, desculpa, afrodescendente), muçulmano, ateu ou homossexual que implique que estes grupos venham a ter seus interesses em destaque, já que a essência da representação é o "bem comum" a todos. Número, de maneira nenhuma, está associado a qualidade percebida pelo povo. Matematicamente, o único número que interessa a população é aquele que aparece na tela do caixa eletrônico, logo após a palavra SALDO. Não vou nem entrar no mérito da questão de que ninguém trabalha com a devida determinação no que diz respeito a conquista de empresas, cujo produto venha a elevar a média salarial dos biriguienses. Os argumentos são variados e, na maioria, tolos!

Já me posicionei contra algumas proposituras de alguns vereadores, inclusive do edil Cristiano Salmeirão. Fiquei particularmente aborrecido com Salmeirão, na legislatura passada, por seu entusiasmo e engajamento para que a Câmara tivesse hoje os dezessete representantes, mas vou alinhar meus esforços com os dele (se for real) quanto a proposta para a redução ao número de onze vereadores, como deveria ser. Pelos comentários de ontem até parecia que Birigui era a vanguarda e que os outros municípios é que estavam errados por manterem suas casas com número mais sóbrio de edis. Este aumento em Birigui não beneficiou a população em absolutamente nada. Os únicos beneficiados foram os partidos que conseguiram um nacozinho de poder para usar como moeda de troca com o executivo. Ora, não é segredo para ninguém que durante as eleições os partidos se procuram para decidir o loteamento de secretarias e cargos de alto padrão em troca de apoios por conta de terem um ou mais representantes no legislativo. Eles sim, os partidos, é que são representados! Já tem partido em nossa cidade engrossando o número de filiados e possíveis candidatos para o próximo pleito (de 2016!) e definindo estratégias para negociar até duas secretarias de uma única vez com o executivo que, possivelmente será eleito!

Em tempo! Não tenho problema com pessoas de partidos, repudio sim é a ideologia de alguns partidos. Repito! Não acho que vereador trabalhe pouco. Tenho convicção de que alguns trabalham mal! Até tenho criticado menos essa legislatura do que a anterior, mas na questão do número de edis, serei sempre contra! Sou eleitor e por mais que eu tenha de elogiar um ou outro vereador por quaisquer questões, sempre estarei contra ele (ou ela) se for favorável a essa aberração que é ter uma casa legislativa inchada e cara. O número de matérias ainda vai crescer muito, tal como cresceu a despesa da casa, mas a relevância dessas matérias para a percepção da população irá sempre na contramão. Não importa o volume. Se a percepção do eleitor já era de insuficiência (não me refiro ao volume de matérias, acho que poderia ser até muito menor), com mais vereadores esse sentimento não melhora.

Agora sim, para concluir! Acho que o presidente da casa, Wlademir Zavanella pode ter sido infeliz no sentido empregado por suas palavras, até porque não teve chance de se justificar e isso causou a reação negativa de alguns vereadores. No entanto, eu concordaria com o vereador Eduardo Fonseca (PT), com a vereadora Hebe Cervelatti (PR) e outros, se a representação por parte dos edis fosse algo que se traduzisse num certo nível qualitativo de ideias e atitudes. Não é o que vemos ou veremos algum dia. Até em equipes de trabalho em empresas e grupos de trabalho escolar veremos sempre alguns se dedicando mais e outros afrouxando o colarinho (para não empregar uma expressão mais chula). Precisamos sim, e isso está fora do alcance dos edis por que não existe uma maneira de regulamentar, que os eleitores passem a eleger representantes com qualidade de pensamento e coerência nas atitudes. Daí teremos uma Câmara que nos orgulhe realmente e as críticas e cobranças, ao menos, serão em número bem menor (acabar não acabam!). Neste sentido, não culpo os vereadores, culpo os eleitores e a própria população porque se há os que pouco ou mal desempenham sua função de representar é porque nossa sociedade é assim. A Câmara Municipal não é mais do que uma amostragem do nível político em que nosso município se encontra.

5 comentários:

  1. Clarissa G. Martins04 setembro, 2013 09:04

    Muito conveniente vc escrever em tom de crítica sobre a câmara mas a impressão que dá é que sua intenção é levantar uma moralzinha pra então se candidatar também. Concordo com o que vc escreveu, mas nós já vimos esse tipo de manifestação crítica antes. Você não é o primeiro que usa desses meios pra se auto promover.

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    1. Bom dia Clarissa e muito obrigado por sua participação. Com relação a sua interpretação do que faço, só posso responder de uma maneira: vai sonhando minha filha!

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    2. Hahahahaha.. "Vai sonhando minha filha". Sou seu fã, Nilson! ;)

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  2. Samuel Camargo de Anchieta04 setembro, 2013 14:41

    Boa tarde, Nilson. Acho suas críticas sobre o inchaço da Câmara muito próxima do censo comum. Aumentou as despesas, não aumentou a representatividade, a produtividade é baixa e por ai vai. Por isso entendo o comentário da leitora Clarissa. Mesmo que não seja, e acredito que não o é, parece discurso desta classe de políticos que ai se encontra. A propositura do Cristiano para mim soa como a maior demonstração de casuísmo político, é só jogar para arquibancada. Os argumentos a favor da propositura são os mesmos que foram rechaçados a pouco mais de um ano.(será que não dava para fazer estas contas antes ou o calor da campanha já os impedia e usar a calculadora). Agora ele já esta eleito, seu partido tem uma bancada razoável mesmo tendo sido derrotado na eleição majoritária, agora é fácil, querer agradar ao eleitorado julgando o mesmo, desprovido de memória. Proponho que a câmara estude meios mais simples para resolver seus problemas, diminuição no salário dos vereadores, extinção dos assessores, fim das exibições na TV (palanque eletrônico somente, a internet está ai livre para isso).

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  3. Samuel Camargo de Anchieta05 setembro, 2013 15:19

    Só gostaria de complementar o raciocínio colocando o óbvio mas necessário: a proposta de diminuição dos vereadores não economiza um centavo nos 39 meses de legislatura que ainda restam. Se isto não é casuísmo é o que então. Que está realmente preocupado com economia de recursos, para de gastar imediatamente.Desculpem-me a falta de polidez, mas o dinheiro não sai dos bolsos dos vereadores, só entra.

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