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Desafios para a Sociedade e os Políticos Eleitos: Saúde

Programa Saúde da Família - Blog Do Asno
Em primeiro lugar, meus parabéns as mais de 50 mil pessoas que conseguiram tirar zero na prova de redação do ENEM. Nunca se leu e escreveu tanto no Brasil e ainda sim, nunca fomos tão estúpidos quando a questão é a leitura e a escrita. Bom... Isso deveria ter sido escrito no artigo que tratei da Educação, mas vale para esse onde falarei da Saúde por que um grande problema dessa área é justamente a incapacidade de ler das pessoas. Para a galera que não gosta de texto longo, minhas desculpas, mas vai ver é por isso que o Brasil vai tão mal quando o assunto é redação: ninguém gosta de ler! Para não falar mais disso nesse artigo, vou dar uma dica para quem quer se dar bem em redação: tem que ler muito suas bestas! E não é leitura de Faciobuquio e ZapZap, não! Vou fazer o seguinte... Primeiro vou demonstrar que o sistema de saúde pública brasileiro poderia ser um dos melhores do mundo do jeito que está formulado e com a mesma verba e depois mostro por que não funciona e estamos entre os piores. Saúde é o calcanhar de Aquiles de qualquer governo e é nos municípios que o bicho pega.

O Programa Saúde da Família (PSF) foi implantado no Brasil, pelo Ministério da Saúde, em 1994, no início da gestão FHC. O governo petista elevou o status do PSF para "Estratégia de Saúde da Família", o que, particularmente, considero um avanço digno de elogio (sim, eles acertaram muita coisa). Da maneira como o Ministério da Saúde começou a trabalhar a pasta passou a ser tratada de maneira proativa e não mais reativa. O PSF foi uma evolução do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), criado em 1991 e ganhou força em Março de 2006 e novamente em 2011 para reafirmar os princípios básicos do SUS: universalização, igualdade, descentralização, integralidade e participação da comunidade, mediante o cadastramento e a vinculação dos usuários. O Programa Mais Médicos também foi uma puta sacada. Minha crítica está mais no campo de como foi feito, só isso... Quer mais uma coisa boa e que, muitas vezes, atua como baita parceiro do PSF? São os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS)! Era para estarmos no melhor dos mundos...

Por que essa porra funciona tão mal??!! Simples... Recursos Humanos! Vamos pegar como exemplo um município de médio para grande porte, Birigui, com seus pouco mais de 100 mil habitantes! Aqui tem um CRAS e mais de 200 agentes atuando no PSF para fazer a triagem e desentupir as UBSs. Temos UBSs para atender as regiões sem gargalos, um Pronto Socorro regular, posto para atender a saúde da mulher, Leitos decentes para internação, Farmácia Popular, todos os profissionais necessários e tudo que pede o roteiro. Quase a totalidade da população esta desamparada quanto a saúde... Porque? Por que faltam remédios se o governo gasta horrores do nosso dinheiro para comprar? Tem muitos fatores a se considerar, mas vamos as maiores aberrações! Tem político e profissional filho da puta que fura a fila para favorecer alguns parasitas; remédios de alto custo perdem a validade por que a população está desinformada e profissionais que poderiam ajudar estão cagando para isso; não há padrão de atendimento entre uma UBS e outra; agentes comunitários não trabalham como agentes (não todos, salvam uns 10); cargas e cargas de remédios são extraviadas, comercializadas e o barato da propina impera em todas as negociações. Resumindo, o problema da falta de remédios é gente!

