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Sobre a construção do Porto de Mariel em Cuba com financiamento do BNDES

Porto de Mariel em Cuba - Um Asno
É o seguinte... Dessa vez vou ficar do lado dos "vermelhos". Sei que vou tomar porrada do mesmo jeito, mas na questão do financiamento do Porto de Mariel em Cuba eu sou favorável e ponto. Claro que eu mantenho reservas quanto aos modos como praticamos investimentos no Brasil, mas nesse caso só posso mesmo é torcer para que tudo não ocorra como aconteceu na Bolívia com a Petrobras. Concordo com muitos argumentos que aparecem na mídia, sobretudo daqueles que se posicionam contrários, mas só porque também acho a ditadura cubana uma tirania asquerosa não quer dizer que não enxergue aquela ilha como uma posição estratégica a se considerar. Estou convicto de que o embargo praticado pelos americanos ao regime castrista irá cair, cedo ou tarde, por pura pressão do próprio mercado e porque a ideologia maniqueísta de esquerda e direita só encontra amparo nos discursos mesmo. O Brasil adotou uma ousada política de se aproximar dos "excluídos" quando a matéria é política internacional. Errou bastante, é verdade, mas caminha na direção certa.

Enquanto, os países mais ricos se aproximam dos que potencialmente se tornarão ricos, o Brasil procura ganhar expressão entre os países que são "esquecidos" na lista de prioridades das nações mais poderosas. É uma estratégia audaciosa e muito arriscada. É coisa para Touros ou Ursos, mas bem que pode até dar certo. Perdoamos as dívidas de doze nações africanas apenas para podermos emprestar mais dinheiro para eles. Perdemos uma unidade da Petrobras para a Bolívia. Perdemos, sim! Não adianta argumentar! São erros de percurso quando se tem uma ideologia equivocada de mercado internacional, mas a ideia original não é de toda estragada. Quando se observa que o PIB do Panamá vem em grande parte de seu canal que está em franca reforma para se adequar a demanda comercial global e que Cuba tem o privilégio geográfico que pode elevá-la a uma importância equivalente e que, ainda, o Brasil tem pouca ou nenhuma expressão na América Central e na presença econômica daquela região, a análise não pode ficar só na questão de poder do "comunismo" da América Latina. É estratégico e pode muito bem ser a melhor jogada desse atual governo. Nem estou afirmando que isso seja para daqui poucos anos. Isso é coisa de longo prazo e é nesse ponto que deveríamos nos concentrar.

Acreditem! Se os americanos estão aborrecidos não é porque ainda pretendem matar o regime dos Castro por inanição. É porque eles não pensaram nisso antes! Esperem mais um pouco e verão iniciativas "privadas" dos americanos para realizarem algo parecido em alguma ilha próxima, ou até no próprio Panamá. Aqui em nosso país as discussões ficam apenas em questões menores. Os contrários apelam para nossas necessidades locais e que é absurdo o investimento fora, sobretudo, numa ditadura como a de Cuba. Os favoráveis ficam apenas na ladainha de que isso favorece empresas locais e gera empregos para brasileiros. Ambos os lados cunham fracos argumentos e atropelam a lógica essencial. Talvez até para não revelarem completamente as cartas do jogo. O fato é que esse tipo de financiamento é função do nosso BNDES e que o problema estrutural interno brasileiro nada tem a ver com falta de dinheiro. Nós também temos diversas obras de valor muito mais relevante do que o porto cubano mas que estão empacadas por questões burocráticas, ambientais e de corrupção. Vejam que não é falta de dinheiro. Aliás, nesse quesito nosso governo não tem do que reclamar por causa da nossa elevadíssima carga tributária que sempre engorda seu caixa acima do que ele realmente necessita. Daí o por quê de algumas "caridades" sem fundamento estratégico que fazemos com alguns países em nome de uma maior presença no continente. Mas não é isso o que vejo no caso do Porto de Mariel.

Ah! Mas já circulam denúncias de que o tirano Raúl Castro utilizou aquela estrutura para fazer tráfico internacional de 240 toneladas de armamento para a ditadura da Coreia do Norte. tudo documentado no Conselho de Segurança da ONU! Onde, cara pálida? A apreensão foi realizada pelo governo do Panamá, correto? Qual a procedência real das armas? Qual o procedimento que se instaurou, de fato? Cadê a punição cabível às duas nações? Ora... Se foi tudo verdade e não houve, sequer, uma manipulaçãozinha do governo norte-americano para desqualificar a iniciativa e pautar a nossa mídia contrária, onde está o delito do governo brasileiro? Ah! Mas, a responsabilidade é nossa porque conhecemos o regime de Cuba. Ah é! Então qual é a responsabilidade dos EUA quando financiaram os terroristas que se voltaram contra eles, ou quando financiaram o Iraque contra o Irã e outras merdas que eles realizaram em busca de posicionamento estratégico? É o mesmo que o Brasil está fazendo agora. Conquistando posição estratégica.

O relatório do Conselho de Segurança da ONU detalhou até mesmo o itinerário do cargueiro Chong Chon Gang que aportou em 4 de junho em Havana, onde teria descarregado rodas automotivas e outros produtos industriais. Em 20 de junho, o navio teria aportado secretamente em Mariel onde o material bélico teria sido embarcado. Em 22 de junho, o Chong Chon Gang chegou a Puerto Padre, onde recebeu a carga de açúcar que seria usada na tentativa de esconder o armamento. Parabéns! Agora vejam que inusitado: "A maior parte da carga era formada por componentes que seriam usados em mísseis terra-ar, dos modelos C-75 Volga e C-125 Pechora. Dois caças MiG-21, desmontados, estavam no carregamento. Muita munição foi encontrada. Também havia lançadores de mísseis, peças de radares, antenas, transmissores e geradores de energia". Com essa categoria de armas e tecnologia, Cuba já pode ser incluída na classe de potências bélicas do globo! Podem dizer "ah, não seja inocente! Exite tráfico de armas no mundo!". Verdade... E os maiores traficantes ainda são os EUA que nunca deixaram de vender armas para os próprios inimigos. Há mais uma ressalva! O escamoteamento da carga para descaracterizar o material bélico é justamente uma das técnicas empregadas por traficantes de armas americanos.

Mas, como poderemos impedir que a iniciativa não seja utilizada com interesses alheios ao que a nação brasileira anseia? Não podemos! Nenhuma iniciativa escapa do descaminho por parte de gente filadaputa que só enxerga seus interesses acima do de todos os outros. Só podemos ficar atentos, fiscalizarmos e, principalmente, escolhermos governos que primem pela administração técnica e não fisiológica. A iniciativa brasileira não deixa de ser muito boa também para os cubanos. Mariel já foi muito famosa quando de lá, nos anos de 1980, partiam os cubanos desesperados para Miami. No futuro, pode se tornar a redenção econômica para toda aquela nação. Acho que, desta vez, mesmo tendo agido sem o respaldo da Constituição, onde está explícito em seu Artigo 49 que é de "Competência exclusiva do Congresso NacionalI - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;", o governo brasileiro acertou. Vão fundo! Podem descer a madeira agora!

Um comentário:

  1. Esse porto foi uma jogada de mestre, em razão de sua localização. Não é sem motivos que foi comemorada até pela FIESP. Só criticou quem não entendeu sua importância.

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