O que realmente “Dor de Dono” significa?
Em muitas empresas, gasta-se o termo “Dor de Dono” como um elogio concedido àqueles que “vestem a camisa” ou se mostram disponíveis em situações emergenciais. No entanto, há uma distância abissal entre esse conceito superficial e o real significado da expressão quando a analisamos sob a ótica da liderança plena, da responsabilidade transversal e da cultura de excelência.
“Dor de Dono” é carregar o problema dos outros nas costas como se fosse meu — porque, no fundo, se o problema é da empresa, ele é meu também.
Não é aquele incômodo passivo que nos leva a comentar nos bastidores: “Isso aí está errado, mas não é comigo”. É justamente o oposto. A Dor de Dono é que dispara o instinto de correção imediata. É a dor de quem, ao perceber uma falha, não pergunta “de quem é o problema?”, mas sim “o que eu posso fazer agora para resolver?”
As empresas que prosperam em ambientes complexos são aquelas em que seus líderes e colaboradores compreendem que silos departamentais não protegem ninguém — ao contrário, sabotam a agilidade e comprometem a sustentabilidade do negócio. Quando um vendedor ignora um erro recorrente no Estoque alegando que “não é da sua alçada”, ou quando o responsável pelo Marketing percebe um erro na Logística, mas prefere não se envolver porque “não é sua responsabilidade direta”, estamos diante de uma erosão silenciosa do desempenho coletivo.
A Dor de Dono é o antídoto contra essa omissão institucionalizada. Ela transforma o indivíduo comum em agente sistêmico, alguém que olha para além das fronteiras do seu setor e possui senso de pertencimento. Não no discurso, mas na prática. Dor de Dono é quando assumimos um problema que não é nosso, resolvemos um impasse que ninguém quis enfrentar ou sugerimos melhorias em processos que passam despercebidos há anos.
A Dor de Dono é uma atitude escolhida e a ausência dessa postura custa tempo, causa retrabalho, desgaste de marca, perda de clientes e desmotivação de equipes. Essa ausência é perceptível nas reuniões em que todos têm opiniões, mas ninguém apresenta soluções. É visível nos ambientes onde se normaliza o erro, terceiriza-se a responsabilidade e constrói-se uma cultura de conformismo silencioso.
Um líder verdadeiro não se omite diante do problema — ainda que ele não tenha surgido em sua área e ainda que ele envolva conflitos. Ele compreende que proteger a integridade do sistema é um dever moral que transcende a descrição do cargo.
No fim das contas, a Dor de Dono é agir hoje como se a empresa levasse o seu sobrenome. Imagine se tudo o que for decidido hoje repercutirá diretamente no seu bolso, no seu nome e na estabilidade da sua própria família. Imagine que, ao final do mês, você é quem assina os cheques. Que cada perda, cada erro não corrigido e cada cliente perdido significa menos recursos para sua casa e menos segurança para quem você ama. Essa é a lente do dono.


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