Por que os atendimentos nas UBSs não são padronizados? Simples! Não houve ainda um Secretário da Saúde que levantasse a bunda da cadeira para avaliar pessoalmente como cada unidade vem agindo com a população. Alguns exemplos mínimos para não deixar o texto muito longo para os preguiçosos. A UBS 04, no Costa Rica e a UBS 01, no Cidade Jardim, são duas das mais elogiadas na cidade. Até recentemente a população se valia de comprovantes de endereço de amigos ou conhecidos para poder serem atendidas nessas unidades. Com a organização do setor (a qual não discordo), não é mais possível que um morador de outra região seja atendido por estas ótimas unidades. Em compensação, a UBS 06, Tijuca, é uma das mais criticadas pela população de um modo geral, seja pelo atendimento ou pelo descaso. Nos dois casos vemos bem o que significa ambos os lugares terem o mesmo tipo de profissional, mas com vocações ou interesse completamente diverso. É claro que existem maus profissionais na UBS 04 tal como existem bons na UBS 06. Ocorre que, nesses casos, o que for mais abundante consegue apagar as falhas ou méritos dos outros.

Há excelentes agentes comunitários que deveriam ser multiplicados, porém há abundância de turistas na área. A maioria só se encarrega de irritar os moradores apenas atrás de um tal mosquito. Lógico que esse trabalho deve ser executado, mas cadê o trabalho de triagem? Onde estão as atividades preventivas? Onde está a preparação desses profissionais e o discernimento para saber onde e como agir? Se não existissem os bons acharíamos que é tudo uma merda mesmo e jogaríamos o problema na conta da saúde. De novo, o problema é gente! Parece que o problema da saúde é mais uma questão que deve ser administrada pela pasta que cuida dos Recursos Humanos, né Milani!!! Há excelentes enfermeiras e técnicos de enfermagem na cidade, mas seu trabalho acaba sendo invalidado pelos maus profissionais da área. Os cidadãos são jogados de uma sala a outra indefinidamente e, quando conseguem estar presentes diante de um médico, já estão pilhados e acabam descontando nesse profissional.

Alguns médicos ficam horrorizados com o descaso geral ou a falta de outros profissionais nas principais especialidades. Tá certo... Poderia aceitar essa conversa mole, mas, espia só... O vereador reeleito, Fermino Grosso, é o campeão em fazer acontecer quando o negócio é saúde. Não acho que seja sua função e gostaria mesmo que ele se dedicasse ao que um vereador deve fazer. Acontece que se não for ele, as pessoas são feitas de idiotas o tempo todo. Alguns cidadãos conseguem operar "milagres" simplesmente fazendo seus direitos prevalecerem sobre uma turba de concursados sem noção do que fazem no trabalho. Recentemente vi o candidato derrotado na eleição para a Câmara, Alexandre Menezes, salvar uma vida apenas fazendo com que uma cidadã recebesse o atendimento que há mais de 50 dias não desenrolava na UBS 06. Uma vez que a pessoa recebeu o atendimento todo o resto funcionou bem. Enquanto observava esse fato conheci mais cinco histórias semelhantes. É um calvário! Parece que o sistema foi construído para não permitir que o cidadão consiga ser atendido. O cidadão desconhece absolutamente os seus direitos e menos ainda sabe como proceder para ser atendido (Claro! Não gosta de ler!!).

O fracasso de todos os bons programas acaba sendo por culpa dos profissionais que resolvem prestar concurso para preencher as vagas abertas. Estão confundindo! Não é cabide de emprego! Sei que vou tomar porrada (mais), mas já ouvi falar que muitos agentes estão buscando meios jurídicos para conquistar mais benefícios para a categoria. Espia... No "meu modo de vista" alguns deveriam ganhar como médicos, mas para a maioria eu iria propor que se construisse um barracão para que eles matassem o tempo de uma maneira mais útil... Por exemplo... Fazendo o trabalho dos residentes no Centro de Ressocialização. Claro que sou consciente de que na outra ponta existe um outro elemento que pesa muito na qualidade da saúde pública: o usuário! Acontece o seguinte pessoal... O SUS é o plano de saúde mais caro que existe no país e todos nós pagamos. Acredito que uma das jovens que tem a cara de pau de responder "não quer esperar, então paga!" quando um usuário reclama ficaria muito chateada se fosse atendida da mesma maneira por um serviço que ela está pagando.

Esse assunto não se esgota aqui...

Um comentário:

  1. Falando em leitura e educação, vc escreveu "ainda sim" quando o correto é "ainda assim".

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