REFLEXÃO | A Liderança e a Água: Contemplar o Propósito nas Decisões
A água é uma das mais perfeitas metáforas para o verdadeiro papel da liderança. Ela tem um propósito inegociável: a manutenção da vida. Tudo o que faz, cada movimento, cada mudança de estado, serve a esse objetivo maior. Ela vence montanhas, contorna pedras, dribla abismos. Não disputa espaço — ocupa o que lhe é concedido e, ainda assim, encontra um jeito de chegar onde precisa. Quando está sob controle, é força que nutre, limpa, impulsiona e transforma. Mas, quando perde o seu propósito e controle — torna-se uma força destruidora. Assim também é a liderança dentro de qualquer organização.
Em nossos feudos administrativos e departamentais, onde cada área busca o cumprimento de suas metas, é comum que se perca de vista a razão precípua do varejo: o cliente final. É ele quem dá sentido ao trabalho, quem sustenta as margens, quem decide se continuamos relevantes ou não. E aqui onde encontramos um dos maiores desafios das lideranças modernas: provocar nossas equipes a alcançar resultados sem desconectá-las do propósito final. Quantas vezes vemos times inteiros empenhados em cumprir números, mas esquecendo que, atrás de cada indicador, há uma pessoa esperando ser compreendida, atendida, acolhida e respeitada?
Liderar, portanto, é como controlar o fluxo da água — garantir que ela se mova com energia, mas com direção. Cabe ao líder moldar o caminho, criar os canais certos, estabelecer limites e permitir fluidez. Quando o gestor apenas pressiona por metas, sem escutar e educar o olhar da equipe para o impacto de suas ações sobre o cliente, ele cria represas que um dia podem romper. Mas quando ensina o time a perceber o propósito — o cliente — como a nascente de tudo, então a energia se transforma em correnteza produtiva, contínua e sustentável.
Ser líder é provocar o direcionamento da energia da equipe para o propósito da empresa. Assim como a água, precisamos desenvolver a habilidade de adaptar-nos sem perdermos a essência, de mover-nos sem perdermos a direção e de agirmos sem perdermos o sentido do que fazemos. No fim, não são os indicadores que perpetuam o negócio, mas a lealdade silenciosa do cliente satisfeito — aquele que, ao ser bem atendido, devolve à empresa o oxigênio que mantém tudo vivo.
Líderes, a pergunta que deve nos acompanhar é simples e profunda: “O que estou fazendo hoje, em meu departamento, realmente serve ao cliente final da empresa?” Se a resposta for “sim”, então a água está fluindo no caminho certo.


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