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Dia Internacional da Mulher: o que comemoramos mesmo?

Longe de recordarmos a operárias que deram origem ao que veio a se tornar a lembrança do dia 8 de março de 1917. Longe das históricas reivindicações feministas e dos vergonhosos ataques sofridos pelas sufragistas, o Dia Internacional da Mulher é hoje um dia para homenagens e mimos. O que devemos à mulher?? Ora, primeiro a justiça de reconhecer que ela tornou mais fácil a vida masculina há cerca de dez mil anos introduzindo a lavoura, a educação das crianças, a domesticação de animais, isso tudo no tempo em que enormes campanhas masculinas saíam para caçar e retornavam, na maioria das vezes, mutiladas e com número fortemente reduzido de integrantes. Com o tempo, a ociosidade masculina encontrou maior utilidade nas operações bélicas e de progresso das comunidades. O homem se tornou útil para manter seguras as mulheres e daí surgiu a primeira zona de conforto feminina... e sua maior desgraça!

Os gregos atribuem a uma mulher, Pandora, a introdução de todos os males no planeta. Os hebreus deram a Eva essa "honra"! Milhares de anos de propaganda negativa e lá estava a mulher sendo queimada nas fogueiras. Ascendeu ao status de bruxa! Sempre houveram mulheres formidáveis lutando contra a injustiça imposta a elas e tiveram adversários ferozes: as próprias mulheres de seu tempo. Marie Curie, Simone de Beauvoir e por ai adiante! Os homens sempre foram adestrados para gostarem de futebol, carros e pescaria. Já as mulheres sempre foram programadas para serem boas donas de casa e MÃES!!! Basta prestarem atenção aos presentes que cada sexo sempre recebeu na infância!

As mulheres foram subjugadas por milênios, não porque eram mais fracas, mas porque acreditaram que eram. Tornaram-se prisioneiras de si mesmas por aceitarem a ilusão de que estariam mais seguras e confortáveis. Talvez isso fosse verdade na época em que se vivia em sociedades nômades e frágeis diante de invasões e ameaças de outras comunidades. As mulheres foram seduzidas pela ilusão de segurança e sentenciaram a si mesmas as correntes da própria vaidade. É claro que houveram avanços e as mães de hoje têm um reconhecimento maior do que as de outrora, mas a mentira perdura. No ano passado, mais de 420 mil partos foram realizados em meninas de 10 a 19 anos no Brasil!!! Ainda há muitas meninas que caem fascinadas na armadilha das princesas da Disney. Esperam por príncipes que nunca existiram na história real e jamais existirão. Impressionam-se com histórias de vampiros românticos e que brilham à luz do Sol, mas seguem repetindo a velha programação de serem cada vez mais atraentes e assim garantir uma segurança mais confortável na competição por um "partido melhor".
 
Tem quase vinte anos que li pela primeira vez o livro "O Complexo de Cinderela" de Collete Dowling e os textos de Simone de Beauvoir e as almas que se libertaram de lá para cá ainda não são numerosas o suficiente. Ainda permanecem a ditadura da beleza (já escrevi sobre isso aqui), a insegurança e a pressão por autoafirmação na maioria das mulheres. Em sua maioria, ainda se sentem menores que os homens e não poderia deixar de ser diferente diante de tanta comunicação visual e psicológica reafirmando a mentira de sua dependência ao macho. Quase nunca se exalta que um homem torna-se grande em virtude de uma mulher, mas quase sempre se omite que uma mulher se tornou grande por conta própria. Não prego a inversão da história, convoco apenas a uma pequena reflexão sobre das palavras de Victor Marie Hugo (meu escritor predileto), que em um poema deixou bem claro que somos muito diferentes e como essas diferenças nos tornam iguais. Leiam o poema na íntegra:
 
O homem é a mais elevada das criaturas;
A mulher é o mais sublime dos ideais.
O homem é o cérebro;
A mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz;
O coração, o AMOR.
A luz fecunda, o amor ressuscita.
O homem é forte pela razão;
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece, o martírio sublima.
O homem é um código;
A mulher é um evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo; a mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos;
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter, no crânio, uma larva;
Sonhar é ter, na fronte, uma auréola.
O homem é um oceano; a mulher é um lago.
O oceano tem a pérola que adorna;
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa;
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço;
Cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
A mulher, onde começa o céu.
  
Encerro
Devo minha vida a uma mulher, devo meu amor pela minha vida a duas mulheres e reconheço cada avanço em minha jornada a todas as mulheres que conheci.

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