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Taxar Grandes Fortunas prejudica aos Pobres

Impostos Sobre Grandes Fortunas - Blog do Asno
Volta e meia aparece aqui e acolá a falácia de que o Estado precisa aumentar a arrecadação para cobrir deficiências sociais e, como a ideia de aumentar impostos não atrai a simpatia de todos os parlamentares, saca-se do baú o engodo de que a saída é fazer com que os ricos paguem mais impostos do que os pobres. Ouvir garotos defendendo essa asneira não me incomoda: eles são imaturos, nada sabem ainda sobre as relações de produção e consumo e geralmente são influenciados por professores que facilmente os seduzem por que ainda não desenvolveram a capacidade de analisar criticamente as informações que enfiamos em suas cabeças. Mas... Ouvir barbados e senhoras supostamente esclarecidos defenderem essa anedota, dá náusea! Se as pessoas não estivessem tão ocupadas em destruir a própria capacidade de raciocinar e julgar, deveria ser muito fácil derrubar essa lógica tão cretina. Aumentar impostos para os mais ricos só ferra ainda mais aos mais pobres. E é muito simples explicar isso.

Primeiro ponto! Ricos já pagam mais impostos (em valores globais) do que os pobres, acontece que não existem mais ricos do que pobres no Brasil. Portanto, em volume de arrecadação, sobra aos pobres a maior parte da fatura do Estado. Segundo... Existem dois tipos de impostos no nosso país: diretos e indiretos. Indiretos são aqueles que todos nós pagamos sobre qualquer relação de consumo: ICMS, por exemplo. Os impostos diretos são mais pessoais, tal como o Imposto sobre a Renda e este já pesa mais sobre os não exatamente pobres. Sim! Já existem impostos específicos para os mais abastados. O que ninguém explica é quem paga por esses impostos de fato! Antes, preciso derrubar alguns embustes como "ricos são ricos por causa do lucro". Não é bem assim...

Ainda existem até comerciantes que se iludem com a ideia de que ao adquirir um produto por R$ 5,00 e o vender a R$ 10,00 está garantindo uma margem de lucro de 100%. Errado! Na realidade, a depender do produto, está tomando um baita prejuízo. Em muitos casos, um markup que elevasse o preço do produto em 210%, talvez, garantisse apenas 4% de lucro no final da cadeia. Basta ver os custos incidentes sobre a produção, comercialização, serviços envolvidos no processo, relações de trabalho, bem como os impostos sobre o item. Sem contar as perdas, encalhes e os grandes estorvos burocráticos existentes no Brasil. Para resumir, a riqueza do produtor ou comerciante se constrói a partir do volume e é só! Cada produto comercializado com sucesso (há os que não dão certo) contribui com uma pequena margem para a receita. Se vendo muito, ganho bastante, se vendo pouco, ganho tinta na cara. A Matemática é cruel!

Agora a segunda parte um tantim mais complicada! O preço final de cada produto é definido pelo valor percebido pelos consumidores e, desse modo, um tênis que custa R$ 38,00 para ser fabricado poderá ser vendido por R$ 110,00 ao comerciante que irá oferecê-lo por R$ 500,00 ou mais. Isso também é um recurso para compensar eventuais perdas, mas, são casos excepcionais de produtos que possuem grande apelo para o consumo. O caso é que, tanto o produtor, quanto o comerciante, precisam repassar os impostos que pagam ao Estado no produto que oferecem e o consumidor é quem paga a fatura, ou seja, nós trouxas que escolhemos aqueles parlamentares que tanto querem taxar mais aos ricos. Além do mais, taxar fortunas só é tão simples na cabeça de idiotas. Há vários fracassos no mundo que aconselham cautela antes de se contar com os sonhados bilhões a mais no Tesouro. Primeiro por causa do alto custo de fiscalização.

Como se trata de um imposto declaratório o estado dependeria em maior parte de o contribuinte declarar com fidedignidade os bens. Todo o processo de arrecadação requer uma robusta máquina de fiscalização, cujo custo nem sempre é compensado pelo que é coletado. Na América Latina, por exemplo, apenas Argentina, Colômbia e Uruguai têm este imposto. Na Alemanha foi considerado inconstitucional, inclusive. Esse tipo de cobrança também incentiva à migração de patrimônios. Se para manter uma propriedade no Brasil for muito oneroso, simplesmente transfere-se o que for conveniente para o exterior e dá-se o mesmo destino aos investimentos familiares futuros. O resultado, como aconteceu em diversos países europeus, é uma redução real nos impostos recolhidos no país. Sem considerar a migração de empregos que são gerados por quem detém os meios de produção, logo, os mais ricos!

O produto comercializado no Brasil é, sim, mais caro devido ao peso da carga tributária, da ineficiência produtiva, atrasos burocráticos e comodismo empresarial. Impor mais um imposto aos ricos significa apenas que este será repassado de alguma forma aos mais pobres. Ou seja... Lembra do tênis que custou R$ 38,00 para ser fabricado e disponibilizado para compra? No final da cadeia seria comercializado a R$ 500,00, porém, com mais um imposto seria vendido mais caro ao consumidor no final. Isso no campo da produção. No capo do patrimônio a solução para os ricos é mais simples... Mudar de país, o que é fácil para eles! Pronto! Nos vingamos dos ricos e os expulsamos do nosso país! Eba! Vamos todos aderir ao MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e aguardar que o governo nos sustente. Mas, peralá! Quem vai pagar impostos para o governo se estivermos todos desempregados. Esqueceram que governo não tem dinheiro? Ele administra o dinheiro que nós, trouxas, lhe damos!

Os novos meninos engajados no ativismo contra o Capitalismo Malvadão precisam aprender que as crises financeiras ocorrem devido as intervenções estúpidas dos governos na economia e a ganância de alguns indivíduos que orbitam o estado. Isso não é Capitalismo. O Brasil nunca conheceu, de fato, o sistema capitalista. Se o Estado quer mesmo melhorar a qualidade dos serviços prestados a nós que lhe entregamos nosso dinheiro para isso, basta melhorar a gestão desses recursos. Professores, ensinem isso aos seus alunos!

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